quarta-feira, 10 de agosto de 2016

O troco

Maturidade no telemarketing:
- Bom dia, eu falo com a senhora Kelen?
- Sim, sou eu, o que seria?
- Senhora Kelen, eu falo em nome da Editora Abril...
- Ah, obrigada, mas eu não tenho interesse na assinatura de nenhuma revista no momento, tá?
- E eu por acaso já fiz alguma proposta, meu anjo?
- Não fez, mas tenho certeza que vai fazer.
- A senhora não tem como saber.
- Ah tá bom. O que a Editora Abril quer comigo então que não seja assinar alguma revista?
- Não queria saber, agora não vou falar. Tchau.
Só faltou complementar me chamando de "sua boba feia".

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Cultura geral no táxi

No domingo, quando cheguei em Porto Alegre, peguei um táxi na rodoviária. A motorista era uma mulher que já no começo do trajeto começou a ajeitar o sutiã desesperadamente dizendo que não aguentava mais aquilo apertando tudo. Me solidarizei com ela e disse que entendia bem, especialmente agora grávida. Pra que...
- Ah, tu tá grávida? Já incomoda agora é? Ra. Tu vai ver quando for amamentar que teus peitos vão parecer duas bolas de fogo. Esquenta, parece que vai explodir. Mas eu só amamentei até três meses. Dizem que é pouco mas quer saber? Nunca faltou saúde pra minha filha. Na última mamadeira da noite eu colocava Mucilon, sabe? Ela aqui ó (imita uma criança mamando) mamava tudo e dormia feliz a noite toda. Até hoje ela tem a pele que é uma porcelana, tenho certeza que foi o arroz do Mucilon!
E eu, nessa vida de Uber, água e balinha, já tinha até esquecido quanta cultura uma viagem de táxi pode trazer!

Pokemon Go

Hoje no final da manhã vi montes de Pokémons. Foi uma meia hora depois de tomar um antialérgico de respeito. Repentinamente formas estranhas e coloridas surgiram na minha frente e então segui elas até a minha cama. Só não consegui caçar nenhum pois dormi dois segundos depois de ter essas visões.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Olha o passarinho

Enquanto esperava a chamada pra fazer meu passaporte, observava as mulheres que atendiam na hora da foto:
- Levanta um pouco o queixo (click), um pouco pra esquerda (click), só dá uma viradinha (click), isso (click).
Quando fui chamada não foi por nenhuma delas, mas sim por um negão sorridente que assim que viu que eu era de Gramado engatou uma conversa sobre turismo e Natal Luz. Na hora da foto apenas orientou:
- Coloca a cadeira bem no meio do painel, isso. (Click). Deu.
- Só uma?
- Eu posso tirar cem, tu não vai gostar de nenhuma mesmo, ficamos com a primeira.
A fila imensa agradece. Já eu, torço pra que a foto que ele me mostrou estivesse distorcida na tela...

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Comecinho

Deixo aqui mais uma dica da série "Como ter um convívio harmônico com grávidas".
Observem o diálogo abaixo:
- Grávida? Que amor, de quanto tempo?
- 18 semanas.
- Ah, bem no comecinho.
Algumas observações sobre a palavra "comecinho":
- Se formos apelar pra matemática simples e pura, 18 é a metade de 36, 36 está bem próximo de 40, logo, estamos falando do meinho e não do comecinho.
- A grávida em questão provavelmente está enjoando até as tripas há 3 ou 4 meses (dividam o número de semanas por quatro e terão um número aproximado em meses! bingo!), está com uma azia que parece que instalaram um maçarico dentro dela, vê a balança aumentar mais rápido que o dólar em meio a crise financeira. Ela ama estar grávida, mas ela também ama saber que isso vai acabar logo, não me venham com comecinho.
- Ainda que seja realmente o comecinho, grávidas não são fãs da palavra comecinho. Comecinho é sinônimo de altos riscos, e ela sabe disso melhor do que ninguém, então ninguém precisa lembra-lá dessa questão. Sorria e pergunte o sexo, a data ou o nome, mas engole o tal do comecinho.
- Algumas pessoas tentam engravidar por 1, 2, 3, 5 anos. Especialmente nestes caso, faltar apenas alguns meses, sejam lá quantos forem, é praticamente um milagre dos céus, tu não tens noção de quanto tempo faz que acabou o comecinho!!!
Resumo da dica: evitem a palavra começo, comecinho, ou qualquer outra derivação da dita cuja. Enfiem logo a mão na barriga da mulher que provavelmente cause menos fúria!

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Se essa rua fosse minha

Quando vim morar na Felipe Neri, uma das primeiras coisas que me fez ter calafrios foram os guardadores de carro da esquina da Freire Alemão. Metidos e espalhafatosos (barraqueiros pra ser mais exata), eu agradecia não precisar estacionar na rua e ter que cair na mão deles. O tempo foi passando, eles seguiram metidos, espalhafatosos e barraqueiros, mas comecei a me dar conta que eles fazem parte da rua. Eles são mais educados do que pessoas do meu próprio prédio que cruzam comigo na garagem e dispensam um simples bom dia. Eles ajudam pessoas perdidas em frente a prédios, sabem até quando o interfone de alguém está estragado. O pessoal do prédio da esquina, ganha a chance de não ter que pegar a Silva Jardim, já que eles dão uma trancadinha no trânsito pra que eles possam ir direto pela Freire Alemão (fico imaginando a felicidade deste pessoal que não vai encarar a Mariland trancada na hora do rush). Eles conhecem as minhas cachorras e conversam com elas a cada passeio. Dia desses nos convidaram pra festa junina no novo bar da rua, dias depois ajudaram o Guilherme a carregar um saco de lenha. Mas me ganharam de vez dias atrás quando a única mulher do grupo gritou "que amor, elas vão ganhar um irmãozinho!" e veio na direção da barriga pública saber maiores detalhes... Como eu disse, eles seguem metidos, espalhafatosos e barraqueiros, mas hoje em dia em vez de ameaçada eu me sinto até mesmo protegida!

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Sem raça definida

Dia desses tava passeando com as minhas cuscas quando um Chow Chow sem guia que estava ao lado do seu dono enquanto este almoçava, saiu correndo em direção a elas latindo. Enroscada em guias, sem chances de conseguir colocar duas cachorras no colo e aos gritos de cachorros e garçons, tentava eu segurar o tal Chow Chow, que de simpático e amigável não tinha nada, enquanto o dono sequer levantou, apenas chamou seu cachorro enquanto balançava a cabeça em repreensão aos latidos das minhas cachorras e não ao ataque do seu cão e em nenhum momento cogitou se desculpar.
Agora a pouco passeava em frente a Tok Stok quando um labrador sem coleira e sem guia (e com um temperamento um tanto atípico para a raça) que estava ao lado da sua dona que abria uma garagem, atravessou a rua correndo e latindo em direção a elas. Enroscada em guias, sem chances de conseguir colocar duas cachorras no colo e aos gritos e latidos de cachorros e manobristas do estacionamento, tentava eu segurar o tal labrador, que de simpático e amigável não tinha nada, enquanto a dona buscava uma coleira atravessava a rua e chegava dizendo "Tu quer brincar mas elas são brabas, não querem brincar contigo", e atravessou a rua sem em nenhum momento cogitar se desculpar.
Ri Sozinha, quase com vontade de chorar. Elas podem ser brabas, loucas, histéricas, mas andam na rua de guia, como manda meu bom senso. É incrível como algumas pessoas são irresponsáveis e egoístas e não sabem conviver em sociedade, seja com pessoas ou com animais. É incrível como essas mesmas pessoas olham com ar de desprezo pra duas vira-latas como se ter cachorros de raça fizesse deles pessoas melhores. Que pena eu tenho desses cachorros. Não por serem de raça, mas por serem dessas pessoas.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Nota Legal (?)

Como odiar a Nota Fiscal Eletrônica antes mesmo de começar a usar a dita cuja:
"Utilizar os navegadores Mozilla Firefox ou Internet Explorer"
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Segunda-feira, primeira nota fiscal eletrônica a ser emitida, tudo vai bem até que ao pedir para gerar a dita cuja dá problema no applet, seja lá o que for isso. Ligo pro meu suposto suporte técnico que pede pra acessar meu computador. Ao verificar que estou no site da Nota Legal no Firefox pergunta um tanto indignado:
- E eu posso saber porque tu estás usando o Firefox?
- Porque eu odeio o Explorer te ajuda?
- Nós não damos suporte no Firefox.
- E eu posso saber porque vocês não me avisaram?
- E porque eu deveria te avisar?
- Justamente por vocês serem o meu suporte e provavelmente saberem tanto quanto eu que o Explorer é um navegador de merda falido!?

Em meio a tantas gentilezas, ele seguiu me atendendo mesmo assim, até verificar que nada roda no meu explorer, a começar pelo nosso adorável Java! Eis que então, sem nenhuma vergonha na cara sugere.
- Tu já pensaste em trocar de computador?
E tu, meu anjo, já pensaste em ir lá onde tu sabe onde hoje? Afinal, segunda-feira, Java, Explorer, NF eletrônica, é muito amor envolvido!

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Vitamina A

Pior que escovar os dentes com hipoglós é não ter em que colocar a culpa por ter sido eu mesma quem colocou o tubo do dito cujo junto da pasta de dente. Menos mal que era Hipoglós Amêndoas!

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Vocabulário

Impressionante o poder que essa tal de gravidez exerce sobre as pessoas.
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Tenho o péssimo hábito de ser um tanto explosiva no trânsito. Sozinha, dentro do carro, sem que ninguém me ouça (o que torna a explosão ainda mais inútil), xingo motoristas, azuizinhos e pedestres sem dó nem piedade. Hoje mesmo logo depois de ser fechada por um infeliz qualquer em um cruzamento - o que me fez quase bater além de ter sido obrigada a ficar parada em cima da faixa de segurança - não poupei adjetivos ao responsável:
- Isso, seu fdp, fo#@ com tudo seu pau no * dos infernos.
Meio segundo depois lembrei que tenho uma pessoinha dentro de mim, morri de vergonha e repeti também em voz alta (mas um tanto mais doce e calma):
- Não foi nada Luquinhas, só um motorista mal educado que atravessou o nosso caminho.
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Impressionante mesmo o poder que essa tal de gravidez exerce sobre as pessoas. E que pelo amor de Deus esse poder melhore meu vocabulário antes dessa pessoinha começar a me ouvir!

Bom senso

Ontem, enquanto revirava os olhos só de olhar a fila de carros vermelhos da rodoviária, me aproximei pra falar com o fiscal e avisar que precisava de um táxi que aceitasse cartão. Ele perguntou para uns seis, sete taxistas que sinalizaram que não, até que um deles afirmou que aceitava e veio me buscar. Já a caminho de casa, o motorista - pra lá de simpático e sensato - comenta comigo:
- E depois esses merdas não entendem porque o Uber está tomando o lugar deles!
E certíssimo em usar "deles" e não "nosso", porque sempre vai ter espaço pra quem vê na concorrência um incentivo pra fazer melhor!

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Hein?

Escrevi meu nome em uns 18 documentos no correio. Quando o atendente foi digitar no computador perguntou:
- É Karen, né?
Lembrar de melhorar não apenas a dicção, mas também a letra.