Tenho procurado na minha criança muito do que explica a adulta que me tornei, e está incrivelmente quase tudo lá. A parte boa e a parte ruim. As minhas coragens e os meus medos. As minhas vontades e os meus segredos. Meus sonhos e pesadelos. Costumam dizer que precisamos manter a nossa criança viva dentro da gente. A frase soa linda, como se a nossa infância trouxesse pra nossa vida apenas o lúdico, o colorido e o feliz ou a capacidade de imaginar, inventar e sonhar. Como se a nossa criança não carregasse também todo um outro lado de lembranças ruins, traumas e assombros que fizeram parte desta mesma infância. Acho que o maior problema de nós adultos, é acabarmos carregando muito mais da segunda parte do que da primeira.
Meu desejo diário é que meus medos não me travem, que minhas vontades sigam me movendo, que meus sonhos não se percam. Que eu use a energia daquela guriazinha, que eu nunca perdi, pra reacender cada vez que a vida me apagar. Que eu mantenha a minha emoção, mas que nunca deixe ela me cegar. Que eu use a minha mente aberta pra cada vez mais entender, aceitar e curar as feridas dessa criança que eu fui. E que assim eu consiga carregar a melhor parte dela pra sempre em mim.