terça-feira, 11 de agosto de 2026

Cansaço

Hoje acordei cansada e resolvi adiar minha rotina matinal pra hora do almoço. Me enrolei o que pude pra sair da cama de onde ouvi um episódio do "Projeto Meditar", canal que descobri e que uso pra dormir quando a cabeça não tá desligando no automático. O tema era a romantização do cansaço e confesso que, mesmo cansada, tive uma vontadezinha de acelerar o áudio, mas respirei fundo e fui no ritmo certo. Ainda numa preguiça sem fim na cama, no rolar de tela costumeiro, caí no post do Andre Carvalhal sobre a morte dos pequenos rituais. Me peguei pensando na contradição de como eu, acelerada e elétrica, gosto tanto de coisas como ouvir um disco numa vitrola (ainda que já tenha gritado pra ela “Alexa, baixar volume”) ou ficar na janela observando os passarinhos, e o quanto eu deveria usar mais dessas pequenas pausas pra acalmar esse corpo e essa mente. Lembrei de um livro chamado “onde foi parar o nosso tempo?” que lá em 2010, já falava dos hábitos que abandonamos pra tornar a vida mais “simples” (?). Com tudo isso na cabeça e tão cansada quanto acordei (mas sem romantizar isso), fui cumprir a meta da corrida do dia ainda que tardiamente e ainda que sem vontade. Foi então que tive que parar depois de 4km, num misto de dor e exaustão. Por que eu não me ouvi? Postei sobre isso justamente porque adoro as conversas que isso gera, e imediatamente um post da Vida Simples chegou pra mim “O caminho é estar presente, respirar e dar atenção ao que se sente”. Adoro a Vida Simples desde quando comprava ela na banca, coisa da lista das coisas que, como bem disse o André Carvalhal, faz tanta falta, assim como descansar, parar, desligar, desconectar. E não se culpar por isso.

“Vivemos numa época em que exaustão é sinônimo de status e a conexão humana é uma raridade. Adiamos o descanso como se ele fosse um artigo de luxo e rolamos o feed interminável, evitando o silêncio a qualquer custo. Porém, em algum ponto entre a performance excessiva e a ansiedade paralisante, uma pergunta insiste em ecoar: Do que tanto fugimos, a ponto de não pararmos um minuto sequer para estar a sós com nossos pensamentos?”
(Trecho de Vertigem, da Lela Brandão, que estou ouvindo no Audible, sem acelerar)