Ouvi essa frase pela primeira vez há 18 anos.
Tudo começou, quando partiu de mim uma atitude que talvez soe boba, mas foi inusitada, ao menos pro meu modo de ser: deixei um bilhete prum cara que almoçava frequentemente no mesmo lugar que eu. Não sabia nem o nome dele, mas ficava hipnotizada cada vez que o encontrava. Então um dia, depois de almoçar sozinha, deixei um bilhete com meu telefone com a moça do caixa e pedi que ela entregasse. E o inacreditável aconteceu: ele ligou! A história não rendeu grandes frutos pelos mais variados motivos, mas ela tem duas coisas que me marcaram muito.
Uma delas, é que deve ter sido com ele que aprendi que nem todo mundo na nossa vida é caminho, mesmo que a gente queira muito seguir por ele. Tem gente ponte, gente atalho, gente desvio, já cantava o Zeca Baleiro. Mas todos nos levam de algum modo à algum lugar. Naquela época, ele me tirou do fundo de um poço onde eu tinha me enfiado uns quatro anos antes. Segui meu caminho sozinha, mas não teria saído do lugar sem ele.
A outra coisa que me marcou, foi a frase que iniciei o post. Ele me disse ela quando contei que aquela simples atitude do bilhete tinha sido um "marco histórico", que eu jamais tentaria uma investida assim e nunca imaginei que ele me ligaria, nem sabia de onde tinha saído aquela coragem. E foi aí que ele me disse: "quando foi a última vez que você fez alguma coisa pela primeira vez?"
Essa história e a frase me vieram a mente pois, pela primeira vez, resolvi pegar o carro e ir viajar sozinha para acampar e... voar de balão. Assim que decidi e simultaneamente me senti um tanto louca, aquela frase ecoou em mim.
Foram algumas horas de estrada cantando, pra então vencer o medo e subir na cesta de um balão, onde flutuei no ar em meio a um mar de cores. Saí desse encanto e peguei uma estrada terrível e desconhecida, e horas depois cheguei no meu destino aliviada, mesmo que em um lugar estranho. Armei uma barraca sozinha, e exausta, me orgulhei dos feitos, tudo pela primeira vez. As estrelas no céu eram muitas e pareciam brilhar mais do que o normal. A noite mal dormida e gelada, foi compensada pelo nascer do sol em meio a neblina que pairava e que deixava tudo em uma aura de sonho.
Fui tomada de assombro pela realidade logo em seguida, mas hoje, essa parte chata da história não vai ter espaço. Vou pular dela pra visão gigante dos cânions. Uma imensidão onde tudo, absolutamente tudo, fica pequeno demais.
Nenhum comentário:
Postar um comentário