segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Marido chega em casa fim do dia, depois de um feriado escolar que proporcionou um dia de mãe e filho full time juntos, e encontra uma mãe descadeirada. Ao ver ele ir atrás do Lucas pra brincar de pegar e eu avisar que essa brincadeira era o motivo de eu estar demolida ele comenta:
- Eu só não estou carregando a Melissa, porque também estou descadeirado.
“Só”. Aquela palavra monossilábica despretensiosamente dita e que tu ouve e não sabe se dá uma gargalhada ou levanta e dá uma tunda.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Sobre filhos

Desde o dia que um filho nasce, uma das frases que mais ouvimos é “cada criança tem seu tempo”. E assim teu filho vai crescendo e tu vai observando como isso acontece com ele.
Mas mesmo com seu próprio tempo, os marcos do desenvolvimento, definidos na pediatria, tem suas faixas aceitáveis. E fora esses marcos, existem ainda os marcos comparativos com outras crianças, inevitáveis especialmente em tempos de redes sociais.
Pois o Lucas decidiu fazer tudo um pouco depois. Firmar a cabeça, rolar, sentar, engatinhar, ficar em pé, e por último - e nada menos importante - caminhar. Tudo acompanhado de perto por pediatras, da família e de fora dela, que nos garantiam aquilo que nossos olhos leigos viam: tá tudo absolutamente normal, é só o tempo dele. Perdi as contas de quantas vezes ouvi estranhos (ou amigos) comentando: ah, ele é dos preguiçosos. E entre ter algum problema e ser preguiçoso, a segunda opção sempre me pareceu muito melhor.
Mesmo com a probabilidade de não ser nada mais grave, foram meses de fisioterapia (onde me deparar com crianças com os mais diversos e sérios problemas me deixava com o coração apertado) e visitas a diversos “istas” da medicina pra que eu garantisse que a opção “problema” estivesse descartada. Visitas quase sempre acompanhadas de diversos exames e infindáveis (e enlouquecedoras) pesquisas no doutor Google. Sempre acompanhadas de noites de insônia pensando o que havia de errado com ele ou ainda o que eu havia feito de errado. Sempre acompanhadas de olhares atravessados para o fato dele não caminhar. E sempre acompanhadas de histories no Instagram mostrando mais um bebê de algum amigo dando seus primeiros passos, às vezes com quase um ano menos que ele, o que só fazia a angústia aumentar.
Até que um belo dia o diagnóstico chegou. Ele não incluía a palavra preguiçoso, mas também não incluía palavras que tanto me tiraram o sono como “degenarativo” ou “incurável”. Pelo contrário, incluía a palavra “benigna” que por si só já era um bálsamo. Poderia praticamente substituir todas as palavras e explicações do médico por “é só o tempo dele”.
Obviamente foi depois da saga pelos campos da medicina (e da Internet) que o Lucas decidiu dar os primeiros passos sozinho. Com 1 ano, 10 meses e 10 dias, quase nos matando de emoção apesar de termos disfarçado como se fosse a coisa menos esperada dos últimos meses, saiu do sofá e veio em minha direção no melhor abraço que ganhei em toda minha vida.
Provavelmente uma das outras frases que mais ouvimos depois que um filho nasce é “aproveita, passa muito rápido”. Pois então, resolvi fazer desse limão uma limonada: tive meu bebê por muito mais tempo.
Feliz dia das crianças. Esses serzinhos mágicos que nos ensinam a cada dia como ser uma pessoa melhor.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Pra não dizer que não falei de política

Cada vez que ouço falarem em direita e esquerda só consigo pensar no Cafu e no Roberto Carlos, que era quando direita e esquerda faziam algum sentido pra mim.

sábado, 15 de setembro de 2018

Homens de bem

Almoço em churrascaria tradicional da cidade. Nossa mesa de mulheres estava próxima a uma mesa de senhores. Até que resolvemos tirar uma foto e um deles comenta:
- Elas querem ver o passarinho.
Os hormônios são mais rápidos que eu e respondem por mim:
- Queremos sim, mas não é passarinho murcho.
A propósito, neste instante eles passaram automaticamente do status "senhores" para "bando de velho broxa".

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Te fiz um rock Melissa

Há pouco tempo soubemos que estávamos grávidos de uma menina! Prontamente o nome da guriazinha virou minha gincana favorita com o Gui. Cada um escolheu cinco nomes (que acabaram virando sete, que multiplicados eram 14!).
Nomes de ex namoradas do marido fora, meu nomes ripongos (tipo Vida que uma amiga prontamente me convenceu a não usar argumentando que era o nome da cadelinha da Gisele Bundchen ou Sol que todos pensariam que era Solange) também, sobreviveram Vitória e Melissa. E desde o dia que isso aconteceu, cantei incansavelmente a música dos Mutantes em homenagem ao nome que eu tendia a escolher entre os dois:
“Mas por favor senhor sol, me dê de volta a Melissa...”
Foram alguns dias até cair a ficha e me dar conta que a música não era bem assim, mas definitivamente não iria mudar o nome pra Virgínia por conta desse meu pequeno erro. Eu sabia que tinha uma música com o nome certo, mas não tinha jeito de lembrar! Até que a rádio me presenteou com a música que canto sem parar desde então.


quinta-feira, 19 de julho de 2018

Mulher maravilha

Eu não sabia o poder que exercia sobre meu corpo até conseguir reverter um espirro e engolir uma tosse pra não acordar a criança recém adormecida no meu colo.

terça-feira, 17 de julho de 2018

Maneado

Entro no Cabify abaixo de chuva com o Lucas no colo. O motorista lamenta eu ter que sair com ele com um dia desses.
- Pois é, mas não tenho opção. E prefiro sair sem guarda-chuva, sabe? A logística é muito complicada!
- Ah, isso é. A gente fica todo maneado, né?
Maneado! Aí brota aquele sentimento de pertencimento quando alguém mais no mundo usa um termo como esse!

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Check List

Aí tu vira mãe.
E vai a uma reunião profissional super importante.
Qual o único item que a tua bolsa não contém:
( ) lenço umedecido
( ) cartão de visitas
( ) pomada para assaduras
( ) foto e documento do filho

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Exército de um homem só

Paro numa esquina pra comprar uma camiseta do Brasil pro Lucas.
- Oi, tem tamanho 2?
- Claro, amarela ou azul?- Amarela.- Tá aqui.- Ah não, não quero a do Neymar.- Uhm...- Tem a do Gabriel Jesus?- Não...- Do Marcelo então?- Não tem também.- Então me vê uma de goleiro, do Alisson!- Moça, só tem a do Neymar.- Só tem Neymar, não tem seleção, é isso?

Parece que é isso.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Olhos nos olhos, quero ver o que você diz

Bati um papo com o Lucas a pouco. Expliquei pra ele que eu também acordo com fome de madrugada, mas nem por isso grito pra alguém me trazer comida. Vai que ele capta a mensagem nessa noite gelada!