terça-feira, 25 de maio de 2021

Terrible

 Depois de mais alguma aprontada do Lucas, eu e o Guilherme reviramos os olhos juntos. Pergunto pra ele:

- O que tá havendo com esse guri que tá tão terrível?
- Sei lá, terrible four!
- Pelo andar da coisa é terrible "fourever"!

quinta-feira, 29 de abril de 2021

Crachá

Em quase toda minha vida profissional me dividi na hora de escolher entre a liberdade e a estabilidade. Cheguei a fazer um tempo de coaching pra descobrir minhas habilidades e facilitar minhas tomadas de decisões. Dizem os resultados que tenho perfil empreendedor. Nunca tive certeza absoluta disso, ainda assim a liberdade sempre falou mais alto, não à toa a POP studio vai completar 10 anos. É uma liberdade meio louca, convenhamos. Ela te permite na maior parte do tempo poder decidir horários e dias de tra
balho, quando tirar férias e até mesmo a quantidade de trabalho que será feito e qual será a remuneração! Mas ao mesmo tempo te cobra uma senhora disciplina pra cumprir isso organizadamente em todos os aspectos e fazer as coisas de uma maneira profissional, ainda mais quando TU é a tua empresa todinha. Considerando especialmente esse último caso, essa liberdade é ótima mas costuma dar poucas garantias.

Aí entra a velha tentação da estabilidade. Aquela que tem um cartão ponto a bater mas também tem um pacotinho de benefícios tentador.
Nem só disso vivem as duas possibilidades, é claro. Tem toda a experiência que ambas podem proporcionar. E falo experiência enquanto vivência mesmo, enquanto experimentação!
Pois minha última experiência antes da POP foi no Projac. Depois de um período em Barcelona de onde voltei meio frustrada, surgiu a oportunidade de ir pro Rio e pra lá me fui de mala e cuia. Foi o único crachá que tive na vida. Um crachá um tanto diferente, que me permitia morar numa lagoa, tirar foto com o Russo, fazer projeto em uma favela com vista pro Cristo, visitar o Caminho das Índias e trabalhar de chinelo de dedos. A palavra experiência não poderia definir melhor! Mas mesmo com tudo isso (e uma praia logo ali), senti na pele a falta de liberdade, aquela que falei lá no começo.

Voltei pro sul e pra essa tal liberdade e aqui estou há quase 10 anos. Até quando? Não sei! Sempre estarei aberta a novas experiências.

terça-feira, 20 de abril de 2021

Eu sou bonita, só estou cansada

Quando surgiram os stories do Instagram tudo que eu pensei foi: que saco, mais um mar de selfies. Mas com o tempo não só me acostumei como passei a ser uma assídua colaboradora. E na pandemia os stories passaram a ser os responsáveis pelas mais valiosas trocas.

Foi pelos stories que esses dias compartilhei meu pânico com a situação do meu cabelo que cai sem dó nem piedade e que está em frangalhos, bem como minha pele e minhas unhas. As trocas maravilhosas de sempre, muito mais que dicas, me renderam um "tamo junto" coletivo, o que em mim gerou um "ufa": não é apenas um não investimento da minha parte em produtos que custam um rim, mas um reflexo dessa coisa louca que estamos vivendo que não teria como não afetar nossa saúde.

Já hoje, também nos stories, compartilhei um vídeo de um perfil que amo que é da Celeste Barber, uma australiana maravilhosa que reproduz vídeos (muitas vezes bizarros, diga-se de passagem) de celebridades com seus corpos perfeitos mas de uma maneira cômica, especialmente por ela ter um corpo tão perfeito quanto, apenas fora dos padrões de beleza estabelecidos. Compartilhei e escrevi que às vezes tô me sentindo um bagulho mas quando vejo as postagens dela chego até a esquecer!

Então uma amiga compartilhou comigo um post, em resposta às minhas últimas publicações ou não, que falava sobre o quanto mães não se fotografam. Por estarem se sentindo feias, descabeladas, mal vestidas, entre tantas outras coisas que sim, provavelmente eu me sinta muitas vezes. Foi aí que me dei conta que aquelas duas últimas publicações dos meus stories não tinham relação nenhuma entre si por mais que parecessem ter. Uma fala de saúde, tema com o qual eu sempre vou estar preocupada. A outra fala sobre padrões de beleza, coisa que definitivamente não me tira o sono. Ainda que eu sempre esteja querendo ter 5 quilos a menos, isso nunca me impediu de estar nas fotos que publico, sem filtro nenhum inclusive. Cabelo caindo me preocupa, cabelo em um coque mal feito tá tudo bem. Eu me aceito, desde que tenha saúde e esteja feliz.

Termino essa divagação toda com a frase da Tati Bernardi que melhor traduz esse momento maluco todo e que é mais ou menos assim: eu sou bonita, só estou cansada!




quinta-feira, 1 de abril de 2021

Feioada de Páscoa

 Pensávamos no que comer amanhã na sexta-feira Santa. Guilherme sugere:

- Podíamos fazer a receita do Jacinto, feijoada de frutos do mar.
Minha cara deve ter respondido e então ele foi pro Google.
- No Panelinha não tem.
- Então esquece, não deve ser bom.
- Mas tem do Rodrigo Hilbert.
- Vamos ver melhor essa receita.
Quem vê a empolgação pensa que é o próprio que vai vir me servir.

sexta-feira, 26 de março de 2021

Há muito tempo que ando

Sou uma caminhante. Nasci numa cidade pequena onde até o que é longe é perto e me acostumei a fazer tudo a pé. Sempre que viajo, pouco uso qualquer tipo de meio de transporte, nada como conhecer lugares caminhando. Sou uma apaixonada pelo cotidiano das ruas, pelas artes que habitam nelas. Tenho quilômetros e quilômetros de passadas pelas ruas das cidades que conheci ou vivi. Vim estudar em Porto Alegre há 27 anos e essa acabou se tornando a minha cidade, lugar onde certamente mais pegadas deixei. Independência, Petrópolis, Rio Branco, Auxiliadora, Moinhos, todos os que foram os meus bairros e que a cada nova caminhada me revelam algo que eu nunca havia visto antes. Já cruzei essa cidade das mais variadas formas, nos mais variados horários, nos mais diversos momentos de vida, passos que contam a minha história aqui. Já quis sair correndo daqui, mas voltei correndo também. Portinho tu é minha sina. Saudade de andar livre de verdade pelas tuas ruas. Feliz Aniversário.



segunda-feira, 15 de março de 2021

Cápsula do tempo - um ano de pandemia

Logo no início na pandemia recebi um material chamado "Cápsula do tempo" com atividades pras crianças fazerem relacionadas a esse período. Uma delas era a "Carta dos meus pais" onde a gente deveria escrever pra criança ler sobre esse período no futuro. Sinceramente não sei o que eu teria escrito há um ano atrás quando tudo começou, mas hoje resolvi escrever pra eles.

"Hoje faz um ano que a pandemia entrou pra valer nas nossas vidas. Vocês saíram da escolinha e por um período que pareceu infinito nós ficamos em casa, saindo apenas pro essencial: super, farmácia e o passeio com as cuscas. Música, pintura, livros, desenhos e muita comida feita em casa foram a nossa terapia (que nem sempre funcionou, diga-se de passagem!). Escrevi até um livrinho pra explicar pra vocês o que estava acontecendo. A sacada virou nosso "lá fora" e só abrimos uma exceção depois de quase dois meses quando fomos pra casa da vovó Luiza fazer um churrasco ao ar livre, evento que se repetiu pelos meses seguintes pra comemorar os aniversários da família. Ver vocês correndo incansáveis pelo pátio, o que deveria ser lugar comum na infância, parecia uma dádiva! Lá pelo meio do ano vi uma imagem que dizia que no início tínhamos muito medo e pouca chance de pegar o vírus e justo quando a chance de pegar aumentou muito perdemos o medo. Ou cansamos mesmo. Baixamos um pouco a guarda, visitamos e recebemos algumas pessoas. Longe da nossa vida normal, mas cada encontro nos enchia de felicidade! E assim os meses foram passando. Logo depois do teu aniversário, Lucas, que comemoramos em uma pracinha com alguns poucos amiguinhos, o vírus nos pegou. Foi leve e rápido, vocês nem sentiram. Mas por duas semanas, mais do que qualquer coisa, fiquei com muito medo de ter passado pra alguém, especialmente pros avós de vocês. Depois do contágio, um misto de medo e liberdade tomou conta, sabe? Estávamos teoricamente imunizados por um tempo mas nada havia mudado, o vírus seguia ali, e as máscaras e o álcool gel continuavam sendo nossos parceiros inseparáveis. Ainda que com todos cuidados mantidos, fomos a Gramado, a praia, ao clube, a pracinha. Tivemos o melhor verão possível dentro das possibilidades e eu confesso pra vocês que jamais pensei que seria tudo tão ruim e intenso outra vez, até a vacina já existia! Mas é março de novo e cá estamos nós, em casa, saindo apenas pro essencial, dessa vez com o medo e o risco bem alinhadinhos.
O último ano foi intenso, meus amores, mais ainda com todo um contexto que envolve a política do nosso país que eu prefiro nem comentar (se as coisas não mudarem tanto assim na educação, um dia vocês ainda vão estudar e tentar entender). Passamos muito mais tempo juntos do que jamais pensei que passaríamos. Tem grito, tem choro, tem cansaço. Mas muito mais que isso tem alegria, aprendizado e diversão. Nesse tempo que passou a Mel caminhou, tu desfraldou, o Rafa nasceu. Todos cresceram. Até eu.
Já me perguntei várias vezes como seria sem vocês. Mais fácil? Menos cansativo? Talvez. Mas bem menos leve e com muito menos amor. Olhar pra vocês é o que me faz ter esperança todos os dias. Esperança de que no próximo mês de março que a mamãe tanto ama a gente possa dizer: nem acredito, passou.

sábado, 13 de março de 2021

44 anos

Há um ano marquei um almoço pra comemorar meu aniversário. A pandemia tava batendo na nossa porta mas ainda não fazíamos ideia do que viria pela frente. A primeira amiga que chegou no restaurante me perguntou: Pode abraçar ainda?

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Abro parênteses pra uma confissão: não sou das mais abraçadeiras não. Se puder chegar naqueles eventos com muita gente e dar um oi geral vou ficar mais tranquila. Talvez soe antipático, mas tenho um lado não tão expansiva quanto as vezes possa parecer ser. Mas no meio dessa confissão abro uma exceção: o dia do meu aniversário. Esse foge a regra. Nesse dia adoro festa, seja íntima ou daquelas que tu não consegue parar pra falar com ninguém de tanto que serelepeia de um lado pro outro, mas na chegada do convidado independente do tamanho da comemoração ganha o melhor dos presentes: aquele abraço!
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Voltamos pra 2020. Minha resposta obviamente foi "É claro que sim!". E que saudade daqueles abraços! Claro que alguns poucos até aconteceram no último ano, mas sempre com um pouco de receio, com muito cuidado, não aquele demorado e apertado que aumenta instantaneamente a produção de ocitocina da gente, sabe?
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Hoje ganhei o abraço dos meus maiores amores. E vai ter festa! Ah vai! Vão ser apenas 5 convidados além de mim, inclusas aqui as cuscas na contagem. Mas a pedido do Lucas até temática a festa vai ser. Vai ter bolo, docinho, salgadinho, vai ter decoração feita a mão. Uma delas foi uma espécie de quadro negro que fiz onde deixei um espaço pra colocar o que eu desejo. Já desejei tanta coisa que a lista a princípio pareceu pequena. Vida. Saúde. Amigos. Amor. Paz. Abraços. E foi relendo ela que eu me dei conta do tamanho do meu desejo!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Super Musical

 Vesti eles pela manhã e anunciei:

- Então tá, hoje o Lucas vai ser o Super Homem e a Mel a Mulher Maravilha.

- Na verdade, mamãe, eu sou o Super Musical e meu super poder é a música!

E não tem kriptonita que acabe com esse poder.

domingo, 17 de janeiro de 2021

Receita

Como fazer pão enquanto os filhos brincam com massinha:

1 colher de... Melissa, não joga no chão!

2 colheres de... Lucas, não tira a forminha dela!

170gr de... Não misturem essas massas!

1 xícara de... Ah, tá uma delícia essa tapioca de massinha, Lucas!

2 xícaras de... Tá, a mãe já comeu tapioca suficiente.

8 colheres de... Guilherme, eu tava contando!

Misture tudo é torça pra dar certo.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

48 horas

Fiz um pedido de Natal inusitado nesse ano que passou. Preciso de um celular novo, de panelas novas, quero muito uma composteira. Mas pedi 48hs pro meu marido. 48hs sem filhos, sem marido, sem cuscas, sem louça, sem  arrumar cama, sem trocar fralda, sem limpar xixi na sacada, sem brincar, sem desenhar, sem cozinhar, sem insistir pra comer, sem dar banho, sem fazer dormir, sem lavar, sem estender, sem guardar, sem juntar, sem arrumar, sem levar pra passear, sem juntar cocô, sem juntar brinquedos. Sem Bita, sem Patrulha, sem Popó, sem Mickey, sem Blaze, sem Globo News. Sem pedir pra colocar fora a caixa de leite que ficou em cima da pia, sem recolher copos, nem roupas. Ganhei de brinde 48hs sem internet, porque não pega  por lá. 48hs sem essa produção louca e desenfreada de adrenalina, endorfina e ocitocina que é ter uma família linda e completa. Vão ser também minhas primeiras 48hs sem ouvir nenhuma vez a palavra mamãe, aquela que ouvi pela primeira vez há uns 3 anos e meio e que desde então é a palavra que ouço inúmeras repetidas e incontáveis vezes diariamente. E é tão maravilhoso e eu quis tanto que... vai ser bom sentir falta de ouvir! 48hs minhas. Me belisca.

Observação pós retiro: Se eu senti saudade? Senti. Tanta quanto eu estava de ser só Kelen por um tempinho que fosse. A maternidade nos transforma totalmente, mas acho que seremos mães muito melhores se conseguirmos cultivar a essência do que éramos antes disso.