Mostrando postagens com marcador família. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador família. Mostrar todas as postagens

sábado, 18 de outubro de 2025

Quem escolhe deixa

 Há uns 30 anos, tive um professor que me ensinou: quem escolhe, deixa. E taí uma coisa que não sei fazer: escolher! Qual prato do cardápio, qual sobremesa do buffet, qual série no Netflix, qual dos eventos marcados no mesmo dia (quem sabe uma passadinha em todos?), imagina as decisões importantes então? E tudo isso por medo de escolher errado e deixar o certo de lado. 

Hoje era dia de escolha.

Cansada do sábado (e da semana, e do mês, e muito provavelmente do ano), com ingressos comprados pra um show infantil, não sabia se mantinha a programação combinada com as crianças, ou desperdiçava ingressos, tomava um energético e ia pra Gramado comemorar o aniversário da minha mãe, bem mais importante afinal. Mas aí para, pensa na estrada, no dinheiro gasto, na expectativa das crianças, sai pra correr, sofre, compra presente, lembra que tá exausta, vai buscar as crianças que dormiram fora, nem tira a roupa da corrida, mas pega o presente. Decisões contraditórias da maluca da indecisão. Pois então tive a ousadia de entregar na mão da Mel a escolha.

- E aí Mel, o que a gente faz?

A primeira resposta foi aquela esperada: eu queria fazer as duas coisas! Bem vinda ao meu mundo, Mel! Conversa daqui, analisa dali, com o carro parado, virei pra trás e insisti:

- O que a gente faz?

Eis que então ela começa a chorar e grita:

- Eu não consigo escolher, mamãe!

Ah, meu amor, me perdoa. Eu te entendo tão, mas tão bem. Quem escolhe, sempre deixa. Mas acredita, nem sempre escolhe errado.

domingo, 10 de novembro de 2024

F.G. Bier, 156

Eu morei em 16 lugares diferentes, mas se eu parar e pensar na palavra casa, a da F.G Bier, 156, vai ser a primeira que vai vir na minha cabeça sempre. Ela é especial e aguça absolutamente todos os meus sentidos.

Tem cheiro da comida da mãe, de bolo da vó, de geléia de morango no fogão, do jasmim do pátio, da taipa úmida, de nó de pinho, da gasolina da Agrale, de gelo de flor.

Essa casa tem gosto de panqueca sem recheio, de brigadeiro antes de enrolar, de pão caseiro quentinho, de mate doce com casquinha de laranja, de gemada com banana, de peru assado no Natal e de churrasco no domingo.

Tem o som de grama crocante da geada, dos discos do pai na vitrola, de jogo do Inter na AM, do chinelo da vó batendo no pé, de risadas altas, conversa e gritaria, choros e latidos.

Tem o toque quente da toalha saída da secadora, de lençol térmico tinindo, da manta de crochê, de roseta e raiz de árvore no pé e de grimpa e pinhão na mão.

Ela traz a visão do verde das plantas, das revoadas de morcegos ao entardecer, do dim-dim virando a esquina, da flor que só abre quando vai chover, de céu estrelado, de fogos de artifício do Natal. 

Essa casa é natureza. É camélia, roseira, bougainvillea, pinheiro, copo de leite, lírio amarelo, araucária, azaléia e hortênsia. É pé de araçá e horta de moranguinhos. É sapo, cachorro, aranha, gambá, morcego, tatu bola, minhoca, tico-tico, formiga e bicho cabeludo. E todo mundo que viveu nessa casa, em algum momento virou bicho também.

Essa casa me remete à pessoas que já se foram, desse plano ou da minha vida. Ela me joga na minha infância e eu rolo na grama, brinco no meio da rua, deixo de ser caçula, pego a Kombi, e depois o ônibus; e num piscar de olhos sou adolescente, e pego o carro, e deixo o retrovisor no portão, e choro no quarto; e ela vira minha casa de fim de semana, e depois de férias, até passar a ser a casa dos meus pais, que em outro piscar de olhos viram avós dos meus filhos que correm pela mesma grama que eu rolei.

Essa casa conta histórias boas e histórias ruins e todas fazem parte de mim. Hoje percebo que tudo que aconteceu ali nos últimos 40 anos, remonta quem eu sou. Quem todos nós somos. E que mesmo sem ela, seguiremos sendo.


quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Folga

Desde que vim passar esse periodo no Rio, a pergunta que mais tenho recebido ultimamente tem sido disparado: "e a saudade?". A resposta sai fácil porque é uma saudade sem medida, ela é gigante, é de ter vontade de entrar na tela e encher de amassos e de beijos. Mas é uma saudade que não dói. Dá pra entender? Porque eu vejo eles todos os dias e eles parecem tão felizes. Saudosos, óbvio, mas felizes da vida! E com meu marido nota dez sendo um pai nota mil somado a uma diarista que virou a santa ajudante de todas as manhãs eles estão dando conta do recado bonito (espero que minhas plantas estejam vivas, viu?). E também porque, e não me julguem por esse trecho, tô com saudade mas numa folga que olha, puta que pariu. Atenção meus empregadores, isso não significa que eu não esteja trabalhando, tô trabalhando tipo bicho. Considerem que vocês me concederam tipo umas férias da família remuneradas, uma espécie de viagem padrão perrengue chique. A real é que não tem montagem que supere o trabalho que é ter uma casa cheia de seres, não tem BO mais difícil que cuidar de uma família, não tem cansaço maior do que um dia inteirinho com um marido, dois filhos e dois cachorros e ainda por cima o tal do trabalho! Desculpa, eu amo vocês, viu marido? Mais que tudo na minha vida todinha, mas dá um trabalho da porra e depois desses dez dias sozinho tenho certeza que ele assina embaixo! Dá tanto trabalho que me vejo volta e meia num não saber o que fazer com o tanto de tempo que eu tenho por aqui mesmo depois de trabalhar oito horas. Dia desses num desses stories, minha irmã fez a tal pergunta. Eu respondi explicando tudo isso e ela resumiu melhor que eu: "eu te entendo, é uma paz com remorso, né?". Ô se é.

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Domingo no parque

Vamos pro parque? Põe o tênis, Lucas. Ele não quer ir. Pegou as águas? Quer ir de triciclo? Aqui do lado? Sobe, Mel. Vamos, Lucas? Pega a mochila. Pegou a chave? Cadê a máscara. Senta, Mel. Lucas, faz favor? Desliga a TV. Melissa, pára. Tchau, Lucas. Põe o óculos. Anda Guilherme, entra. Passo por cima? Deixem o pai de vocês entrar! Eu quero apertar. A mãe aperta. Eu que queria apertar. Não tem como, Lucas. Desce. Dá a mão. Não quero mais o óculos. Chega no parque. Quadras ocupadas. Quero brincar aqui. Não dá, vamos no Parcão. Eu quero colo. Ah, o triciclo... Vai indo, vou buscar o troço do carrinho em casa. E a carteira! Volta. Encontra o trio. Pararam? Lucas não quer ir. Com quem tu vai pra casa então, Lucas? Eu quero ir sim. Então chega de choro. Agora tu, Melissa? "Cê! Cê!". Já vai descer. Vou indo com ela, leva o carrinho. Lá vai ela lomba abaixo. Lá vem ele feliz. Cada um prum lado. Brincam. Caem. Levantam. Correm. Cadê a Melissa? Olha a bolha! Compra bolha. Olha a bola! Compra a bola. Santa carteira. Peço almoço? Pede almoço. Brinca no líquido da bolha. Aí não, Melissa. Deixa, Guilherme. Busca água. Lambuza tudo. Lava de mangueira. Chega, Mel. Toma o chimarrão. Ela tá virando tudo. Deixa virar. Come morango. Senta, Lucas. Chega, Lucas. Vem na garupa. Não, Mel. Desce, Lucas. Que tu quer, Mel? Calma, Lucas. Aí não, Mel. Volta, Lucas. As pessoas olhando. Não tem filhos? Quer ajudar? Vai na frente. Chega, Melissa. Vai no colo sim. Entra, Lucas. Cachorras latem. Calem a boca. Deixa as cachorras, Guilherme. Vem pro banho, Lucas. Calma, Melissa. O papai disse que a cabeça dele tá doendo, mamãe. Entra, Lucas. Já vai, Mel. Não quero lavar o cabelo. Vai lavar sim. Vamos, Mel. Já volto Lucas. Pega o nenê. Tira ele, Guilherme? "Mamá!". Vamos pegar. Ouve a voz do pai dizendo que não é hora de mamá. Foda-se a hora. Pega teu mamá. Olha a Tainá! "Telas só depois do blá blá blá". Te veste! Fica pelado então. Põe pelo menos a cueca. Interfone. Cachorras latem. Marido rosna. Chegou o almoço. Busca. Toma uma polenta. A Pulga pegou. Toma outra polenta. Lucas veste a cueca. Mel brinca. Marido se acalma. Eu também. Vou fazer minha limonada. Onde eu tava com a cabeça quando prometi não beber até o fim do ano? Meu mundo por um balde de caipirinha. O quê? Ainda é uma hora da tarde??? Socorro.

terça-feira, 21 de abril de 2020

Personagens

Lucas alterna constantemente a incorporação de personagens aqui em casa e a gente vai acompanhando ele na brincadeira, até dizemos que vamos sair desse período com crise de identidade. Se o momento é Backardigans, ele é o Pablo, eu sou a Uniqua, papai é o Tyrone e a mana é a Tasha. Quando a Patrulha entra em ação ele é o Ryder, eu sou a Skye o papai é o Chase e a mana é a gatinha Cali. PJmasks? Ele é o Menino Gato, eu sou a Corujita e a mana e o papai são os vilões Romeu e Garota Lunar. Pois recentemente, numa fase Casa do Mickey, vieram os melhores personagens:
- Mamãe, eu sou o Mickey e você é a Minnie, tá?
- Tá certo! E o papai, meu amor?
- O papai é o Pateta!

(depois a gente resolve o complexo de Edipo, agora a gente só da aquela risadinha da cara do pai)

sábado, 18 de abril de 2020

Divisão de tarefas

Desde o dia em que a Melissa nasceu, temos um trato aqui em casa: se o Lucas acorda a noite, o Guilherme atende; se a a Mel acorda quem atende sou eu. Mas é claro que eu acordo com o Lucas, com a Melissa, com a Pulga, com a Panqueca e com o mosquito que passa lá na esquina. Guilherme dorme que nem uma pedra e se acordar volta a dormir como se nem tivesse aberto os olhos. Pois essa noite a Mel pediu pra mamar duas vezes e lá estava eu segundos depois de ouvir ela chamar. Lá pelas sete e meia o Lucas entrou no nosso quarto e foi direto no pai dele, até ele sabe a regra. Eu escutei, mas fiquei ali, só me fingindo de morta.
- Papai.
- Oi Lucas.
- Ô papai.
- Não quer dormir mais um pouquinho? Vem aqui.
(maldito, não é essa a combinação!)
- Não quero papai.
(sigo me fingindo de morta mas já querendo matar o marido que já deveria estar de pé saltitante e sorridente brincando com ele lá na sala e me deixando dormir)
- Só mais um pouquinho, não quer mesmo?
(sério, pensa em raiva...)
- Papai, eu só acordei pra te acordar e você não tá acordando!
(fiquei com tanta pena da criança que saltei da cama bufando, mas amanhã eu não levanto pra nada, nem que acabe a quarentena!)

terça-feira, 14 de abril de 2020

O bichinho Voador

Eu adoro brincar na rua
No parque, na piscina e na pracinha
Visitar meus amigos e primos
E, é claro, ir na minha escolinha.
Um dia minha mãe me disse
Que teríamos que ficar em casa
Um bichinho está solto nas ruas
E viaja por tudo, mesmo sem ter asas.
O tal bichinho se chama Coronavírus
E ele pode estar em qualquer lugar
Ela me pediu pra lavar bem as mãos
E cuidar ao tossir e espirrar.
Papai me contou que o vírus é danado
E gosta de pegar vovós e vovôs
Por isso estamos cuidando deles de um jeito diferente
Sem visita, sem abraços, só podemos dar um alô!
Agora que não posso ir lá fora
Nossa casa virou pura diversão
Brincamos, cantamos e pulamos
Fazemos bolo, vemos desenho e acreditem, também faço lição!
Nem sempre é fácil passar por tudo isso
Às vezes eu grito, esperneio, choro
Amo estar com a minha família
Mas o mundo não era bem maior que o lugar onde eu moro?
Tenho saudade de muita gente
Que tenho visto só no celular
Mas eu sei que daqui a pouquinho
Tudo isso vai passar.
Quero correr pelas calçadas
Ver meus amigos dando gargalhadas!
Tomar sorvete, ir na escola
Ir no parque e jogar bola.
Deitar na grama, fechar os olhos e sorrir
Agradecer por estar aqui.
Ah... quando esse dia chegar!
Vou abraçar todo mundo com muito amor!
Estou esperando ansioso
Até lá, se cuidem todos, por favor!
(de Kelen para Lucas, abril 2020)


sexta-feira, 10 de abril de 2020

Coelhinho da Páscoa que trazes pra mim

Terminamos nosso almoço de Páscoa, aviso as crianças:
- Nós já vamos dormir, só deixa a mamãe terminar o trio de delícias aqui: vinho, chocolate e café.
Lucas rapidamente responde:
- Mamãe, já comi meu chocolate, agora quero o vinho então.
Pobre criança entediada. Quase dei!

terça-feira, 24 de março de 2020

Quarentena, dia 10

Lucas acorda cedinho, sobe na nossa cama e me encontra sozinha.
- Tu tá dormindo, mamãe? Cadê o papai?
- Tá trabalhando na sala, meu amor.
- Por que o papai não tá trabalhando no trabalho dele?
- Porque a gente precisa ficar em casa, lembra? Vem cá, deixa eu te dar um beijo.
- Para mamãe, beijo dá tosse.
E assim começa nosso décimo dia em casa.

segunda-feira, 2 de março de 2020

Quero colo

Fim do dia, aquele último abraço antes de dormir.
- Me dá um colo, Lucas?
- Mas eu não sou adulto, mamãe!
- Ah, tá bom então.
Passa um tempinho e ele acha a solução.
- Mamãe, depois eu vou ser adulto!
- Bem depois tu vai ser sim, meu amor!
- E tu criança! Aí eu vou poder te dar colo!
Quisera eu que toda frustração tivesse a solução vinda da imaginação de uma criança!

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Sobre filhos

Desde o dia que um filho nasce, uma das frases que mais ouvimos é “cada criança tem seu tempo”. E assim teu filho vai crescendo e tu vai observando como isso acontece com ele.
Mas mesmo com seu próprio tempo, os marcos do desenvolvimento, definidos na pediatria, tem suas faixas aceitáveis. E fora esses marcos, existem ainda os marcos comparativos com outras crianças, inevitáveis especialmente em tempos de redes sociais.
Pois o Lucas decidiu fazer tudo um pouco depois. Firmar a cabeça, rolar, sentar, engatinhar, ficar em pé, e por último - e nada menos importante - caminhar. Tudo acompanhado de perto por pediatras, da família e de fora dela, que nos garantiam aquilo que nossos olhos leigos viam: tá tudo absolutamente normal, é só o tempo dele. Perdi as contas de quantas vezes ouvi estranhos (ou amigos) comentando: ah, ele é dos preguiçosos. E entre ter algum problema e ser preguiçoso, a segunda opção sempre me pareceu muito melhor.
Mesmo com a probabilidade de não ser nada mais grave, foram meses de fisioterapia (onde me deparar com crianças com os mais diversos e sérios problemas me deixava com o coração apertado) e visitas a diversos “istas” da medicina pra que eu garantisse que a opção “problema” estivesse descartada. Visitas quase sempre acompanhadas de diversos exames e infindáveis (e enlouquecedoras) pesquisas no doutor Google. Sempre acompanhadas de noites de insônia pensando o que havia de errado com ele ou ainda o que eu havia feito de errado. Sempre acompanhadas de olhares atravessados para o fato dele não caminhar. E sempre acompanhadas de histories no Instagram mostrando mais um bebê de algum amigo dando seus primeiros passos, às vezes com quase um ano menos que ele, o que só fazia a angústia aumentar.
Até que um belo dia o diagnóstico chegou. Ele não incluía a palavra preguiçoso, mas também não incluía palavras que tanto me tiraram o sono como “degenarativo” ou “incurável”. Pelo contrário, incluía a palavra “benigna” que por si só já era um bálsamo. Poderia praticamente substituir todas as palavras e explicações do médico por “é só o tempo dele”.
Obviamente foi depois da saga pelos campos da medicina (e da Internet) que o Lucas decidiu dar os primeiros passos sozinho. Com 1 ano, 10 meses e 10 dias, quase nos matando de emoção apesar de termos disfarçado como se fosse a coisa menos esperada dos últimos meses, saiu do sofá e veio em minha direção no melhor abraço que ganhei em toda minha vida.
Provavelmente uma das outras frases que mais ouvimos depois que um filho nasce é “aproveita, passa muito rápido”. Pois então, resolvi fazer desse limão uma limonada: tive meu bebê por muito mais tempo.
Feliz dia das crianças. Esses serzinhos mágicos que nos ensinam a cada dia como ser uma pessoa melhor.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Férias (?)

O Lucas fez um ano e meio em maio e conseguimos pela primeira vez tirar uns diazinhos de férias com ele. Fiz algumas constatações depois dessa semana.
Ranho e tosse não tiram férias.
A hora de acordar do bebê não muda com as férias. Quer dizer, às vezes muda, passa a ser ainda mais cedo.
Falo de igual para igual com crianças de 5 anos que se metam a besta com o Lucas. E com os pais delas se precisar. Cresci com limites mesmo reclamando deles, mas tenho certeza que eles foram úteis e me tornaram uma pessoa que sabe até onde pode ir. Crianças que acham que podem tudo com cinco, vão achar que podem tudo pra sempre.
Existem pessoas que não se comovem com um alemãozinho lindo abanando e falando “Au” (a versão dele de Tchau) incansavelmente. Não piscam, não abananam, não movem um canto de lábio. Tenho vontade de socar essas pessoas.
As mesas do restaurante são sempre um mar de tablets e celulares. Não vou me fazer de louca; a Galinha Pintadinha, a Pepa e os Backardigans me deixam fazer muitas coisas. Mas, putz, não na mesa! Mesa é lugar de comer, de conviver com os pais! Sigo firme acreditando nos “aplicativos” brócolis e pão de queijo!
O hotel conta com uma área de jantar exclusiva para adultos. Respeito a decisão do hotel e dos adultos. Ao me servir no buffet observei a área. Só vi silêncio. E mais celulares ainda do que nas mesas com crianças. A área com crianças tem muito mais vida. Uma vida bem mais bagunçada, é verdade, mas muito mais feliz.
Descobri que, pelo menos por enquanto, não tiraremos mais férias pra descansar exatamente, mas sim pra ficarmos mais tempo juntos. Estamos voltando felizes. Mas esgualepados e precisando de outras férias urgentemente!
(constatação final: ao chegar em casa e se deparar com todos os brinquedos que não via há uma semana, a criança tira energia não sei de onde pra brincar sem parar pra todo sempre e não dorme nunca mais!)

sábado, 12 de maio de 2018

Presente

- Não achei presente de dia das mães pra ti, mas podemos sair pra procurar.
- Não precisa presente. Quando o Lucas nos chamar amanhã, levanta, desaparece na sala com ele e as cuscas e me deixa dormir.
O presente mais barato e mais maravilhoso do mundo! Vão ser no máximo duas horinhas mágicas a mais de sono, mas que certamente garantirão um feliz dia das mães!

quinta-feira, 29 de março de 2018

Feliz ano novo

Ganhei de aniversário uma daquelas sessões de massagem relaxante. Escolhi fazer ela no dia de hoje pra encerrar não só uma semana mas também um ciclo. Desliguei o telefone e tentei desligar também o cérebro enquanto ouvia músicas melancólicas instrumentais e aquela estranha massageava meu corpo. Foi bem mais fácil manter o celular desligado do que tudo que estava na minha cabeça. Aquele momento desencadeou um turbilhão de pensamentos e sentimentos e em minutos lágrimas escorriam sem esforço algum.
Nos últimos meses por duas vezes vi meu marido ficar doente, receber como diagnóstico doenças de nomes estranhos e ter que fazer exames com nomes assustadores. Por duas vezes pedi em silêncio pra que não fosse nada grave. Por duas vezes fiquei com medo de perder ele. Por duas vezes respiramos juntos aliviados depois.
Nos últimos meses por duas vezes engravidei. Por duas vezes comemoramos ainda que um pouco assustados com a novidade. Por duas vezes a gravidez interrompeu.
Nos últimos meses pensei o quanto deixamos a vida passar sem aproveitar de verdade, sem se entregar, deixando as coisas realmente importantes sempre pra depois. O quanto não nos damos conta que o tempo está voando e que estamos envelhecendo ainda que a gente siga se sentindo eternamente jovens.
Não quer casar não case. Mas se envolva, se permita, ame, se divirta, viaje, ria. A um, a dois, a três, a quantos quiser.
Não quer ter filhos não tenha, mas se quiser, não fique esperando a hora certa, ela não existe. Tente, investigue, congele, ache um parceiro, faça sozinha, faça o que precisar fazer enquanto há tempo. Só não fique esperando a banda passar. Nem sempre ela canta coisas de amor.
E entre risadas do Lucas, latidos das cuscas e móveis que não cabem nos espaços, a gente segue a vida de cabeça erguida porque ela é muito curta pra não ser assim.
Por isso tudo que esse ano vou ressignificar a Páscoa. Ela vai ser aquele momento de recomeçar e acreditar que daqui pra frente tudo vai ficar melhor.
Feliz ano novo!

quarta-feira, 28 de março de 2018

O golpe

- E aí pai, golpe do sequestro então é? E quanto eu tava valendo?
- Nem chegaram a dizer, colocaram uma mulher chorando e me chamando de pai e logo pegaram o telefone.
- E aí?
- Disseram que estavam com a minha filha e eu falei: a Kelen?
[nota da autora: não que eu seja a preferida, mas seria mais fácil eu ser sequestrada em POA do que minha irmã em Gramado]
- Eles disseram que sim e começaram a repetir “Nós vamos matar ela! Nós vamos matar ela!”. Fiquei meio assustado, mas me dei conta que devia ser trote, só disse “Façam o que vocês quiserem”, não falei mais nada e eles desligaram. Pior foi desligar o telefone, ligar correndo pro Guilherme e ele me dizer que tu tinha ido no banco!
Seguindo a semana do orgulho na família, hoje o prêmio vai pro meu pai, Dr. Nelsinho, que não caiu no golpe do sequestro da filha!

sábado, 7 de outubro de 2017

A cama dos pais

Tem aqueles pais, meio constrangidos, que dizem:
- É.... aí ele foi pra nossa cama de manhã e dormimos até às dez...
Ou aqueles pais, praticamente orgulhosos, que contam:
- Bah! Ele foi pra nossa cama de manhã e dormimos até às dez!!!
Orgulhosa ou constrangida, adoraria poder dizer o mesmo, mas por aqui a gente só consegue falar:
- Pois então. Ele foi pra nossa cama de manhã, virou uma enguia elétrica e ninguém mais dormiu.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Trago verdades

Ser mãe é passar a tarde fazendo comidinhas pros próximos dias pro filho mas não ter nada pra jantar com o marido!

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Parceria

No quarto, estou quase obtendo êxito em fazer o Lucas, que desperta com qualquer ruído, dormir. No mesmo instante, na sala ao lado, o pai dele decide despejar um punhado de moedas num cofrinho metálico.
Parceria é a chave do sucesso na vida de um casal com filho!

sábado, 21 de janeiro de 2017

Conhecendo Porto Alegre

Na primeira vez do Lucas na Tok Stok, Guilherme falou pra ele:
- Vamos conhecer o lugar preferido da mamãe!
Na primeira vez do Lucas no Zaffari Higienópolis:
- Vamos conhecer o segundo lugar preferido da mamãe!
Na primeira vez do Lucas no Barranco:
- Vamos conhecer o terceiro lugar preferido da mamãe!
Na primeira vez do Lucas no Ocidente:
- Vamos conhecer o lugar onde o papai pegava as mina!
Isso. E mamãe era uma santa e só ia no Ocidente almoçar!

sábado, 15 de agosto de 2015

Lava roupa todo dia, que agonia

Minha casa em Gramado tem uma peculiaridade: ela possui duas lavanderias. E quatro tanques. Não, minha mãe não lava roupa para fora, mas deveria. Duvido que alguém no mundo lave roupas tão bem quanto ela (e suas discípulas), nem mesmo outras mães, acreditem. As toalhas são as mais macias, os lençóis os mais suaves, os encardidos não existem, as manchas não tem vez.
Infelizmente troquei as lavanderias dela  pela minha máquina lava e seca desde o tempo em que deixei de ir a Gramado todos os finais de semana. E minhas roupas lamentam até hoje esta troca.
Mas a fama da minha mãe não deixou de ser divulgada entre as minhas amigas. Dia desses, recebi um whats app de uma delas:

- Kelen, preciso tirar uma mancha de sangue, pede pra tua mãe o que fazer?

Whats app pra Dona Luiza que faz uma série de perguntas:

- O sangue está seco? Ou é recente? Qual a cor da roupa? E que tecido?

Repasso as perguntas, replico as respostas e aguardo pacienciosamente, certa de uma receita infalível, cheia de etapas e processos minuciosos e milagrosos. E eis que  leio na minha tela, rápida e rasteira:

- Vanish.

Não pude acreditar naquilo. Nem a minha amiga. Como assim tão somente e apenas Vanish? Confesso, foi uma das maiores decepções da minha vida.
Mas garanto pra vocês: eu não devo nem mesmo saber usar um simples Vanish como ela.