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sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Imigração

- Vacaciones?
- Trabajo.
- Cuantos dias?
- Tres.
- Casada?
- Um poco.
- Perdón?
- Un poco cansada.
- No, casada o soltera!
- Ah! Soltera. No! Casada! Digo, casada pero soltera. És conplejo...
- És chisme?
- Mira. Dejalo cansada!

[inmigración es cosa seria]

quinta-feira, 31 de julho de 2025

Uma viagem, um poema

 Um segundo em silêncio,

mas por dentro,

um punhado de sons.

Momentos ruins nos sabotam,

e tentam apagar os bons.

Do colorido para o cinza,

das nuvens para o sol.

Parada na fila,

ou esperando abrir o farol. 

Estou quase chegando,

e em seguida saindo.

Me vejo correndo,

de repente caindo.

Choro, soluço,

e do nada estou rindo. 

E tudo é tão louco,

e também é tão lindo,

que está tudo parado,

mas também indo e vindo.

Um dia é tão pouco...

mas depende para que.

Lembrar para sempre,

ou tentar esquecer?

Dá para ganhar o mundo,

e depois (se) perder.

quarta-feira, 23 de julho de 2025

Feliz no simples

 Com grana curta ou não, as férias de inverno sempre chegam. A pessoa aqui, que não consegue simplesmente ficar em casa à toa, pra não ver duas crianças entediadas (crianças entediadas, ahã) resolveu fazer o melhor dentro do possível: Floripa, casa da amiga, um dia no Beto Carreiro e assim teríamos algo próximo a "férias de verdade". Quis o destino que um dia antes da viagem à Penha, ontem no caso, Mel tivesse febre. Eu, que não tinha comprado ingressos antecipados mas tinha definido que depois de quarta não encararia a empreitada, meio que fiquei triste, mas também meio que agradeci. A previsão de tempo na fila por brinquedo somada ao custo final da brincadeira, não seria exatamente a melhor maneira de sair da rotina nos dias atuais. Foi então que com o dia nublado, a criança mais entediada da casa aproveitou o efeito Alivium na filha e sugeriu: e se fossemos fazer skibunda? A doente topou, o irmão azedou, mas foi voto vencido, e lá fomos nós. Chegando lá, o vento crocante que nos recebeu me fez ter certeza que estávamos presenciando mais uma roubada na qual eu colocava meus filhos nessa vida. Mas isso foi só até acharmos o lugar certo e um pouco mais protegido, porque a partir daí, foi só areia na cara e alegria. E com direito a sol!

Ainda ontem brincava com um amigo sobre ser feliz no simples. Pois os 10 minutos que levei pra chegar na Lagoa somados aos 30 reais gastos no aluguel de uma pranchinha de madeira, talvez sejam uma boa tradução pra isso.

domingo, 29 de junho de 2025

Somelier

 São 7:55, sentei agora pra minha primeira refeição em solo Paulista e escrevo enquanto espero o café que escolhi abrir. Estaria tudo bem ser a primeira refeição, não tivesse eu chegado ontem às 18:30 e comido antes disso apenas os seis nachos que vieram no lanche do vôo.

Explico. Tenho uma "profissão" paralela não remunerada em São Paulo: sou Somelier de Flats. Perdi as contas de todos que conheci nos últimos três anos, de retrofits lindos no Centro a edifícios de apartamentos minúsculos e infra de cair o queixo em Pinheiros. Fiquei uma vez na Bela Cintra num lugar que tinha um urso gigante na frente e só pensei: que coisa mais cafona. Mas quando passei da porta e senti o cheiro de baunilha no ar, abri um sorriso. A luz do quarto era branca, me doeu um pouco a alma, mas fora isso (e o urso) foi dos melhores lugares que já fiquei.

Claro que a vida não é um moranguinho, não sou "somelier de vinho caro", que seria muito fácil. Preciso achar flats BBBs, cheirosos e limpinhos e que me permitam ir a pé pro Atelier.

Nesta vinda achei um na mesma rua do trabalho e ontem, depois de percorrer um labirinto, o que é comum nos flats que deixam as unidades de locação numa localização não muito bem planejada, cheguei ao meu quarto. Ao abrir a porta, vi de cara a tampa do quadro de luz caído sobre um fogão duas bocas enferrujado. As paredes manchadas chamavam tanto atenção quanto as saboneteiras sem produtos e com cara de sujas. Acendi a luz do banheiro e o mofo no forro gritou. Usei o vaso e a descarga não funcionou. É, parece que fui enganada pelo rótulo desta vez... Ignorei a política de cancelamento e avisei que não ficaria ali. Não, amiga, uma limpeza não vai resolver, ah que bom que tu me entende, tchau.

Voltei pro Booking e tudo que queria era repetir uma hospedagem pra não ter erro às quase 23hs. Eis que o ursão cafona da Bela Cintra piscou pra mim. Azar da luz branca, vem cá e me dá um abraço,  ursão!

Dezoito tretas de pagamento e um Uber depois, aquele cheirinho de baunilha novamente me fez sorrir. Corri pra pegar um restaurante aberto, mas aos domingos descobri que todos eles fecham as 22hs. Me recusei a jantar Pringles da conveniência, dormi com fome e cá estou.

Mas por falar em fome, meu café chegou.

terça-feira, 24 de junho de 2025

Ginástica

Ser mãe é uma ginástica.

Semana passada marcaram uma reunião importante em Guarulhos. Quando fui colocar na agenda, dei de cara com "apresentação ginástica Mel". Ah, meu senhor... Não querendo abrir mão de nenhuma das duas coisas, só pedi: eu vou, mas preciso estar em Porto Alegre às sete! Passagens compradas, só dependeria da boa vontade da Azul (e do vendaval que se instaurou em Porto Alegre). Um Uber, um vôo turbulento, um ônibus pro terminal certo, uma reunião de duas horas, uma corrida pra pegar o ônibus de volta ao terminal de embarque, mais um vôo turbulento e outro Uber em meio ao trânsito do fim do dia, e às 18:37 eu descia perto do Colégio a tempo de tentar comprar flores pela apresentação da guriazinha. Frustrada com as duas floriculturas fechadas, fui pro ginásio onde as mães das colegas tinham feito meu papel de maquiadora e cabeleireira além de ter guardado um lugar bem na frente, enquanto o pai organizava a logística do outro filho. Sentei exausta, mas ao ver ela linda correndo até mim e gritando aquele "mamãe" que enche uma casa, meu cansaço praticamente se desfez. E após mais ou menos dois minutos e treze segundos de apresentação, onde minha ginasta acertou metade da coreografia e acertou do jeito dela a outra metade, ela surgiu novamente na minha frente, sorrindo feliz.

- Foi lindo, meu amor! A mamãe tem um mini presente pra ti. Não consegui comprar flores mas trouxe outra coisa...

- Balinha de avião!!! Eu amo balinha de avião mamãe, brigada!

Ô ginástica que traz resultado, se não pro corpo, pro coração.

segunda-feira, 5 de maio de 2025

Quando foi a última vez que você fez alguma coisa pela primeira vez?

Ouvi essa frase pela primeira vez há 18 anos.

Tudo começou, quando partiu de mim uma atitude que talvez soe boba, mas foi inusitada, ao menos pro meu modo de ser: deixei um bilhete prum cara que almoçava frequentemente no mesmo lugar que eu. Não sabia nem o nome dele, mas ficava hipnotizada cada vez que o encontrava. Então um dia, depois de almoçar sozinha, deixei um bilhete com meu telefone com a moça do caixa e pedi que ela entregasse. E o inacreditável aconteceu: ele ligou! A história não rendeu grandes frutos pelos mais variados motivos, mas ela tem duas coisas que me marcaram muito.

Uma delas, é que deve ter sido com ele que aprendi que nem todo mundo na nossa vida é caminho, mesmo que a gente queira muito seguir por ele. Tem gente ponte, gente atalho, gente desvio, já cantava o Zeca Baleiro. Mas todos nos levam de algum modo à algum lugar. Naquela época, ele me tirou do fundo de um poço onde eu tinha me enfiado uns quatro anos antes. Segui meu caminho sozinha, mas não teria saído do lugar sem ele.

A outra coisa que me marcou, foi a frase que iniciei o post. Ele me disse ela quando contei que aquela simples atitude do bilhete tinha sido um "marco histórico", que eu jamais tentaria uma investida assim e nunca imaginei que ele me ligaria, nem sabia de onde tinha saído aquela coragem. E foi aí que ele me disse: "quando foi a última vez que você fez alguma coisa pela primeira vez?"

Essa história e a frase me vieram a mente pois, pela primeira vez, resolvi pegar o carro e ir viajar sozinha para acampar e... voar de balão. Assim que decidi e simultaneamente me senti um tanto louca, aquela frase ecoou em mim.

Foram algumas horas de estrada cantando, pra então vencer o medo e subir na cesta de um balão, onde flutuei no ar em meio a um mar de cores. Saí desse encanto e peguei uma estrada terrível e desconhecida, e horas depois cheguei no meu destino aliviada, mesmo que em um lugar estranho. Armei uma barraca sozinha, e exausta, me orgulhei dos feitos, tudo pela primeira vez. As estrelas no céu eram muitas e pareciam brilhar mais do que o normal. A noite mal dormida e gelada, foi compensada pelo nascer do sol em meio a neblina que pairava e que deixava tudo em uma aura de sonho.

Fui tomada de assombro pela realidade logo em seguida, mas hoje, essa parte chata da história não vai ter espaço. Vou pular dela pra visão gigante dos cânions. Uma imensidão onde tudo, absolutamente tudo, fica pequeno demais.

Vinte quatro horas cheia de primeiras vezes. Pra me ouvir e sentir. Me centrar e acalmar. Respirar. Ver as coisas de longe, comigo mais perto. Perguntar e achar as respostas. Um momento só meu onde nada mudou e ao mesmo tempo nada ficou igual.

Ansiosa pela próxima primeira vez.

domingo, 9 de fevereiro de 2025

Nescau

"Bom dia, mamãe, faz meu nescau?" ou a variante "Posso ver um pouco de tablet?".

Um despertar eestabelecido invariavelmente entre seis e sete da manhã nos últimos dez dias. Faço um exercício qualquer. Como uma coisa qualquer. Arrumo a mochila, preparo dez tipos de lanches [mesmo sabendo que isso não evitará o ataque ao picolezeiro, ou milheiro, ou açaízeiro, ou aos três]. Vem passar protetor. Já escovou os dentes? Para de se mexer. Meu olho! Não foi no olho! Bora, tudo certo? Coloca o cinto! Cadê o chinelo? Volta e pega o chinelo. Coloca Meu abrigo? Não, Cheerleader! Eu quero Várias queixas! Cantamos, e como, e passado um tempo, chegamos. Pego a mochila, a sacola de lanche, e de brinquedos, a barraca, um filho, dois filhos. Cadê a chave do carro? Na polchete, santa polchete. Armo a barraca. Posso ir no mar? Espera a mãe montar o acampamento. Estico a canga, que em três minutos está tapada de areia e tudo bem, pois não ficarei nem cinco sentada [quem dirá deitada] nela. Mamãe! Tô indo. O mar tá uma delícia! Volta, Melissa, perto do teu irmão. Cuidado, Lucas! Picolezeiro, mamãe! Dois picolés e trinta reais a menos depois, que mais tem pra comer? Passam-se horas em um grande looping. Vão tirar a areia, vamos. Eu nem brinquei! Mais quinze minutos! Desarma o acampamento. Deu, vamos. Ah não. Ah sim. Não é justo. Sobe no carro. Mamãe, coloca... não, agora sou eu que escolho! Ah, essa eu gosto. Abençoada casa. Banho, os dois, subam já! Tiro areia de tudo, estendo tudo, lavo tudo, organizo tudo. Parem de brigar, eu vou subir! A Mel que... não interessa! Desçam já! Mamãe, fome. E sede. Pega água no filtro. E pega uma banana. Não é fome de banana. Faço um lanche. Mais fome. Faço dez lanches. Fo... chega! Alimento as cachorras. Vou correr, não se mexam, só respirem! Voltei, tudo certo? Maldita-bendita tela, nem respondem. Vou na piscina. Vou tomar banho. Vou embora! Quê, mamãe? Estão surdos? Faço a janta. Venham. Limpa a boca. Olha o copo! Lavo a louça. Mamãe, quero colinho. E meu leite. Tô indo. Dou cinco minutos de colo, dorme um, dormem dois, carrego um, carrego dois. Desço, desligo tudo. Rua, Dora. Fecho a casa. Subo. Vou ler. Leio meia página, capoto até o próximo pedido de nescau. Tô exausta e já com saudade. Não exijam coerência de uma mãe.



sábado, 7 de dezembro de 2024

A mulher da janela

A mulher da janela era eu, mas a senhora ao meu lado queria tirar fotos. E fazer vídeos. E ela até era educada, como quando enfiou o braço por cima do meu kindle me impedindo de ler, mas se desculpou. Eu, irritada, me mantive sorrindo, brinquei que era melhor ela filmar o céu do que a mim, ha-ha-ha, que bicho me picou? Quando começou a descida ela abriu a minha janela, que anteriormente ela já havia aberto e depois fechado - sempre se desculpando. Então eu, gentilmente (e putamente porém serenamente), cedi o meu lugar. E ela tirou mais fotos. E eu li o meu livro. E todos viveram felizes para sempre até o final do vôo.

sexta-feira, 24 de maio de 2024

Sem reclamar

Porto Alegre, 05 de maio de 2024.

Depois de 12 dias viajando voltei pra minha cidade após dois vôos cancelados, uma escala imprevista e um trajeto de carro. Durmo, exausta, acordo e finalizo a mudança iniciada antes das férias em meio a chuva e notícias alarmantes. A cidade está um caos mas eu vivo num lugar que não foi diretamente afetado, não posso reclamar. As crianças ficarão sem aulas, mas enfim, foi só isso que mudou, não posso reclamar. Economizamos o que pudemos, mas faltou água, mas tenho casa, luz, não posso reclamar. Doa, ajuda, faz PIX, chora por qualquer coisa, agradece por não ter pelo que reclamar. A chuva não para, o abrigo de cães no gasômetro precisa de ajuda, decido fazer lar temporário, preciso ajudar. Cachorro novo, querido, ansioso, carente, assustado, recebo um cocô no tapete. Tudo bem, é só limpar. A água volta mas o meu aquecedor estraga, tem banho, mas é frio, estou melhor que muita gente, não posso reclamar. Meu cachorro novo se apega muito a mim, tem ciúme dos meus filhos, rosna, ataca, preciso devolver ele, o que faço aos prantos, não consegui ajudar. Os filhos pelos quais devolvi o bichinho sentem falta dele, me precipitei? Fiz tudo errado? Respira, te acalma, e lembra de não reclamar. A filha sente tanto a ausência do cachorro (e sente tanto todo o resto) que faz xixi na minha cama toda. Acordo molhada, a máquina nova só lava, não tenho outro lençol. Lavanderia, loja, lá vai dinheiro, ei, lembra: isso não é nada, sem reclamar. Lavando a louça a cozinha transborda, chamo o encanador: olha, uma pedra entupindo a caixa de gordura. Conserta, paga, não para pra reclamar. Porque enquanto isso a cidade colapsa, e também transborda. Transbordamos todos, sem reclamar.

Porto Alegre, 24 de maio de 2024.

Parece  inacreditável pensar que exatamente há um mês eu saia de férias. Me vi nessa foto hoje e ela parece tão sem sentido ou fora de contexto que parece ter sido tirada em outra vida. Mas nesse dia, nessa outra vida, ela fazia todo sentido. Eu transbordava, cercada de água, mas era de alegria. E não tinha realmente do que reclamar.



sexta-feira, 5 de agosto de 2022

Ilha da Gigóia

Hoje eu fui passear na Ilha da Gigóia, lugar que eu nunca tinha ouvido falar até vir morar no Rio em 2010. Ela é uma ilha pequenininha, desenhada por inúmeras ruelas estreitas cheias de placas coloridas, grafites e plantas de todos os tipos. Num dia lindo de sol como hoje, fica tomada de pessoas que parecem conhecer cada um que passa. Ela é meio bagunçada, muitas das construções não deixam bem claro se foi finalizada ou não. Tem um boteco em cada canto e armazéns que vendem de tudo, muita birosca misturada com lugares charmosos que algum estrangeiro resolveu abrir. É uma cidade do interior dentro de uma cidade grande, com uma praia logo ali, apaixonante, cheia de cuscos e de vida. Pensei cá comigo: isso é muito a minha cara, ou pelo menos era a cara daquela Kelen lá de 2010... Como é que ela saiu daqui? A verdade é que eu nunca cheguei a entrar! Quando vim morar aqui, depois de pular de casa em casa e muito procurar (ah, Airbnb...), achei um anúncio de uma pousada que aceitava hóspedes por longas temporadas nessa tal ilha que ficava na Barra. E era tudo que eu precisava: um apezinho mobiliado, sem nada pra comprar e por um preço pagável e relativamente perto do trabalho. Peguei meu primeiro barco pra ir conhecer a pousada e pedi somente pra atravessar a lagoa. Ao descer, sem andar muito, perguntei pela pousada Barravento e me disseram: ah, não chega por aqui não, tem que pegar outro barco e pedir pra descer lá. Não entendi, mas aceitei e virei as costas pra ilha sem sequer conhecer. O novo barqueiro me deixou na pousada e foi então que o proprietário me explicou que dali eu não teria acesso a ilha exceto por barco. Uma construção logo atrás dela, fazia com que não houvesse outra saída exceto pela água. Nos meses que se seguiram, sempre peguei meu barquinho direto pro continente, fosse pra trabalhar ou passear. Quis o destino que eu não me apaixonasse por esse lugar e mudasse a minha história. Será? Só posso acreditar que ele, o tal destino, me queria mesmo era em Porto Alegre, pra fazer da minha vida o que ela é hoje. Quantas vezes uma simples decisão pode mudar todo nosso rumo?


"Si nunca paras de buscar, talvez nunca pueda ser encontrado por lo que buscas."

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Folga

Desde que vim passar esse periodo no Rio, a pergunta que mais tenho recebido ultimamente tem sido disparado: "e a saudade?". A resposta sai fácil porque é uma saudade sem medida, ela é gigante, é de ter vontade de entrar na tela e encher de amassos e de beijos. Mas é uma saudade que não dói. Dá pra entender? Porque eu vejo eles todos os dias e eles parecem tão felizes. Saudosos, óbvio, mas felizes da vida! E com meu marido nota dez sendo um pai nota mil somado a uma diarista que virou a santa ajudante de todas as manhãs eles estão dando conta do recado bonito (espero que minhas plantas estejam vivas, viu?). E também porque, e não me julguem por esse trecho, tô com saudade mas numa folga que olha, puta que pariu. Atenção meus empregadores, isso não significa que eu não esteja trabalhando, tô trabalhando tipo bicho. Considerem que vocês me concederam tipo umas férias da família remuneradas, uma espécie de viagem padrão perrengue chique. A real é que não tem montagem que supere o trabalho que é ter uma casa cheia de seres, não tem BO mais difícil que cuidar de uma família, não tem cansaço maior do que um dia inteirinho com um marido, dois filhos e dois cachorros e ainda por cima o tal do trabalho! Desculpa, eu amo vocês, viu marido? Mais que tudo na minha vida todinha, mas dá um trabalho da porra e depois desses dez dias sozinho tenho certeza que ele assina embaixo! Dá tanto trabalho que me vejo volta e meia num não saber o que fazer com o tanto de tempo que eu tenho por aqui mesmo depois de trabalhar oito horas. Dia desses num desses stories, minha irmã fez a tal pergunta. Eu respondi explicando tudo isso e ela resumiu melhor que eu: "eu te entendo, é uma paz com remorso, né?". Ô se é.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Férias (?)

O Lucas fez um ano e meio em maio e conseguimos pela primeira vez tirar uns diazinhos de férias com ele. Fiz algumas constatações depois dessa semana.
Ranho e tosse não tiram férias.
A hora de acordar do bebê não muda com as férias. Quer dizer, às vezes muda, passa a ser ainda mais cedo.
Falo de igual para igual com crianças de 5 anos que se metam a besta com o Lucas. E com os pais delas se precisar. Cresci com limites mesmo reclamando deles, mas tenho certeza que eles foram úteis e me tornaram uma pessoa que sabe até onde pode ir. Crianças que acham que podem tudo com cinco, vão achar que podem tudo pra sempre.
Existem pessoas que não se comovem com um alemãozinho lindo abanando e falando “Au” (a versão dele de Tchau) incansavelmente. Não piscam, não abananam, não movem um canto de lábio. Tenho vontade de socar essas pessoas.
As mesas do restaurante são sempre um mar de tablets e celulares. Não vou me fazer de louca; a Galinha Pintadinha, a Pepa e os Backardigans me deixam fazer muitas coisas. Mas, putz, não na mesa! Mesa é lugar de comer, de conviver com os pais! Sigo firme acreditando nos “aplicativos” brócolis e pão de queijo!
O hotel conta com uma área de jantar exclusiva para adultos. Respeito a decisão do hotel e dos adultos. Ao me servir no buffet observei a área. Só vi silêncio. E mais celulares ainda do que nas mesas com crianças. A área com crianças tem muito mais vida. Uma vida bem mais bagunçada, é verdade, mas muito mais feliz.
Descobri que, pelo menos por enquanto, não tiraremos mais férias pra descansar exatamente, mas sim pra ficarmos mais tempo juntos. Estamos voltando felizes. Mas esgualepados e precisando de outras férias urgentemente!
(constatação final: ao chegar em casa e se deparar com todos os brinquedos que não via há uma semana, a criança tira energia não sei de onde pra brincar sem parar pra todo sempre e não dorme nunca mais!)

domingo, 3 de setembro de 2017

Run baby run

Saí pra correr ontem a noite querendo um pouco mais que cruzar a linha de chegada. Queria muito que a cada passada agosto e os problemas que vieram com ele ficassem pra trás. Problemas que culminaram com férias canceladas, uma frustração com a qual não estava sabendo lidar. Com meu fone de ouvido esquecido em casa, fiz uma corrida silenciosa, e enquanto minhas pernas corriam pela beira do rio, meus pensamentos corriam pelos monumentos de Roma, pelas ruelas de Siena, pelos campos da Toscana, pelas pontes de Florença, pelo colorido de Cinque Terre, pelos canais de Amsterdã. Pensei eu que quando cruzasse a linha de chegada viria junto um turbilhão de lágrimas que insistiram em não cair em nenhum momento nas últimas semanas. Mas tudo que fiz ao encerrar a prova foi soltar um grande suspiro. Talvez porque tenha finalmente me dado conta que a vida é muito curta pra sofrer com as nossas frustrações. Ou tenha me dado conta que a vida é muito curta pra sofrer. Ou simplesmente que a vida é muito curta.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Coração de mãe

Comia tranquilamente uma crepioca enquanto cuidava o meu vôo ainda não confirmado no painel. Saí passeando pelo aeroporto com o coração saltitante por estar voltando pra casa, quando vi um gurizinho desesperado pois havia se perdido da mãe. A mocinha da Azul perguntou pra ele:
- Pra onde você vai?
- Porto Alegre!
Meu coração saltitante se derreteu vendo o pânico naqueles olhinhos. Me aproximei e perguntei:
- É Gol o teu vôo?
- Nao, é de outra!
- Vem cá, que eu ligo pra tua mãe.
Em minutos uma mãe esbaforida, furiosa e aliviada surgiu, agradeceu e desapareceu.
Segui caminhando e sorrindo quando ouvi nos autofalantes:
- Sra. Kelen Tomazelli, esta é a última chamada para o vôo Gol 1224 com destino a Porto Alegre.
O coração recém derretido se recompôs instantaneamente e quase saiu pela boca na corrida até o portão 18, e passou a bater acelerado só de pensar em perder o vôo.
Com os batimentos tentando voltar ao normal, já no meu assento, solicito ao Universo: não faça isso com o coração de uma pobre mãe!

domingo, 13 de agosto de 2017

Trago (mais) verdades

Viagem a trabalho, 62 horas sem meu filho.
Amo ele, tô vesga de saudades.
Mas dormir oito horas, PUTAQUEPARIU, é rejuvenescedor!

domingo, 13 de setembro de 2015

Domingo 13

O dia começou cedo, mais precisamente as 4:30 da madrugada e depois de uma noite mal dormida devido a festa do vizinho do andar de cima somada àquele medo de não acordar e perder o voo das seis. Achava eu que tirar o tênis com fivela pra passar no raio X do aeroporto seria a parte ruim dele, mas este pensamento só durou até o momento em que entrei no avião e percebi onde ficava meu lugar, poltrona 38A, a última do avião e sem reclinação. Mas meu assento não era o 3A? De onde havia saído aquele 8? Tentando ser educada, perguntei se havia outro lugar enquanto explicava a situação. Apesar dos olhares fulminantes recebidos, a comissária conseguiu um novo lugar pra mim. Ao chegar em Guarulhos vi que fazia frio e estava nublado, mas sorte do dia era que não choveria! Fiz contato com o proprietário do apartamento do Copan que havia alugado via Airbnb e estava ansiosa pra conhecer, pra avisar que estaria chegando em no máximo uma hora pra deixar minhas coisas. Dois dias antes ele já havia antecipado que tínhamos um problema: uma pessoa havia feito uma reserva relâmpago e o apartamento reservado pra mim no domingo desde as 9hs da manhã, só estaria liberado depois das 13hs. Mas tudo certo, a rua me espera e é domingo, não é mesmo? É. Ou melhor, era uns dias antes, quando respondi um simpático "sem problemas". Mas depois de uma noite mal dormida, de um voo não dormido e de uma recepção paulista sem sol, poder acomodar as coisas, tomar um banho e dar uma descansada começaram a parecer uma ótima ideia. Mas como eu dizia, é domingo, sem stress. Então sem stress e sem retorno do (tal) proprietário, desci do ônibus na Praça da República e comecei a olhar pra cima buscando as curvas da fachada tão conhecida pra lembrar pra que lado eu deveria ir. Quando andei um pouco e reconheci o Copan, vi que estava coberto daquela tela azul - sinônimo de reforma e me entristeci. Mas respirei fundo e segui meu rumo, paciência. Chegando lá e ainda sem contato algum do (querido) proprietário, comecei a saga pra descobrir qual das seis portarias seria a minha. Depois de visitar a C, a D, e a F, cheguei a portaria B de Bingo e vejam que sorte, não precisei percorrer as seis, apenas quatro delas! Ainda tentando manter o bom humor, esperei o (infeliz do) proprietário olhando no relógio a cada 30 segundos enquanto pensava que seria bem educado da parte dele ter chegado ali antes de mim. Quando finalmente ele chegou, quinze minutos após o combinado, trinta minutos após eu ter chegado e uma hora e trinta depois de eu ter avisado que estava a caminho, conversamos um pouco sobre os imprevistos, sobre a obra, sobre que pena a fachada estar coberta e eu ser arquiteta e sobre o fato de termos mais uma questão a resolver. As malas não ficariam na portaria do prédio e sim no apartamento dele, logo ali do lado, onde eu não poderia ir junto, mas sem preocupações! Um amigo que já estaria chegando, ajudaria ele a levar tudo para cima. Respirei fundo (bem fundo) pra lembrar que tudo estava bem. Deixei as coisas na mão do (cretino do) proprietário e de Deus e fui ao encontro do amigo que me salvaria da minha maré de azar, não sem antes dizer: por favor, cuida que aqui tem um note, tá? Café da manhã, cachorros, parque, museu, almoço, sobremesa, café. Tudo em perfeita harmonia e companhia. Chegava então a hora de voltar ao meu paradouro que a canseira começava a bater. Por mensagem, o (desgraçado do) proprietário havia me avisado que minhas coisas já estavam lá e que ele deixaria a chave escondida, não iria até lá me encontrar. Achei um pouco de descaso por parte do simpático rapaz tão bem citado nas indicações do Airbnb, mas quem sou eu pra julgar? Subi até o 32 andar, fotografei o corredor curvo que acompanha a silhueta da famosa fachada e girei a chave. Antes de entrar, sofri um pouco pra tirar ela da fechadura, coisa de prédio velho, né? É. Prédio velho tem disso. Disso e de cheiro de mofo também. Porque prédio velho é úmido e frio, né? Talvez também por culpa da janela quebrada consertada com fita transparente, típico de prédio velho. Tem também cortinas mal penduradas de cor amarela que não protegem do sol, e tem piso do box destruído daqueles dignos de banho só com havaianas e bem diferente da foto no site onde uma grama sintética (estranhamente) cobria ele. Foto tem photoshop e pior: não tem cheiro nem termômetro, por mais que se possa mudar a temperatura da cor. Um pouco triste e sem saber o que fazer, pensei em ligar a TV pra me distrair, mas a TV indicada no site não existia. Tentei então mudar o layout pra acomodar meu computador e poder usar confortavelmente pensando em assistir um filme, talvez, mas não sem antes dar um jato do Bom Ar aroma cedro e laranja encontrado no banheiro pra tentar tirar o cheiro de mofo do ar. Mas algumas fotos postadas depois, percebi que meus pés estavam congelados e minha calça tão úmida quanto o sofá que eu estava sentada. Neste momento, o filme que eu procurava deu lugar ao site do Ibis e a um e-mail (realmente) gentil pro (maldito) proprietário, citando algumas questões que não batiam com o anúncio e que faziam com que eu quisesse amigavelmente cancelar a reserva apesar da política rígida de cancelamentos, afinal, minha intenção era apenas não ter prejuízo e não rebaixar o apartamento dele no Airbnb; outras pessoas poderiam ser menos exigentes, ou menos chatas, não é mesmo? Uma hora depois e sem resposta, a reserva no hotel estava feita. Avisei então que estava saindo dali e que aguardaria a resposta dele até amanhã, antes de contatar o site. Tirei fotos, tive certeza de ter pego tudo e bati a porta, feliz com a decisão. Deixei a chave no mesmo lugar que encontrei, não sem antes sofrer um pouco para tirar ela da fechadura. Pensei seriamente se voltaria no outro dia pra visitar o terraço e chamei o Easy Táxi. Quando o táxi chegou, um senhor de seus 80 anos tentou pegar ele antes de mim, mas o motorista avisou que havia sido chamado pelo aplicativo. Pobre do senhor, não sabia o que era isso, o celular dele era daqueles de 80 reais, não tinha dessas coisas e se queixou que aos domingos aquela hora era difícil conseguir táxi. Perguntei se o taxista topava fazer minha corrida que era curta e deixar o senhor embarcar junto pra depois ir do meu hotel até o seu destino e ele topou. Fiquei feliz de ter ajudado o Sr. Nelson a ir lá pros lados do Largo do Batata; fiquei feliz de engatar uma corrida maior pro taxista Fabiano depois dele fazer a minha corridinha de dez pila. Entrei no hotel ainda feliz e enquanto fazia o check in pensava em escrever um post sobre fazer coisas boas mesmo quando tudo parece dar errado, e mesmo quando tu estás prestes a pagar um hotel sem saber se vai ver o dinheiro da hospedagem anterior de volta. Pensei em fazer a minha brincadeira do Deus tá vendo, né Deus? Afinal eu estou aqui por uma boa causa, a trabalho, apoiando um evento no amor, lembra Deus? Peguei o elevador até o quarto andar, andei pelo corredor reto, entrei no quarto e inspirei o cheiro de limpeza que pairava no ar. Neste exato momento deixei meu note cair no chão, aquele, que eu pedi pro (pouco se lixando pra mim do) proprietário cuidar bem. A tela quebrou. Coloquei ele na mesa, testei, ele ligou. Sentei na beirada da cama, ela não estava úmida e o quarto estava quentinho. Liguei pro marido rindo e chorei. Ele me consolou lembrando que ao menos o note estava funcionando! Escrevi meu post no note com a tela quebrada, mas saiu um pouco diferente do que tinha inicialmente imaginado. E agora vou finalmente tirar meu tênis de fivela, pela segunda vez no dia.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Remote Year

Há alguns meses me inscrevi para um programa chamado "Remote Year". A proposta era trabalhar remotamente com um grupo de 100 pessoas de todas as nacionalidades viajando pelo mundo. A viagem começaria em Praga, seguida de Ljubljana, Dubrovnik, Istambul, Penang, Ko Tao, Hanoi, Kyoto, Buenos Aires, Mendoza, Santiago e terminava em Lima.
Meio que ignorei o fato de que eu tinha um namorado e duas cachorras. Ou talvez não tenha ignorado totalmente, já que pensei que seria opcional o número de meses que eu poderia participar - apesar do nome falar em year e não em months, e que em quatro meses, temporada que o grupo passaria na Europa, eu não perderia meu namorado - nem mesmo se ele tivesse que ficar sozinho cuidando das minhas duas cachorras. Acredito que essa inscrição venha de uma vontade maior que a minha conta bancária de conhecer o mundo e também um efeito retardado chamado "Barcelona Frustración".
O tempo passou, quase esqueci daquilo e de repente chegou um e-mail. Respondi algumas perguntas e fui para a próxima fase. Um tempinho mais e pagando uma pequena taxa, passei mais uma. Decorei instantaneamente a ordem das cidades. E eis que um californiano chamado Brandon quis marcar uma entrevista via Skype comigo. Pânico. Não sei se mais pela remota possibilidade de ir ou pelo simples fato de ter que falar em inglês com alguém.
Pois chegou o dia do Skype com o Brandon, cara que defini como super gente boa pelo simples fato de dizer que meu inglês estava ótimo e isso ser uma baita mentira. Na sequência ele me disse que queriam apenas pessoas incríveis nesta viagem e que eu era uma delas. Gente boa, não tem como negar! Ou pelo menos com um ótimo xa-lá-lá. Expliquei no meu inglês macarrônico que havia entendido que poderia ser um ano de quatro meses. Expliquei do namorado (que a estas alturas já era quase marido). Expliquei das cachorras. Fizemos um trato: eu tentaria convencer o marido a ir comigo por um ano, enquanto ele tentaria convencer o restante da organização que eu poderia ficar menos que isso. Ainda me restava a missão de convencer a Pulga, a Panqueca e a Dona Luiza, de que uma temporada em Gramado seria ótima para as três!
Uma semana depois, novo Skype, muita empolgação dos dois lados e... nada feito. Nem namorado, nem organização aceitaram as nossas propostas. E se as cuscas e a Dona Luiza tivessem entrado na votação, teria mais três nãos na minha frente. Assunto encerrado, nem uma remota possibilidade de viver remotamente.
Talvez a aceitação tenha sido fácil pois não era pra viver um dolce far niente. Teria tudo ao meu dispor, passagens, estadias, casa, comida e roupa lavada além de um lindo coworking em cada cidade, mas mediante um pagamento mensal que a distância, sinceramente, não sei de onde tiraria.
Sendo assim, segui minha vida tranquilamente.
Pelo menos até ontem, quando eles postaram as primeiras fotos na Croácia. Pena de mim quando chegarem na Tailândia.

sábado, 23 de agosto de 2014

Amém!

- Eu sou o chefe de cabine e junto dos comissários Pedro, João e José estou a disposição para atendê-los.
Com este time bíblico na tripulação, tive certeza de que Jesus estaria conosco e que faríamos uma ótima viagem!

sábado, 16 de fevereiro de 2013

I wan to be a part of it

Faltaram manhãs pra tantos cafés, fome pra tantos restaurantes, amigas pra tantas lojas, companhia pra tantos bares, pernas pra tantas ruas, tempo pra tanta cidade. Mas se tem coisa que não vai faltar é vontade de voltar.

sábado, 24 de novembro de 2012

Arpoador

Ontem eu ouvi holandês, francês e catalão.
Hoje de manhã eu resolvi ouvir o mar.