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quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Fiscais de vida alheia

Mandava um email pelo celular enquanto esperava uma amiga na frente do shopping quando uma "delas" se aproxima.  

- Ai que amor, eu também tenho uma neta mas tá longe.
- É mesmo, onde?
- Em São Paulo.
- Ah, então é pertinho.
- É, mas a mãe [nora com certeza] é mãe de primeira e só vai pegar avião depois de três meses.
- Ué, tá certa ela.
- Bobagem. No meu tempo, no meu primeiro filho, com 7 dias tava num churrasco.
- E comendo carne, imagino!
- Hahaha (Ra.). Como tu é bonitinha! E a mãe no celular.
- Não sei no teu tempo, mas nos tempos de hoje as mães trabalham.

Sim, eu sou um imã de véia metida. Acho que é tipo um algoritmo, quanto mais eu reclamo delas mais elas cruzam meu caminho.

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Comunicação não violenta

Saio e casa com uma amiga que comenta comigo:
- Coisa boa esse calorzinho, né? Não precisa enfiar um monte roupas na criança e sair!
Olho pra Melissa com um body de manga longa, uma calça atoalhada e meias e concordo sorrindo!
Me despeço da amiga já no térreo, converso com o porteiro e chamo o elevador de volta. Quando a porta se abre lá está uma delas (véia metida, pra quem não lembra):
- Boa tarde!- Nossa, mas essa criança não está com pouca roupaaaa?- (Boa tarde nem pensar, sua véia metida e mal educada?) Pouca roupa? Mas tá calor!- Caloooooor?- (se a senhora tá na menopausa eu não tenho nada a ver com isso, sua véia metida e destemperada). Claro! A temperatura está super agradável!- Tsc, essas mães modernas!- (modernas não sua véia metida e louca, mães com noção! Volta pra casa e tira esse casaco) [sorrisinho]
Os trechos entre parenteses não foram ditos, estou me esforçando na comunicação não violenta. O que não significa que em pensamento eu não esteja enchendo de tabefes!

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Mesas Coletivas

Almoçava sozinha no Galo Cinza (aquele restaurante que conseguiu o que eu julgava impossível em Porto Alegre: mesas coletivas lotadas) justamente em uma mesa coletiva lotada. Ali na pontinha, focada no meu prato e alheia às pessoas ao redor, só percebi que a mesa havia esvaziado e que a pessoa da minha frente havia mudado quando senti o cheiro de peixe recém servido que vinha do prato dele. Busquei minha sobremesa e segui mais um pouco ali sentada, agora focada no meu celular. E confesso: me sentindo até um pouco mal educada por não interagir com outras pessoas justo numa mesa coletiva. Ao levantar os olhos novamente percebi uma mulher ao lado do meu colega de mesa. Saíam faíscas dos olhos dela e algumas delas respingavam em mim. Fiquei pensando “Xi...ela tá com ciúmes por ele estar sozinho numa mesa almoçando na frente de uma mulher”. Será? Gente louca... Em meio a olhares fulminantes direcionados para nós dois e ao “bla bla bla almoçando acompanhado bla bla bla como tu tem coragem” só ouvia ele responder “eu não estou acreditando”. Tive certeza: sim, ela está com ciúmes. Foquei no meu sagu, enquanto lembrava o quanto eu tava toda desgrenhada, com cada unha de um tamanho, sem nem um batonzinho - já diria minha mãe. Cara, e essa mulher conseguiu sentir ciúmes! Sério, gente louca! Finalmente ouvi o típico “depois a gente conversa, vou me servir”. Ele balançou a cabeça, me olhou pela primeira vez durante todo almoço e suspirou:
- Onze anos de casados!
- E ela ficou com ciúmes...
- Dá pra acreditar?
- Dá sim, eu sou igual. (faço parte dessa gente louca...)
Fui embora certa de que gaúcho não tá mesmo preparado pra mesa coletiva. Imagina se eu tivesse interagindo!

terça-feira, 4 de abril de 2017

#mexeucomumamexeucomtodas

Vendo a manifestação que está havendo em relação ao José Mayer, não posso deixar de lembrar dos meus poucos meses de Projac. Não, nenhum ator mexeu comigo (cruzei pelo José Mayer uma vez, ganhei um sorriso). Mas o ambiente das gravações nunca me agradou. Do meu chefe grosseiro ao iluminador "simpático demais", não faltaram gracinhas, toques desnecessários, uma espécie de intimidade forçada. Meu jeito de ser, invocada, desconfiada, fechada, nunca bateu muito com aquele mundo. Claro que tem muita gente boa, que tem quem não curta e simplesmente ignore ou não dê bola. Mas tem quem tope, se divirta, entre na onda, curta a "galinhagem" toda e no fim das contas ache tudo normal. O José Mayer se ferrou porque alguém resolveu falar, mas ele é só um em meio a inúmeros outros que saíram ilesos até hoje, com certeza. Mexeu com uma mexeu com todas? Então se denunciaram um denunciem todos! 

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Vai ter shortinho, pero no mucho

Vesti um shortinho agora a pouco, olhei no espelho e me peguei pensando se tava curto demais. Pra sair na rua, pra pegar um ônibus, pra ir no médico. Foi uma auto avaliação rápida que faço diária e instintivamente há sei lá quanto tempo, e que realmente não acho que faça apenas por causa da sociedade, da moral e dos bons costumes, mas por uma questão de bom senso. Decidi que não era curto. Até iria com ele pro colégio. Isso se no meu tempo a regra não fosse calça e jaqueta verde com camiseta branca da primeira a oitava série, seguido de calça e jaqueta preta com listra amarela com camiseta branca no segundo grau. Só que não foi o fato de usar uniforme durante todo esse tempo que me impediu de aprontar as minhas nessa mesma época. Tampouco o comprimento razoável do meu short impede que o mal educado do dono do bar da rua ali do lado me diga gracinhas a cada vez que passo por ele. Por isso não acho que nem as gurias nem a direção do Anchieta estejam totalmente certas ou erradas, seja no pedido ou na proibição. Se houvesse bom senso provavelmente não precisariam ter chegado a essa situação. E o bom senso necessário vai muito além das gurias e da direção do Anchieta.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Em briga de marido e mulher...

E nesta madrugada, pela quinquagésima vez desde que moro aqui, fui acordada pela vizinha da frente brigando com seu namorado. Pela quinquagésima vez eles discutiram a relação no meio da rua. Pela quinquagésima vez ela disse pra ele que "nunca mais". Pela primeira vez eu abri a janela e mandei ela calar a boca a não ser que dessa vez tenha sido nunca mais MESMO.

terça-feira, 4 de março de 2008

Ô lá em casa


E então o adsense do Google que já me anunciou até o Festival da Linguiça de Maracaju , me manda a notícia do ano: Rodrigo Santoro entra pro clube dos solteiros.

Obrigada Google por uma notícia bem mais relevante do que as linguiças de Maracaju!
E como diria uma amiga: ô lá em casa! O Rodrigo, não a linguiça.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Mulheres...

Elevador do Iguatemi. Eu e dois amigos adolescentes.
Toca o telefone de um deles. Volume alto o suficiente para escutar a conversa toda:

adolescente - Alô.
do outro lado - Onde tu tá?
meu pensamento - (certo que é a namorada pra começar com esta pergunta antes de dizer oi)
adolescente - Tô aqui no Iguatemi.
do outro lado - Fazendo o quê???
meu pensamento - (é, ela não vai mesmo nem dizer oi)
adolescente - Ué, vim aqui, tô dando umas voltas.
do outro lado - Mas a essa hora????
meu pensamento - (ai criatura, só tá ele e uma amigo, periga até estar comprando um presente pra ti, sua otária!)
adolescente - Sim, saí do cursinho, o que é que tem???
do outro lado - Não sei. Muito estranha essa história.
meu pensamento - (meu Deus, que bicho burro. E pior. Eu sou igual)

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Na mesa ao lado

- Eu falo com as mãos, não posso ficar segurando a tua.
- O meu passado já aconteceu e ele não vai mudar. Nem eu vou negar o que aconteceu só porque te incomoda.
- Vamos ter que mudar algumas coisas, eu preciso de umas noites sozinho, tu me sufoca, eu gosto de ficar sozinho refletindo.
- Eu não quero mais saber de tu me ligando aos gritos no telefone.
- Tu teve todas as chances do mundo e não valorizou.
- Inseguro? Tu não me emprestou a chave do apartamento enquanto tava fora com medo que eu levasse alguém lá pra transar. E depois sou eu o inseguro?


Ah, são complicadas as mulheres, não?
Só que nesse caso, a discussão era entre dois (literalmente) barbudos.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

O endereço muda, mas ele não me abandona

Entrei hoje de manhã no T9 e sentei lá no fundão que, como se fosse uma sala de aula, tem a sua turma típica. Elas são todas diaristas e falam pelos cotovelos dos patrões e de todo resto. Meu lugar era do lado de uma mulata, que não pagava imposto pra dar risada. Muito menos pra falar.

“Ué, mas tá vazio esse ônibus, viemos esmagadas a semana toda e hoje essa vaziez! O que será que houve? (a pergunta foi pra mim...). Ah, já sei, deve ser porque o Grêmio perdeu. Vocês viram? Tomou três! Mas o mais lindo eram os neguinho comemorando dançando assim ó (imitou a dança...). Mas foi bom pra eles descerem do salto. Mas agora vem o Amoroso, sabia? Que maravilha, aquele homem é tudo de bom. O quê? Vai cozinhar prum monte de psicólogo? Credo, graças a Deus meu patrão é pão duro, nunca convida ninguém pra não gastar. Tchau minha linda, vai com Deus. Olha o salto daquela ali, Jesus. Se eu coloco um desses quebro todos meus dedinhos. Aqui ó: tênis. Depois que comecei usar isso nunca mais quis saber de ir em casamento pra não ter que enfiar sapato desses no pé. Que? A cobradora? Pois é, acho que a gordinha foi demitida, andaram fazendo uma limpa. Também, vivia dormindo! E era mau humorada, pelo amor de Deus. Um dia eu disse “Bom dia Paulinha” (cotovelada em mim...). O nome dela era Paula. Ela até resmungou um bom dia. Vai entender, deve tá de mal com o mundo por ser gordinha (levantou pra descer do ônibus...). Tenho culpa eu? De ter esse corpo? (empinou e bateu na bunda colada numa fuseau floriada pra me mostrar...). Quarenta e quatro anos e esse corpinho. E com um filho de treze! Um negão muito do lindo. Tchau querida, tudo de bom, bom serviço, te cuida”.


Esse é o bom e velho T9.

sexta-feira, 30 de março de 2007

Santa paciência

A caminho do meu Doritos, passei por uma gurizada de seus (sou péssima para definir idades...) 10, 12 anos que andavam de skate na calçada da Ramiro. Numa das manobras um deles perdeu uma rodinha. Automaticamente, outro deles começou a gritar:

- Ficou sem roda, hahahahahaha.
(pausa de 2 segundos)
- Ficou sem roda, hahahahahaha.
(pausa de 2 segundos)
- Ficou sem roda, hahahahahaha.

(pausa de 2 segundos)
- Ficou sem roda, hahahahahaha.

Na segunda eu já teria feito ele comer aquela rodinha. Enquanto isso o amigo dele simplesmente... Recolocou a rodinha no lugar e seguiu andando.
Taí. Esse aí não vai ter úlcera.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

E no quesito sem noção

Nota dez para a Mangueira. Preta Gil rainha da bateria? Pode até saber sambar minha filha, mas o posto de madrinha não seria para entusiasmar os componentes? Eu particularmente se fosse homem, deixaria o reco-reco cair.