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sexta-feira, 13 de março de 2020

Quarenta e três

Essa noite tive insônia. Era um misto de cabeça fervilhando em projetos, cansaço do dia, overdose de notícias e calor. Faltava pouco pra meia noite e decidi agradecer pelos 42 anos que vivi até aqui. Pensei no marido do meu lado, nos pequenos que acabara de beijar nos seus quartos, nas cuscas agitadas pela casa, na família, nos amigos e suspirei sorrindo: é isso o meu maior presente. Quando me dei conta, o Gonzaguinha estava cantarolando no meio dos meus pensamentos. "Eu sei, que a vida podia ser bem melhor (e será)". Que brega, Kelen, pensei comigo mesma. Mas me dei conta que ele canta justamente aquele pensamento que tenho tido repetidamente, de que chega uma hora que precisamos parar de querer sempre mais e agradecermos o quanto já temos e nos darmos conta o quão maravilhoso é. Que venham os 43. E se tiver como ser ainda melhor, que assim seja!
Obs: confesso que o Paulo Ricardo também insistiu em cantar no meu ouvido o seu "olhar 43", mas não renderia tanta filosofia.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Vontades

Ontem o filho de uma parceira de trabalho, de vinte e poucos anos, me contou que vai morar em Praga por dois meses fazendo um trabalho voluntário em escolas públicas de lá.
Me deu vontade de ir pra Praga.
E de fazer um trabalho voluntário. 
E de ter vinte e poucos anos.
(não necessariamente nesta ordem)
Ou de fazer isso mesmo com trinta e tantos.

sábado, 30 de agosto de 2014

Placa identificadora

Dada a variabilidade genética entre os humanos, poderíamos vir com placas identificadoras como aquelas encontradas em parques, sobre a fauna local.
"Kelen, também conhecida como Kelis, Kelly ou Kerlen, da família Tomazelli, originária da Itália. Mamífera e carnívora, bem adaptada a climas quentes, possui hábitos diurnos. De natureza arisca, pode ficar agressiva quando ameaçada, com fome ou com sono."
Seria um bem para preservacão dos relacionamentos entre os diferentes sexos da espécie.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Away

Ando ausente.
Mas hoje, depois de reler um e-mail escrito por mim mesma, consegui achar alguma explicação (?) para isso.

"Via blog, via Facebook, ou via falecido Orkut, vi várias vezes pessoas conhecidas, pouco conhecidas ou totais desconhecidas se aproximarem de mim gostando do que viam, ou melhor, do que liam na minha vida virtual, ou seja, se encantando com uma personagem. Enquanto isso, via paralelamente a isso, essa mesma personagem afastando pessoas da sua vida real de alguma maneira que eu estou incansavelmente tentando descobrir qual é para não voltar a repetir. Acho que nunca quis tanto aprender algo na vida quanto ando querendo aprender a lidar com as pessoas, e me incluo nelas. Porque eu ando mais do que tudo, querendo aprender a lidar comigo."

Ando ausente. Mas nunca me senti tão presente.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Não se reprima

"Este é um blog feito por mulheres assumidamente livres. Mulheres que até muito pouco tempo brigavam consigo mesmas, com a balança, com o espelho, com o mundo. Mas que decidiram assumir uma atitude positiva diante da vida. Não são mulheres perfeitas. Longe disso. São mulheres comuns, como eu e você. Mas que não deixam de fazer tudo aquilo que sentem vontade. Elas pulam, gritam, dançam. Elas não se reprimem."

A pedido de uma amiga eu não me reprimi e postei lá.


Saindo do armário

Parece piada, mas já fiz regime de engorde. Seguia um rígido cardápio de muitas calorias pra tentar tirar aquela forma de tábua que me fazia parecer um gurizinho. E meu corpo não queria saber de mudar. Virei uma adolescente com pouco peito, nada de cintura, e nenhuma satisfação.
Não tive nem tempo de entender que aquele seria o meu corpo e que teria que me acostumar com isso, quando 12 quilos chegaram sem aviso prévio. Do dia pra noite, o gurizinho virou uma gordinha, que continuava odiando o que via no espelho. E de gordinha a mulher-ioiô, foi um pulo.Deve ter sido nessa época, que acumulei em uma pasta centenas de dietas. E destas centenas, fiz dezenas. E fazendo elas, emagreci. E engordei. Dezenas de vezes, por mais ou menos uma dezena de anos.Os anos passaram, o metabolismo mudou, ganhei uma gastrite. E uma úlcera. Tomei alguns pés na bunda, mudei hábitos, comecei a correr, parei de me pesar. E a soma disso tudo fez com que eu estacionasse finalmente o ponteiro da balança. Nesse mesmo momento, cansei. Cansei de ser eternamente insatisfeita e decidi gostar daquilo que via no espelho.Odeio ter peito pequeno, detesto ter nariz grande, conheço cada furo de celulite da minha bunda, definitivamente nunca vou ter a barriga dos meus sonhos, muito menos curvas de violão. Mas mesmo assim corro de biquíni na praia pra buscar a bolinha de frescobol, sem canga. E saio da cama com a luz do dia batendo em mim, sem roupa. E ando por aí com um sorriso no rosto, sem vergonha.Hoje sequer sei quanto peso e isso é um peso a menos pra mim.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Kelen GT 3.2

Modelo 2009. Completa somente com itens de fábrica.
Novo design com muito mais potência no motor.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Já falei aqui sobre primeira vez?

Há pouco mais de meio ano, comecei mais uma vez a correr. Mais uma vez porque - como quase tudo que já comecei até hoje (e a lista não é pequena) -comecei e parei de correr mais de vinte vezes. Desta vez estipulei uma meta: correr minha primeira rústica. E por seis meses, dia sim, dia também, com raras exceções, corri; de manhã ou de noite, abaixo de sol ou de chuva, de frio ou de calor. Domingo, friozinho considerável na beira do Guaíba, pernas de fora e congelando desde as seis e meia da manhã, tive a verdadeira noção do que é participar de uma coisa dessas. E é bom demais. Daquelas coisas boas que chegam a dar frio na barriga. Lembrei que ainda esses dias, comentava como eu estava ansiosa ao que me responderam: "mas é só uma corrida!". Como explicar o que significava aquela corrida pra mim? Explicar o que eu passei no último meio ano e o quanto essa coisa de correr me ajudou a superar, esquecer e levantar? Era muito mais do que a corrida. Ela fechava um ciclo, preenchia uma lacuna, correspondia a uma etapa percorrida. Tanta coisa cruzou junto comigo aquela linha de chegada, que só isso explica de onde tirei forças pra correr tão rápido aqueles últimos 100 metros.

58 2260 KELEN GIORDANI TOMAZELLI F 00:55:27 10,821 PETISKEIRA

sábado, 19 de abril de 2008

Ansiosa

do lat. anxiosu

adj. f. s.

que tem ânsias;
aflita;
impaciente;
desassossegada;
alvoroçada;
desejosa;

com inquietação de espírito;

Assim?
Eu?
Imagina...


sábado, 15 de março de 2008

Donna

Assisti a um vídeo que gravei para o Donna e cheguei a algumas conclusões:

- eu falo numa velocidade ininteligível e insuportável.
- eu tenho um sotaque portoalegrês que eu não sei de onde saiu.
- eu vou ser demitida no momento que as minhas chefes lerem o meu nome e o do escritório não.

domingo, 25 de novembro de 2007

Segue o baile

E então, naquela noite chuvosa, ela consegue sair pra dançar.
.:.
Fim de festa, pés doendo, maquiagem derretida, voz rouca, mas alma lavada por ter cumprido a missão de dançar até cansar. Já na porta, bem longe da área da repescagem, o indivíduo bêbado e pegajoso se aproxima:

- Nossa, tu é muito linda, posso falar contigo?
- A essa hora já não é uma boa ideia.
- Como é teu nome?
- Kelen.
- Karen, olha só, então saímos amanhã.
- É Kelen e desculpa, mas a gente não vai sair não.
- Então me dá teu telefone que eu te ligo.
- Não, não, dou não.
- Teu MSN então?
- Não uso.
- Então eu te dou meu telefone e tu me liga.
- Olha só, sério, eu não vou te ligar.
- Mas qual é o teu problema?
- Meu? Nenhum, tô aqui na minha, indo embora, só isso.
- Tu é sapata?
- Hã?
- Sério, tu é sapata?
- Não meu querido, não sou.
- Então gosta de pica, tem certeza disso?

E nesse momento ele conheceu o que ela tem de mais poderoso: o olhar. E esse olhar disse as coisas mais horríveis desse mundo mesmo sem ela abrir a boca e teve o poder de fazer ele finalmente desaparecer.
.:.
E então, naquela noite chuvosa, ela voltou para casa.
Com fama de sapata por querer apenas dançar.

sábado, 6 de outubro de 2007

Mundo Google

E então tu vai lá na busca e digita k-e-l-e-n. E nesse baita Googlezão, eu sou a primeiríssima coisa a aparecer. Não é lindo? Passei na frente até da Kelen Franco, cantora gospel e ilustre desconhecida minha.

Nos trinta
escrito por Kelen às 04:52 . Sobre: sobre coisa nenhuma ... Kelen: Porto Alegre, RS, Brazil. Visualizar meu perfil completo ...kelengt.blogspot.com/ - 83k - Em cache - Páginas Semelhantes

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Perdas e danos

"Toda escolha é uma perda".

Difícil é escolher o que eu prefiro perder.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Excesso de não-me-toque

Não. Vou mudar o título para excesso de sentimentalidade. É mais bonito. E acho que também mais real.
Uma pessoa que, mesmo que tu ame, em segundos é capaz de te fazer odiá-la. Que é capaz de dar a maior gargalhada do mundo e conseguir gritar de raiva na mesma proporção. Que chora pra demonstrar o que está sentindo. Seja este sentimento tristeza, ódio ou felicidade. Lê tudo nas linhas, mas lê ainda melhor as entrelinhas. Sabe ser a melhor amiga que se pode ter, seja pela doçura ou amargura das suas palavras. Não tem medidas exatas para o que diz ou para o que faz, o que pode ser ótimo na cozinha mas nem sempre fora dela.
Eu sou assim, feliz e infelizmente. E quem me tem como amiga de verdade, sabe a benção e o karma que isso representa na vida de cada um.

domingo, 24 de junho de 2007

Versão Chispita

Tinha uma época que a gente ia a festas a fantasia fantasiada de pirata, de cowboy, de colegial e tudo isso era muito divertido.
Foi-se o tempo. Hoje em dia pra pirata ter graça, só se a fantasia for de Jack Sparrow. Cowboy se estiver encarnando o Woody. E colegial, bom, nem essa se escapa de explicação.

- De que tu tá fantasiada?
- (???) Colegial?
- Mas é quem, a Chispita?
- Na verdade a saia tava sendo vendida na onda dos Rebeldes.
- Ah, mas aí tua gravata tinha que estar mais solta.
- Ah sim, e o cabelo mais fashion, e a camisa mais aberta, e os peitões salientes e a barriguinha de fora. Aí vi que não ia conseguir chegar aos pés das Rebeldes e vim de colegial mesmo.

Tava tão mais legal em casa com meu namorado achando que eu tava a coisa mais bonitinha!

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é

Quando eu era mais nova (bem mais nova), lá pela quarta ou quinta-série, sentia muita inveja de algumas coleguinhas do colégio. Elas tinham os cabelos impecavelmente lisos e graciosamente presos por uma tiara, acho que nunca ficavam gripadas, pelo menos nuca ouvi elas sequer espirrarem. Os livros delas não tinham orelhas e os cadernos pareciam todos de caligrafia. A impressão que eu tinha é que nem a borracha fazia farelo na mesa delas. Eu olhava praquilo e ficava triste. Nunca consegui apagar uma palavra escrita errada sem amassar ou rasgar uma folha ou então gerar um borrão, minha letra nunca foi digna de algum elogio, meu cabelo já não colaborava embora eu tentasse (em vão) domar ele com um bucle e a impressão que eu tenho é que eu vivia fungando, com o nariz vermelho e escorrendo.
Hoje, descendo da lotação, dei de cara com uma daquelas colegas, hoje já na versão mulher. Cada fio de cabelo dela não se moveria nem se passasse um tufão. A pele não tinha sequer um sinal, a roupa era totalmente combinada e ajustada, ela usava uma bolsa pequena e não carregava nada além de uma agenda na outra mão, impecavelmente feita. E do outro lado estava eu, igualzinha a Kelen da época do Colégio Marista. O cabelo tentou ser domado por dois tic tacs, mas decidiu não obedecer. No rosto, mais uma vez faltou o gloss na boca, a pinça na sobrancelha e sobrou a marca daquela espinha que não devia ter sido espremida. A manga da blusa de baixo teimava em aparecer, fugindo por baixo da manga da blusa de cima e a manta que deveria estar enrolada no pescoço, teimava em escapar bolsa a fora. Esta última, gigante e entreaberta, parecia carregar a casa e ainda assim a outra mão, com as unhas já desfeitas, equilibrava duas sacolas enormes e um saquinho do Mc Donalds.
Por sorte hoje o nariz não estava escorrendo, o casaco não teria bolso para o lenço de papel que estaria pendurado em uma das mãos. E quanto a letra, bom, agradeçam por eu estar digitando em um computador.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Este blog está de dieta

Casar engorda. Se essa junção acontecer junto da chegada do frio, engorda mais ainda.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Entrega das chaves

Querida nova moradora,

Talvez pareça o paraíso, simplesmente a melhor coisa do mundo fazer uma mudança para ir morar com o namorado num apartamento maior, num bairro melhor e deixar o velho apartamento alugado (e o aluguel também) para trás. Talvez realmente seja. O que não torna a saída da “Torre do Sol” uma coisa fácil.
Morei ali por 13 anos, meus porteiros literalmente me viram crescer, talvez por isso eu engasgue na hora em que me despedir deles. O porteiro da manhã, Seu Luis, é pai do porteiro da tarde, Seu Luis também. Ambos são muito prestativos, extremamente confiáveis e colorados. Seu Miguel, porteiro da noite, foi meu parceiro de muitas discussões futebolísticas e flautas, nas minhas chegadas e saídas, já que ele é gremista e tão fanático quanto eu. Esse mesmo Seu Miguel acompanhou várias chegadas na madrugada, grande parte delas que eu prefiro nem lembrar, ou melhor, que eu realmente mal lembro e espero que ele também não.

Uma chave reserva na portaria faz milagres e que fique registrado que eles não entregam ela nem sob tortura se a pessoa não estiver autorizada a subir.
Nunca me contrataram como arquiteta do prédio, então não me culpa pela decoração da portaria nem pelas campainhas e interruptores em dourado envelhecido de plástico espalhadas pelos corredores. E por falar em decoração, o prédio conta com um salão de festas onde tu vai poder assar muitos dos teus churrascos, desde que não se importe com as cadeiras e as toalhas de plástico, nem com as samambaias do zelador.
Vizinhos... nunca fiz amizades fora aquele oi mais sorriso, típico de elevador; e olha que tem vizinho que não acaba mais. Já inimizades... Bom, terá uma vizinha de andar com a qual tive um “pequeno” desentendimento, nada grave, já que não cheguei a jogar ela pelo décimo sexto andar. Graças a esta inimizade as pessoas não podem fumar no corredor (ponto para mim) nem tomar banho de sol no playground, vulgo PG (ponto para ela). Ela é amiga da síndica, chefe do comitê do sei lá o quê do edifício, melhor respeitar. Como eu fiz, mandando ela enfiar o cigarro imagina bem onde. Fora ela, o resto é gente fina. Muitos idosos, muitos médicos, muitos estudantes. Mas ainda bem que tu tem namorado; em 13 anos vi um único homem bonito pelos elevadores, e nem devia ser morador. Por sinal, muito cuidado: mulher bonita, vi muitas.

Quando pegar um táxi para casa, é só dizer que tu quer descer ali na Independência, entre a Coronel Vicente e a Pinto Bandeira, em frente a Santa Casa. Se for um taxista da Rodoviária ele vai querer o teu pescoço.
Se quiser dizer para qualquer homem dos seus trinta anos para cima onde é teu novo AP, basta dizer que é ali no Centro Comercial, onde ficava a Mega Force. Todos sabem!
O supermercado é mais caro, vive cheio, sempre tem coisas faltando, se está vazio só tem um caixa funcionando, mas tem um pão de queijo e uma salada de frutas sensacionais além de ficar a meio minuto de casa.
A farmácia está sempre aberta, menos quando tu mais precisa. A lojinha lá da frente vende quase tudo que tu possa imaginar, mas aguenta firme o cheiro de incenso. O cyber escondidinho lá no fundo te salva se teu computador te deixar na mão. O Tutty's é uma ótima opção de lanche ou cervejinha no final do dia, coisa que muitos residentes de medicina costumam fazer. Já eu, resolvi implicar com o filho do dono desde o dia que ele deu em cima de mim na Liquid e raras foram as vezes que pisei ali; só mesmo em casos de extrema necessidade, tipo vontade de comer chocolate depois das nove, hora que o super fecha. O safe park sempre aceita o golpe do “só vou subir ali pra pegar uma coisa e já volto”. E te confesso, já comprei na Damy Modas.
Esse foi o terceiro apartamento em que morei ali, mas foi o meu primeiro apartamento de verdade. Aquele apartamento que tu enche a boca pra dizer MEU, mesmo que não fosse meu realmente. Aquele apartamento que eu pintei da cor que eu mais gostava, comprei tudo o que eu mais queria e gastei o que eu não podia pra deixar ele com a minha cara. Tomar café da manhã na micro cozinha com o sol batendo no rosto está na lista das melhores coisas que ele oferece.
Meio que despedacei ele pra te entregar. O que não me acompanhou, de luminária a pingüim de geladeira, foi vendido, como tu sabe bem.
De qualquer jeito, cuida dele com carinho. Ele e aquele prédio todo tem muita história pra contar. E aquela vista maravilhosa, fica de presente para ti.

terça-feira, 24 de abril de 2007

Pergunte ao arquiteto

Fui convidada para responder a uma pergunta no site da Dellano e eu aceitei.

Eu e minha noiva estamos comprando nosso primeiro imóvel, um dois quartos de 68 metros quadrados. Fico na dúvida entre deixar que me entreguem o imóvel conforme o contrato ou fazer alterações em alguns pontos, como trocar a bancada da cozinha padrão por uma de melhor qualidade ou na cor que gostamos; trocar a louça do banheiro para cor ou modelo de nossa preferência, etc. A questão é: receber o padrão e depois combinar os móveis com o que já está ou fazer modificações já pensando na mobília, ainda que, de imediato, não tenhamos recursos para equipar o imóvel com o que sonhamos e da forma como idealizamos?
Marcelo Vitória Espírito Santo


Marcelo, ter em mente quanto se pretende gastar inicialmente com a obra com certeza é o ponto chave para esta definição. No entanto, na hora de colocar em uma planilha todos os gastos que estão por vir, vale a pena priorizar como gastos essenciais tudo aquilo que possa envolver obra e conseqüentemente desgaste posteriormente.
Comprar toda mobília ou mesmo equipamentos seguindo padrões e cores existentes, não é complicado, desde que esses padrões correspondam, ainda que aproximadamente, àquilo que vocês tinham em mente para o primeiro apartamento. Já tive experiência com um cliente que manteve banheiros e cozinha como estavam e reformou todo o resto; com certeza foi uma decisão econômica, mas a sensação no final da obra é de que aquelas peças não fazem parte da casa, não têm personalidade.
Mas além de pensar em questões como cores e acabamentos, deve ser pensada a funcionalidade dos espaços. O apartamento da forma como será entregue pela construtora está atendendo as suas necessidades em todos os aspectos? Por exemplo, esperas para o fogão, geladeira, posição da cuba, estão dispostas de maneira funcional? Vale lembrar que alterações como estas, se feitas posteriormente, normalmente vão envolver instalações e conseqüentemente quebração, sujeira e alteração de rotina.
O restante da casa, sejam móveis ou objetos de decoração, com certeza não tem menos importância, mas funcionam com maior independência. A base estando pronta e estando bem resolvida, permite que aos poucos sejam agregadas peças, cores e formas que vão transformando o que era apenas um apartamento em um lar.

Arq. Kelen G. Tomazelli

CREA-RS 109738

segunda-feira, 26 de março de 2007

A pedido

Entrei na loja de uma amiga no sábado retrasado, pós meu suposto fim de namoro, com um par de olheiras que não fariam inveja a ninguém. A torneira se abriu no momento em que a frase "o que houve?" foi pronunciada. Saí de lá um tempo depois, com lingeries e ânimo renovados, e com algumas idéias na cabeça. O resultado das idéias postas em prática, gerou um pedido de depoimento para o blog da loja.
Poderiam existir duas versões de depoimento: a história real, tal e qual se sucederam os fatos, ou somente a lição tirada. Fiquei com a segunda opção. A primeira, talvez uma outra hora eu conte aqui.


"Cada vez que decidimos iniciar uma dieta nos dizem a mesma coisa. Emagrecer é fácil, difícil mesmo é manter. Sabe o amor? Pra mim funciona do mesmo jeito.
Fazemos de tudo para conquistar uma pessoa. Mudamos nossa rotina, nos adaptamos a coisas que nunca imaginamos, abrimos exceções, nos transformamos, nos produzimos, nos preparamos, nos preocupamos. Existem expectativas, existe emoção, existe razão, existe um objetivo. Até que certo dia não dá outra, a pessoa cede aos nossos encantos. Ponto para nós!
Fácil? Agora é que começa a complicar.
De uma hora pra outra aquele homem perfeito, o príncipe encantado que tanto sonhamos, nosso par ideal, precisa de alguns ajustes para se ajustar a nós. E esses ajustes só virão se cobrarmos, se reclamarmos, se pressionarmos. E sem nos darmos conta quem segue se transformando somos apenas nós. A tática passa a ser pegar todas as coisas ruins que ele faz e fazer igual, para ele ver como é bom; e isso não é nada bom. Diz alguma piada antiga, que as mulheres casam pensando que o homem vai mudar mas ele não muda, enquanto os homens casam pensando que a mulher não vai mudar, mas ela muda. Piada?
De repente se torna cansativo demais sair, se divertir, ser parceira, quando muito mais fácil do se que produzir para uma noite só com ele, é colocar aquela camiseta velha e amarrotada e ir deitar cedinho. E nessa hora ele deve se perguntar: onde foi parar a mulher por quem eu me apaixonei?
Limites, liberdades, diferenças, expectativas. Tantas palavras que precisam sempre de um acompanhamento fundamental: respeito. A falta desse conjunto todo faz vir por água a baixo qualquer conquista, por mais árdua que ela tenha sido. A falta disso tudo passa uma borracha em tudo que foi bom em um relacionamento. A falta disso tudo faz simplesmente não valer a pena. Enxergar isso, se dar conta do erro, tentar consertar, trocar a camiseta velha por uma lingerie nova, dar uma chance, pedir uma chance. Fazer o relacionamento ter sempre cara de início de namoro, aquela fase de conquistar um pouco mais a cada dia, aquela fase onde tudo é bom, aquela fase onde tudo vale a pena.
Amor precisa de tempero, precisa de um sabor novo a cada dia. Não tem receita. Está nos pequenos toques, que fazem cada um de nós ser alguém tão especial e único. E parte da receita com certeza é sempre nos sentirmos assim.
Palavras de uma especialista? Depende do ponto de vista. Sempre preferi a prática do que a teoria. E na prática amor faz parte do meu cotidiano. Amo incondicionalmente, sofro desesperadamente e posso dizer que me conheço razoavelmente. O suficiente pra ter me dado conta que eu sou sim, especial e única e quero alguém que me veja assim."