Por um momento ouvindo "Lady in red" senti saudade das reuniões dançantes. Em seguida lembrei que ninguém me tirava pra dançar e a saudade passou.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
terça-feira, 27 de abril de 2010
Sexo frágil
Eu aguento firme a pele ser quase arrancada com cera quente. Resisto no osso a dor do laser queimando o rosto. Seguro as pontas enquanto o formol faz arder o couro cabeludo. E de repente meia dúzia de palavras acabam com toda minha força e conseguem me derrubar.
Sou super macho. Menos quando mais precisaria ser.
Sou super macho. Menos quando mais precisaria ser.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Boa noite
- Desculpa, eu não posso te dar boa noite porque tu tá tão diferente que eu nem sei quem tu é.
João Guilherme, 05 anos, após me ver lisa-pós-escova-progressiva.
João Guilherme, 05 anos, após me ver lisa-pós-escova-progressiva.
domingo, 18 de abril de 2010
Infálivel
Receita contra TPM: brigadeiro de ovomaltine.
Indicação: no caso de ataques de fúria e de choro.
Contra-indicação: para mulher em TPM não existe #%$$@ nenhuma de contra-indicação.
Dosagem: liberada. Se persistirem os sintomas, chore mais um pouco, abra mais uma lata de leite condensado e repita a receita.
Indicação: no caso de ataques de fúria e de choro.
Contra-indicação: para mulher em TPM não existe #%$$@ nenhuma de contra-indicação.
Dosagem: liberada. Se persistirem os sintomas, chore mais um pouco, abra mais uma lata de leite condensado e repita a receita.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Coisas do coração
Na semana passada, estourei um balão no aniversário de uma amiga, que tinha dentro a seguinte frase de Osho: "Opte por aquilo que faz seu coração vibrar, apesar de todas as consequências". A frase é linda e ela tem absolutamente tudo a ver comigo e meu jeito de ser. Mas ter um coração que obedece a esta regra faz com que pessoas como eu, optem por jamais abrir mão de alguns momentos de felicidade intensa, mesmo sabendo que eles podem ser seguidos de um vazio absoluto.
O que não está dito em lugar algum é que eu não sei de coisa nenhuma. Quem disse que gosto de viver intensamente um momento pra depois sofrer com a falta dele? Por trás de cada escolha que eu faço, desse tipo que faz o meu coração vibrar, eu estou acreditando que não é apenas um momento; eu estou enxergando um começo, um meio, um caminho, nunca um fim. É aí que está a minha grande falha: quando o meu coração vibra eu enxergo longe, mesmo com uma nuvem enorme na minha frente, porque eu sempre acredito que aquela nuvem pode desaparecer. Deve ser por isso que é muito mais fácil ser feliz sem tanto esperar, sem tanto querer e sem tanto acreditar, porque assim conseqüentemente vamos nos frustrar muito menos.
Li esses dias uma reportagem justamente sobre ser feliz. Nela, o cara (que não vou lembrar o nome pra fazer os devidos créditos) fala que estar feliz é uma coisa muito subjetiva. Se te perguntarem se estás feliz, a tua resposta pode ser influenciada por acontecimentos recentes. Se tiver acabado de receber uma grana inesperada ou de assistir um show do teu cantor favorito, o sim virá imediatamente. Se tiver acabado de cair e de se machucar ou se tiver perdido alguma coisa importante, por melhor que o resto da vida esteja, provavelmente uma raiva súbita gere um não como resposta. E por isso o verbo usado na pergunta é "estar", no lugar de "ser". Ser feliz é um estado de espírito muito mais constante, que até pode ser abalado em algum momento, mas não é definido por apenas um momento.
E aí eu fico me perguntando. Será que então ser feliz é abrir mão da vibração? Será que ser estável e constante como um carrossel é realmente mais feliz do que (curtir) os altos e (sofrer com os) baixos de uma montanha russa? Talvez um dia eu acredite nisso e seja feliz. Provavelmente no dia em que meu coração pare de mandar em mim. Por enquanto ele segue mandando. E pedindo pra vibrar. Ou pelo menos brilhar.
" I knew a girl
her name was truth
she was a horrible liar
she couldn't spend one day alone
but she couldn't be satisfied
When you have everything
you have everything to lose
she made herself a bed of nails
and she's planning on putting it to use
But she had diamonds on the inside"
her name was truth
she was a horrible liar
she couldn't spend one day alone
but she couldn't be satisfied
When you have everything
you have everything to lose
she made herself a bed of nails
and she's planning on putting it to use
But she had diamonds on the inside"
domingo, 4 de abril de 2010
Destino
- Você poderia me dizer, por gentileza, como é que eu faço para sair daqui?
- Isso depende muito de para onde você pretende ir - disse o gato.
- Para mim tanto faz para onde quer que seja...- respondeu Alice.
- Então pouco importa o caminho que você tome - disse o gato.
- ... contanto que eu chegue em algum lugar...
O diálogo é do livro Alice no país das Maravilhas.
Mas poderia perfeitamente ser entre eu e eu mesmo.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Ponto de partida
Anda sobrando vontade mas faltando músculos para as
minhas corridas. Percebi que preciso entrar numa academia com
urgência. Quando fui escolher a academia, a primeira coisa que pensei foi
na localização.
Seria bom que ficasse perto da minha casa. Uhm, ainda não
tenho a minha casa. Bom, talvez então próxima do meu trabalho? Veja bem,
ainda não tenho um trabalho. Já sei, perto da casa do meu namorado. Que
coisa, não existe um namorado. Mas também, pra que complicar se tudo pode
ser tão simples? Não dá pra querer ter tudo ao mesmo tempo. Uma coisa de
cada vez então, começando pelo mais fácil... a academia.
sábado, 27 de março de 2010
Pode espiar a vontade
É como se fosse um BBB pessoal. A gente é escolhida - não exatamente pelo Boninho - arruma as malas e entra na casa. No começo tudo é bom, tudo é festa, tudo é novidade. Mas de repente passa o tempo e vem uma espécie de sofrimento, de angústia, de saudade, de solidão, de dúvida, de o-que-é-que-eu-vim-fazer-aqui-mesmo.
"Não sei mais se quero ficar, acho que eu quero sair, mas e o dinheiro todo que eu vim até aqui conquistar, e o pior, o que os outros vão pensar?".
Do lado de fora da casa, enquanto espiam o que se passa lá dentro, as pessoas torcem, vibram, criticam, opinam. Opinião inclusive é o que nunca falta. "Ela está muito quieta", "Ela deveria se impor mais", "Ela deveria se envolver com alguém", "Ah, mas que coisa chata, foi até lá por que quis e agora fica chorando pelos cantos", "Desse jeito ela vai acabar no paredão!". Todo mundo sempre acha que se estivesse no lugar "dela" faria diferente, provavelmente melhor. Na hora da eliminação, damos de cara com familiares, amigos e micos de auditório te esperando do lado de fora num misto de felicidade, curiosidade e decepção. Definitivamente é um BBB. Só não vou abraçar o Bial, nem ser convidada pra posar pra Plaiboy. Mas taí o Dourado que não me deixa mentir: a gente sempre pode voltar e fazer tudo diferente.
"Não sei mais se quero ficar, acho que eu quero sair, mas e o dinheiro todo que eu vim até aqui conquistar, e o pior, o que os outros vão pensar?".
Do lado de fora da casa, enquanto espiam o que se passa lá dentro, as pessoas torcem, vibram, criticam, opinam. Opinião inclusive é o que nunca falta. "Ela está muito quieta", "Ela deveria se impor mais", "Ela deveria se envolver com alguém", "Ah, mas que coisa chata, foi até lá por que quis e agora fica chorando pelos cantos", "Desse jeito ela vai acabar no paredão!". Todo mundo sempre acha que se estivesse no lugar "dela" faria diferente, provavelmente melhor. Na hora da eliminação, damos de cara com familiares, amigos e micos de auditório te esperando do lado de fora num misto de felicidade, curiosidade e decepção. Definitivamente é um BBB. Só não vou abraçar o Bial, nem ser convidada pra posar pra Plaiboy. Mas taí o Dourado que não me deixa mentir: a gente sempre pode voltar e fazer tudo diferente.
sexta-feira, 19 de março de 2010
quinta-feira, 18 de março de 2010
Sonífera ilha
Taxistas não gostam de levar quando o trajeto é curto.
Barqueiros não gostam de levar quando o trajeto é longo.
E eu que sou a complicada...
Barqueiros não gostam de levar quando o trajeto é longo.
E eu que sou a complicada...
sábado, 13 de março de 2010
Eternamente criança
Quando eu era criança ficava preocupada com qualquer inseto que entrasse no carro, porque eles iam pra muito longe da casa deles e iam acabar se perdendo da família e dos amigos. Tinha também a mania de salvar as minhocas que eu encontrava se debatendo na calçada quente.
Quando eu era criança, arrancava a casquinha de toda e qualquer ferida muito antes dela cicatrizar. E chorava, por qualquer coisa, não só quando caía e me machucava.
Quando eu era criança gastava toda minha mesada bem antes do fim do mês. E não entendia porque a casa da moeda simplesmente não imprimia mais notas e distribuia pras pessoas pobres e pra mim também.
Quando eu era criança gastava toda minha mesada bem antes do fim do mês. E não entendia porque a casa da moeda simplesmente não imprimia mais notas e distribuia pras pessoas pobres e pra mim também.
Quando eu era pequena em dia de chuva, ficava na janela vendo a rua lá de baixo encher e tinha muito medo que o mundo acabasse submerso. Nessa época eu morria de medo de injeção, de morcego e da morte.
Quando eu era criança eu sempre deixava a melhor parte da comida pro fim, mesmo que isso significasse comer a massa de panqueca sem o recheio. E nunca sabia escolher uma sobremesa só, tinha sempre que pegar um pedacinho de cada doce disponível pra só então decidir qual era o melhor.
Quando eu era criança mirava em algum lugar pra acertar um alvo nunca sem antes pensar: se eu acertar é porque ele gosta de mim, ou algo parecido com isso. E eu acreditava que um dia ia conhecer o meu príncipe encantado que me faria feliz para sempre.
Quando eu era criança esperava ansiosamente pelo dia do meu aniversário. O que eu não poderia imaginar é que chegaria aos 33 anos e continuaria igualzinha, fazendo todas essas coisas.
sexta-feira, 12 de março de 2010
La cucaracha
Da lista das coisas não legais: encontrar uma barata no box durante o banho, toda ensaboada. Ensaboada eu, não a barata.
quarta-feira, 10 de março de 2010
Cantada de verão
Íamos eu e meu vestido verde trabalhar quando passa a kombi:
- Cidade de Deus, Barra Shopping, ôôô meu pai, se verde é assim imagina madura.
- Cidade de Deus, Barra Shopping, ôôô meu pai, se verde é assim imagina madura.
Click
Viajar sozinha tem vantagens incríveis. Mas uma das maiores desvantagens está no quesito fotos. Eu estico o braço, ponho a câmera onde precisar colocar, mas volta e meia acabo atacando alguém para ser meu fotógrafo por uns instantes. Como as pessoas estão fazendo um favor, procuro não fazer sugestões (óbvias), do tipo "tenta não se mexer enquanto bate a foto", "tenta não cortar alguma coisa" e principalmente a minha preferida (não tão óbvia) "tenta tirar a foto sem outras pessoas". Pelo menos é o que eu tento fazer quando me pedem uma foto.
Quando vejo os resultados tenho vontade de chorar. Ainda assim sorrio, agradeço, mas não deixo de ficar sempre me perguntando: como, meu Santo Deus, as pessoas conseguem, ou melhor, não conseguem? Estão logo ali eu e o monumento-alvo-ponto turístico-whathever, é pegar, enquadrar e click, feito o carreto. Não adianta, e eu mesma sei o porquê: as pessoas querem mais é se livrar da tua maldita câmera de uma vez e continuar fazendo seja lá o que for, mas que com certeza é mais importante ou divertido do que tirar a tua foto. Mas a educação faz com que, mesmo assim, eles aceitem pegar tua câmera.
Como na vez em que subi correndo numa mureta escondida dos seguranças no Cristo Redentor, abri meus braços para a foto e o gringo cortou a mão do Cristo fora. Ou noutra, quando estava na casa de Julieta em Verona depois de enfrentar uma fila imensa para tirar uma foto com a estátua da própria, e a fotógrafa escolhida optou por enquadrar apenas meia cabeça de Julieta. Teve também a vez que consegui um momento sem pessoas no Museu Salvador Dali para posar na frente da obra com o carro e a estátua e o fotógrafo da vez decepou a cabeça da dita cuja. Ou em Girona, quando pedi uma foto e expliquei: eu a escada e a Igreja, que era linda. Pois então, só faltou a igreja.
Mas aí acabo lembrando que tudo sempre pode ser pior. Como na foto que pedi para um casal de espanhóis em Montserrat, pertinho de Barcelona. Expliquei: eu e a paisagem. E acreditem, eu não apareci na foto.
Quando vejo os resultados tenho vontade de chorar. Ainda assim sorrio, agradeço, mas não deixo de ficar sempre me perguntando: como, meu Santo Deus, as pessoas conseguem, ou melhor, não conseguem? Estão logo ali eu e o monumento-alvo-ponto turístico-whathever, é pegar, enquadrar e click, feito o carreto. Não adianta, e eu mesma sei o porquê: as pessoas querem mais é se livrar da tua maldita câmera de uma vez e continuar fazendo seja lá o que for, mas que com certeza é mais importante ou divertido do que tirar a tua foto. Mas a educação faz com que, mesmo assim, eles aceitem pegar tua câmera.
Como na vez em que subi correndo numa mureta escondida dos seguranças no Cristo Redentor, abri meus braços para a foto e o gringo cortou a mão do Cristo fora. Ou noutra, quando estava na casa de Julieta em Verona depois de enfrentar uma fila imensa para tirar uma foto com a estátua da própria, e a fotógrafa escolhida optou por enquadrar apenas meia cabeça de Julieta. Teve também a vez que consegui um momento sem pessoas no Museu Salvador Dali para posar na frente da obra com o carro e a estátua e o fotógrafo da vez decepou a cabeça da dita cuja. Ou em Girona, quando pedi uma foto e expliquei: eu a escada e a Igreja, que era linda. Pois então, só faltou a igreja.
Mas aí acabo lembrando que tudo sempre pode ser pior. Como na foto que pedi para um casal de espanhóis em Montserrat, pertinho de Barcelona. Expliquei: eu e a paisagem. E acreditem, eu não apareci na foto.
terça-feira, 9 de março de 2010
Navegar é preciso
Preciso de dicas de sites muito legais, daqueles onde a gente se perde navegando e esquece do tempo que esqueceu de passar.
segunda-feira, 8 de março de 2010
sábado, 6 de março de 2010
Sem luz
Quando acabar a bateria do laptop vou praticar meu esporte favorito: pensamento de bobagem a distância.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Saudades das coisas simples
Tinha uma época em que íamos no supermercado e comprávamos xampu e condicionador. Marcas a parte, podíamos eleger entre as opções para cabelos secos, normais ou oleosos. Pouco vejo esses nomes hoje em dia. As opções de xampus e condicionadores se dividem em cabelos finos, ondulados, crespos, com frizz, lisos, compridos, tingidos, mistos, escuros, claros, grisalhos. E se meu cabelo é oleoso na raiz, seco nas pontas, ondulado e com frizz, qual eu compro?
E absorventes? Vocês já observaram o tamanho da prateleira de absorventes? Pudera. Tem suave, seca, sempre seca, ultra seca, estreito atrás, noturno, compacto, básico, diário, anti odores, dry max, termo control, teen. Esses dias eu tive que parar a moça na farmácia para me ajudar: "Por favor, só me diz uma coisa: "Esse aqui é de plástico ou de algodão? Porque sem abas eu desisti de encontrar, vou cortas elas fora.".
Fora das prateleiras de supermercados e farmácias a coisa também complicou. Chegando num instituto especializado em depilação, me deparei com uma lista de 30 possíveis partes a serem depiladas, sendo que destas 30, pelo menos 15 são subdivisões ou combinações de depilação da virilha. E ainda assim, no momento em que deitamos naquela cadeira onde fazemos posições mais elaboradas do que o kama sutra poderia imaginar, ainda temos que ficar gesticulando, apontando e perguntando: "Mas moça, essa partezinha aqui ó, não está incluída na cavada? Não?".
Saudades das coisas simples. De quando eu comprava creme rinse e modess. E pedia pra minha depiladora fazer meia perna, axila e virilha.
terça-feira, 2 de março de 2010
Dias menores virão
O tremor no Chile encurtou o dia em 1,26 microssegundos. E eu que já achava ele curto... agora ferrou.
Cegueira seletiva
Eu decidi fechar meus olhos e ser burra pra sempre em relação a alguns assuntos. Amor e imposto de renda são dois deles.
Parágrafo
Ponto final.
Vira a página.
Nova linha.
Espera aí.
Volta.
Arranca a página.
Rasga.
Amassa.
Sorri.
Agora sim.
Nova linha.
Vira a página.
Nova linha.
Espera aí.
Volta.
Arranca a página.
Rasga.
Amassa.
Sorri.
Agora sim.
Nova linha.
O Rio de Janeiro continua... aqui
Ontem foi aniversário do Rio de Janeiro, 445 anos. Assisti várias reportagens na televisão com imagens e mais imagens da cidade maravilhosa onde estou morando. Ouvi sobre as paisagens deslumbrantes, a quantidade de bares, hotéis e restaurantes, os 100 km de ciclovias que a cidade oferece, entre tantos outros elogios.
.:.
Exatamente nesta semana de aniversário do Rio, decidi pôr em prática um plano de redução de despesas, atacando em todas as frentes possíveis. Uma delas foi o transporte. Prestes a me tornar a mais nova proprietária de uma bicicleta, fui analisar os tais 100 km de ciclovias disponíveis. E a triste notícia pra mim foi que grande parte destes quilômetros de ciclovia, estão distribuídos pela orla carioca ou travessias de florestas, com uma grande concentração, obviamente, na zona sul, onde vários bairros são interligados por elas. Vias que me permitissem ir até o trabalho pedalando ou não existem ou estão apenas projetadas, portanto ir trabalhar de bicicleta hoje seria uma decisão um tanto kamikaze para uma ciclista amadora que sonha com uma simples bici para passeio como eu. Ainda assim, disposta a ecomomizar mas deixando a bicicleta apenas para passear na beira da praia, fiz algumas trocas nos meus meios de transporte. Alterei minha travessia de barco para uma travessia mais curta e barata que me faz caminhar por 15 minutos e alterei o ônibus que me leva pro trabalho por outro que custa a metade do preço mas que tem o trajeto complementado com mais 15 minutos de caminhada. Digamos que vou unir o útil ao saudável, porque agradável não seria uma boa forma de definir estes percursos. Fiquei curiosa pra saber quantos quilômetros temos no Rio de ruas e avenidas sem calçamento para pedestres. Não adianta. Sempre existem aquelas pequenas coisas que descobrimos e passamos a odiar em um lugar somente quando conhecemos ele um pouco melhor.
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Em meio a eterna briga carioca entre a beleza e o caos, sigo tentando me apaixonar pela cidade maravilhosa. Sigo tentando enxergar o Rio com os mesmos olhos que as pessoas que visitam a cidade por alguns dias enxergam, visão que faz com que saiam daqui já pensando em voltar. Sigo querendo descobrir aquelas pequenas coisas que passamos a amar em algum lugar somente quando conhecemos ele um pouco melhor. Mas sem exigir demais, queria que essa descoberta fosse um pouco além das paisagens deslumbrantes, da quantidade de bares, hotéis e restaurantes ou dos 100 km de ciclovias que a cidade oferece.
segunda-feira, 1 de março de 2010
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Ô moço, filma eu
Últimos dias de gravação no morro, de segunda a quarta abaixo de um sol escaldante, panturrilhas latejando de tanto subir e descer escadas. Carro pipa e mangueiras preparadas para o efeito especial de chuva, necessário em algumas das cenas, quando o diretor decide:
- Pessoal, vamos mudar a ordem da gravação, deixamos a cena do temporal para quinta que está com previsão de chuva de verdade.
Chega a quinta-feira e a metereologia não falha: já amanhece chovendo. Capas de chuva a postos, molha alguma coisa aqui, protege da chuva ali e depois de algumas horas abaixo de temporal o diretor volta a entrar em cena:
- Pessoal, não vai dar pra gravar com chuva, vamos ter que deixar para amanhã se parar de chover.
(já não sei se torço por sol ou por chuva amanhã pra acabar com isso de uma vez)
.:.
Cena difícil, vários figurantes, e aos gritos o diretor tenta coordenar:
- Por favor gente, sem rir, sem olhar para a câmera se não vamos ter que gravar de novo.
(imagino as pobres pessoas tentando controlar a felicidade sabendo que vão aparecer na novela)
.:.
Estou parada na janela do barraco quando se aproximam duas guriazinhas sorrindo:
- Oi, tudo bem?
- Tudo bem e com vocês?
- Tudo bem também. Olha só, é você que vai ser a mãe da Natália na novela?
(vou ficar só com a parte de terem achado que eu era atriz e ignorar o fato de a Natália ter vinte e poucos anos)
- Pessoal, vamos mudar a ordem da gravação, deixamos a cena do temporal para quinta que está com previsão de chuva de verdade.
Chega a quinta-feira e a metereologia não falha: já amanhece chovendo. Capas de chuva a postos, molha alguma coisa aqui, protege da chuva ali e depois de algumas horas abaixo de temporal o diretor volta a entrar em cena:
- Pessoal, não vai dar pra gravar com chuva, vamos ter que deixar para amanhã se parar de chover.
(já não sei se torço por sol ou por chuva amanhã pra acabar com isso de uma vez)
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Cena difícil, vários figurantes, e aos gritos o diretor tenta coordenar:
- Por favor gente, sem rir, sem olhar para a câmera se não vamos ter que gravar de novo.
(imagino as pobres pessoas tentando controlar a felicidade sabendo que vão aparecer na novela)
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Estou parada na janela do barraco quando se aproximam duas guriazinhas sorrindo:
- Oi, tudo bem?
- Tudo bem e com vocês?
- Tudo bem também. Olha só, é você que vai ser a mãe da Natália na novela?
(vou ficar só com a parte de terem achado que eu era atriz e ignorar o fato de a Natália ter vinte e poucos anos)
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Escalas
Quando fui assistir "Amor sem escalas" já sabia que o filme era bom, mas não sabia ainda por onde ele iria me pegar (fora a parte do personagem principal ser o Gerorge Clooney). Isso até o momento em que o personagem dele começou a dar uma palestra pedindo aos participantes que enchessem uma mochila com tudo o que eles tivessem, desde as mínimas coisas até as grandes. E depois de tudo isso tentassem andar. Entendi a mensagem do desapego e automaticamente me transportei para a palestra e fiz o mesmo. Me dei conta que até aí não tive muitos problemas. Em termos, é claro. Obviamente não consegui mudar de cidade trazendo uma mínima mala de mão. Foram várias malas, trazidas por inúmeras mãos além das minhas próprias. Mas apesar do peso da minha "mochila", eu consegui me mexer. Lembro perfeitamente de cada livro, roupa ou quadro que ficou pra trás, mas consigo viver sem eles. Talvez pelo simples fato de saber que eles seguem lá, mas consigo.
O problema começou quando em outra palestra ele falou das pessoas. Comecei a colocar cada uma das pessoas que importam na minha mochila. E ela ficou bem pesada. Mesmo assim eu ainda consegui me mexer. Só que deste "peso" eu sinto muita falta, porque diferente dos livros, das roupas e dos quadros, não me basta saber que as pessoas seguem lá. Eu quero ler elas, eu quero "usar" elas, eu quero ver elas, eu quero sentir elas, eu quero viver elas. E com elas. E de repente ficou fácil entender porque é tão difícil.
Acho incrível todas essas pessoas que mudam, que se livram do peso ou que nem mesmo tem peso. Pessoas que nunca se apegam, ou que se desapegam e que voltam a se apegar mas por outras coisas, por outras pessoas, por outros lugares, porque as vezes descobrem que estavam até então no lugar errado; pessoas que fazem de uma escala a sua escolha.
Mas definitivamente não vejo problema em decidir por ficar parado. Não acho um defeito ser apegado. É apenas uma escolha que só pode fazer quem já sentiu o peso da sua própria mochila nas costas.
O problema começou quando em outra palestra ele falou das pessoas. Comecei a colocar cada uma das pessoas que importam na minha mochila. E ela ficou bem pesada. Mesmo assim eu ainda consegui me mexer. Só que deste "peso" eu sinto muita falta, porque diferente dos livros, das roupas e dos quadros, não me basta saber que as pessoas seguem lá. Eu quero ler elas, eu quero "usar" elas, eu quero ver elas, eu quero sentir elas, eu quero viver elas. E com elas. E de repente ficou fácil entender porque é tão difícil.
Acho incrível todas essas pessoas que mudam, que se livram do peso ou que nem mesmo tem peso. Pessoas que nunca se apegam, ou que se desapegam e que voltam a se apegar mas por outras coisas, por outras pessoas, por outros lugares, porque as vezes descobrem que estavam até então no lugar errado; pessoas que fazem de uma escala a sua escolha.
Mas definitivamente não vejo problema em decidir por ficar parado. Não acho um defeito ser apegado. É apenas uma escolha que só pode fazer quem já sentiu o peso da sua própria mochila nas costas.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Andando na contramão
Há mais ou menos um ano me convidaram pra fazer um tour por alguma das favelas do Rio. Era minha primeira visita turística à cidade e me recusei terminantemente. Não sei se por falta de vontade ou por implicância, mas o Cristo Redentor, o Pão de Açúcar e o Leblon com certeza ficaram com a minha preferência. Por ironia do destino, mais ou menos um ano depois, acabei optando por acompanhar as gravações de externas no meu trabalho e ainda enfatizei: principalmente quando tiver gravação lá na favela.
Sob um calor dos infernos de uma quarta-feira à tarde, subi pela primeira vez o Morro Dona Marta. Ou melhor, desci. Fomos de carro até a unidade da Polícia Pacificadora pra de lá pegar o bondinho e descer até o local da nossa obra, bem ao lado da laje onde foi gravado o clip do Michael Jackson. Pegar a câmera da bolsa foi automático. Entre crianças soltando pipa, adolescentes desconfiados e meninas posando para fotos, fui andando e fotografando aquele mundo tão próximo de nós, mas que vive uma realidade incrivelmente distante. E confesso que descobri que, apesar do colorido de muitas fotos, a minha resposta negativa há mais ou menos um ano não se tratou de implicância nem de falta de vontade. Foi medo mesmo. Porque diferente da Madonna ou da Beyoncé que passaram pelas mesmas calçadas que eu passei ainda esses dias, eu não estava passeando por lá com um bando de seguranças a tiracolo. Não sei até que ponto vai a tolerância, o respeito e a paz entre as pessoas, nem mesmo o quanto é preciso pra ela (voltar a) virar uma guerra (e isso vai muito além das relações em uma favela). O livro Abusado está na cabeceira da minha cama pra me ajudar a entender um pouco melhor tudo isso, mas acho que ele não vai colaborar muito para me fazer deixar de lado o medo a cada vez que for lá.
.:.
Mais na contramão do que decidir trabalhar na favela, só mesmo estar neste exato momento fugindo do Carnaval no Rio.
Sob um calor dos infernos de uma quarta-feira à tarde, subi pela primeira vez o Morro Dona Marta. Ou melhor, desci. Fomos de carro até a unidade da Polícia Pacificadora pra de lá pegar o bondinho e descer até o local da nossa obra, bem ao lado da laje onde foi gravado o clip do Michael Jackson. Pegar a câmera da bolsa foi automático. Entre crianças soltando pipa, adolescentes desconfiados e meninas posando para fotos, fui andando e fotografando aquele mundo tão próximo de nós, mas que vive uma realidade incrivelmente distante. E confesso que descobri que, apesar do colorido de muitas fotos, a minha resposta negativa há mais ou menos um ano não se tratou de implicância nem de falta de vontade. Foi medo mesmo. Porque diferente da Madonna ou da Beyoncé que passaram pelas mesmas calçadas que eu passei ainda esses dias, eu não estava passeando por lá com um bando de seguranças a tiracolo. Não sei até que ponto vai a tolerância, o respeito e a paz entre as pessoas, nem mesmo o quanto é preciso pra ela (voltar a) virar uma guerra (e isso vai muito além das relações em uma favela). O livro Abusado está na cabeceira da minha cama pra me ajudar a entender um pouco melhor tudo isso, mas acho que ele não vai colaborar muito para me fazer deixar de lado o medo a cada vez que for lá.
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Mais na contramão do que decidir trabalhar na favela, só mesmo estar neste exato momento fugindo do Carnaval no Rio.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Dieta é dose
Com o passar dos anos eu fui enjoando de iogurte, de barra de cereal, de maçã. Agora pergunta se eu já enjoei de leite condensado por acaso?
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Medalha de prata
O Rio de Janeiro é o 2º lugar mais quente do mundo neste verão. Imagino que delícia deve estar em Gana, que arrematou o primeiro lugar.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Ex cidade
Porto Alegre pra mim é como ex depois de levar um fora: enchia de defeitos quando tava perto; agora que tô longe só enxergo as qualidades.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Daqui a muitos anos, numa terra desconhecida...
- E aí meu neto, a vó pegou tudo que tinha e vendeu pra se juntar com aquele que eu pensei lá pelas tantas que seria teu avô. Cama, fogão, geladeira, tudo, tudinho. Sobrou meia dúzia de móveis, como esse aqui onde a vó ainda guarda a roupa de cama. Mal sabia eu...
- Não deu certo vó?
- Mas não durou nem nove meses, meu filho! Tu não estaria aí hoje! Então depois de nove meses a vó foi lá, alugou um apartamentinho bem pequeninho e comprou tudo de novo, teu bisavô emprestou um dinheirinho e eu refiz a minha casa.
- O bisa é um cara legal, né vó?
- Naquele tempo ele me achava um pouco tan tan, mas ele sempre foi ótimo. Ele e a tua bisa só tiveram certeza de que eu era tan tan mesmo, pouco mais de um ano depois, no dia em que disse que ia vender tudo de novo, morar uns tempos no apartamento da tua tia avó junto com teus tios avôs, pra no meio do ano me mudar pra a Espanha.
- Espanha vó? A senhora morou na Espanha?
- Humpf. Era pra ter morado. Ah, Barcelona... fui até lá estudar, mas aqueles sem vergonhas daqueles catalães cancelaram o meu curso. Desempregada e sem o tal curso, tua vó colocou uma mochila nas costas e ficou por quase um mês viajando pela Europa. Essas coisas todas aí da estante, a Torre, a Máscara, o Pinocchio, essa boca que é de um artista muito famoso, tudo a vó trouxe dessa viagem. Foi lindíssima...
- E quando a senhora voltou, fez o que?
- Segui trabalhando, segui morando com teus tios, procurando uma casa para morar em Porto Alegre, mas tinha alguma sarna coçando mais uma vez, e um belo dia a tua vó aqui decidiu que queria se mudar pro Rio de Janeiro.
- De novo vó? Mas a senhora não parava quieta nunca?
- É meu filho, eu tinha muita energia e acho que não sabia muito bem onde colocar. Fiz minhas malas, deixei minhas poucas coisas na casa da minha irmã e me fui.
- E gostou de lá vó? O Rio é tão bonito! E a senhora adora praia até hoje!
- É bonito sim... mas eu quase enlouqueci naquela terra. Grande demais... pra mim, que sou de Gramado então? Me sentia perdida! Muito barulho, muita gente, muito trânsito, e tudo tão longe que só vendo. Ainda bem que tinha grandes amigos lá. Fiquei mais de um mês hospedada de casa em casa, parecia uma cigana! Mas era a Globo, né meu filho, eu não podia deixar de trabalhar lá.
- Nossa vó, a senhora trabalhou na Globo!
- Trabalhei sim. Mas a melhor parte vem agora. Sabe o que a tua vó fez pra se livrar dessa cidade grande que tanto assustava ela? Foi morar em uma ilha!
- Uma ilha vó? No Rio? Mas chegava como até lá?
- Pega aquela foto ali na estante. Tá aqui ó: Ilha da Gigóia é o nome dela. Tá vendo esse barquinho na lagoa? Tinham vários deles que davam toda a volta na ilha e me deixavam na porta da pousada. Pra ir trabalhar de manhã, era só tocar o sino que um deles vinha me pegar. A melhor parte do dia era quando eu descia do ônibus depois do trabalho, caminhava até a beira da lagoa e subia no barquinho. No verão, aquela era a única hora do dia em que soprava um ventinho no rosto. Eu fechava os olhos e agradecia por ter encontrado aquele lugar maravilhoso!
- Nossa vó quanta história legal! Tá, mas me conta uma coisa: e quando foi que a senhora conheceu o nosso vô?
- Mas sabe que é engraçado, meu filho, essa parte eu não consigo me lembrar? A vó tá ficando caduca, deixa isso pra lá.
É... acho que já não posso me queixar de falta de histórias pra contar pros meus netos.
- Não deu certo vó?
- Mas não durou nem nove meses, meu filho! Tu não estaria aí hoje! Então depois de nove meses a vó foi lá, alugou um apartamentinho bem pequeninho e comprou tudo de novo, teu bisavô emprestou um dinheirinho e eu refiz a minha casa.
- O bisa é um cara legal, né vó?
- Naquele tempo ele me achava um pouco tan tan, mas ele sempre foi ótimo. Ele e a tua bisa só tiveram certeza de que eu era tan tan mesmo, pouco mais de um ano depois, no dia em que disse que ia vender tudo de novo, morar uns tempos no apartamento da tua tia avó junto com teus tios avôs, pra no meio do ano me mudar pra a Espanha.
- Espanha vó? A senhora morou na Espanha?
- Humpf. Era pra ter morado. Ah, Barcelona... fui até lá estudar, mas aqueles sem vergonhas daqueles catalães cancelaram o meu curso. Desempregada e sem o tal curso, tua vó colocou uma mochila nas costas e ficou por quase um mês viajando pela Europa. Essas coisas todas aí da estante, a Torre, a Máscara, o Pinocchio, essa boca que é de um artista muito famoso, tudo a vó trouxe dessa viagem. Foi lindíssima...
- E quando a senhora voltou, fez o que?
- Segui trabalhando, segui morando com teus tios, procurando uma casa para morar em Porto Alegre, mas tinha alguma sarna coçando mais uma vez, e um belo dia a tua vó aqui decidiu que queria se mudar pro Rio de Janeiro.
- De novo vó? Mas a senhora não parava quieta nunca?
- É meu filho, eu tinha muita energia e acho que não sabia muito bem onde colocar. Fiz minhas malas, deixei minhas poucas coisas na casa da minha irmã e me fui.
- E gostou de lá vó? O Rio é tão bonito! E a senhora adora praia até hoje!
- É bonito sim... mas eu quase enlouqueci naquela terra. Grande demais... pra mim, que sou de Gramado então? Me sentia perdida! Muito barulho, muita gente, muito trânsito, e tudo tão longe que só vendo. Ainda bem que tinha grandes amigos lá. Fiquei mais de um mês hospedada de casa em casa, parecia uma cigana! Mas era a Globo, né meu filho, eu não podia deixar de trabalhar lá.
- Nossa vó, a senhora trabalhou na Globo!
- Trabalhei sim. Mas a melhor parte vem agora. Sabe o que a tua vó fez pra se livrar dessa cidade grande que tanto assustava ela? Foi morar em uma ilha!
- Uma ilha vó? No Rio? Mas chegava como até lá?
- Pega aquela foto ali na estante. Tá aqui ó: Ilha da Gigóia é o nome dela. Tá vendo esse barquinho na lagoa? Tinham vários deles que davam toda a volta na ilha e me deixavam na porta da pousada. Pra ir trabalhar de manhã, era só tocar o sino que um deles vinha me pegar. A melhor parte do dia era quando eu descia do ônibus depois do trabalho, caminhava até a beira da lagoa e subia no barquinho. No verão, aquela era a única hora do dia em que soprava um ventinho no rosto. Eu fechava os olhos e agradecia por ter encontrado aquele lugar maravilhoso!
- Nossa vó quanta história legal! Tá, mas me conta uma coisa: e quando foi que a senhora conheceu o nosso vô?
- Mas sabe que é engraçado, meu filho, essa parte eu não consigo me lembrar? A vó tá ficando caduca, deixa isso pra lá.
É... acho que já não posso me queixar de falta de histórias pra contar pros meus netos.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Cinquenta e dois minutos de corrida e cinco minutos de fama
Minha terceira corrida no Rio, segunda este ano, mas a primeira com um cenário de tirar o fôlego. Depois de quase derreter por duas vezes no Aterro do Flamengo, o que também de certa maneira me tirou o fôlego, me inscrevi nos 8km da Summer Runs Leblon-Leme. Ter o mar ali do lado em tempo integral é realmente inspirador, apesar da tentação de sair correndo pela direita e me jogar nele ter sido enorme. Outra coisa engraçada neste trajeto, é que óbviamente não existe trânsito de carros, mas como fazem todos os banhistas que querem atravessar até a praia? Esperam a manada passar ou torcem pra se salvar do atropelamento? Entre corredores, velhinhas, cachorros e seus donos, gringos e carregadores de cadeiras de praia, todos sobreviveram. Pontos para a estrutura com spray de vapor d'água no meio do percurso proporcionando mais ou menos um segundo de puro prazer. Pontos para os ventiladores com vapor d'água na chegada da prova proporcionando alguns segundos a mais de prazer. Muitos pontos para o Gatorade extra gelado na chegada da prova. Pra completar, bem suada e acabada, fui entrevistada pelo blog da Nike Corre. Várias corridas... uhm... três corridas já podem ser consideradas várias, não?
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Amor aos pedaços
Não quero nada pela metade.
Não quero nada.
Não quero.
Não.
Porque pela metade vai ser sempre muito diferente do que por inteiro.
Amor aos pedaços - reportagem deste mês na revista Vida Simples que mostra um ensaio fotográfico feito em Polaroide pelo fotógrafo Colombiano Juan Felipe Rubio chamado "Escena entre parejas anónimas".
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Capaz!
"Pesquisa comprova que as pessoas são mais felizes aos finais de semana".
Precisava perder tempo pesquisando isso?
Where the Wild Things Are
- Will you keep out all the sadness?"
- I have a sadness-shield that keeps out all the sadness, and it's big enough for all of us.
- I have a sadness-shield that keeps out all the sadness, and it's big enough for all of us.
Porto Gramado Alegrense
Há alguns dias um amigo de infância me convidou para escrever num Blog sobre Gramado. Como boa (?) gramadense que sou, prontamente topei e em seguida meu nome estava lá na lista dos membros da equipe. Ontem quando abri a página pra começar a contribuir, de preferência fazendo aquilo que mais gosto de fazer, escrevendo, nada aconteceu.
“Merda, fiquei de escrever hoje e eu não funciono assim, eu escrevo quando vem, e não tá vindo!”
(conversa entre eu e eu mesma em voz alta na frente do computador)
Só que eu não costumo parar e ficar na frente do computador tendo esses tipos de conversas comigo mesma confabulando “O que eu poderia escrever agora... deixa eu ver...”. É óbvio que não. O motivo, o assunto, a vontade, a bobagem, o desabafo, vem espontaneamente e de uma tacada só.
Me concentrei na cidade, fechei os olhos e... vou escrever o que mesmo? Em seguida, lendo os posts já escritos e pensando um pouco mais, me dei conta que o problema estava justamente na palavra que usei pra definir o meu amigo: de infância.
Hoje sou uma Gramadense desnaturada e pior: desnaturalizada. Falo de Porto Alegre com uma propriedade (e com um sotaque segundo minha família...) de Porto Alegrense como se fosse tal. Agora então, morando no Rio, às vezes tenho a cara de pau de responder quando me perguntam “De onde você é?”, que eu sou de Porto Alegre, e com a maior naturalidade, não é descaso com a minha cidade não! Descaso é estar com passagem comprada pra fevereiro e março até Porto Alegre e quase implorar pra que meus pais, irmãos e afilhados estejam lá pra eu não precisar ir “até” Gramado! Até porque nos últimos anos Gramado se reduziu a minha família e ao condomínio da minha irmã, pra onde vou e de onde dificilmente saio nas minhas curtas estadas por lá (minhas quase ex amigas que o digam...).
Saí de lá há exatos 20 anos, poderia ser diferente? Gramado pra mim é sinônimo da palavra como descrevi meu amigo: infância (e um pouco de adolescência, ok, eu não era exatamente uma criança quando pulava Carnaval na Minu). É sinônimo das coisas que descrevi no começo do meu primeiro post. Então como eu poderia agregar num Blog sobre a cidade? Falando do waffle do 25 de julho, minha melhor lembrança do jardim de infância? Do nhoque do falecido restaurante do Hotel Balneário? Da carne de panela da vovó Irma hoje reproduzida pelas minhas tias mas não para o grande público, apenas para a família Tomazelli e seus felizes agregados? Do sorvete com cobertura da Velha Bruxa, caro pra cacete, mas maravilhoso? Da pizza da Casa das Delícias que eu nem sei se ainda existe? Ou da torrada completa do Tênis Clube que só o Marino sabia fazer? E se o assunto for diversão, vou indicar a Boate do Tênis, o Music Bar, o Bar dos Metralhas, a Estação Z, a Boate do Laje ou o Vídeo Bar? Além de nenhum deles existir mais, aí eu me entreguei mais ainda: além de tudo, sou uma Gramadense fajuta que passei 8 anos da minha vida estudando em Canela (e mais três em Novo Hamburgo...) e bem mais do que isso: me divertindo por lá, e não em Gramado. Tem o Bill Bar, é verdade. Mas o Bill Bar do meu tempo, tinha até videokê.
Hoje eu sou capaz de saber indicar mais pousadas na Praia do Rosa do que na minha cidade Natal. Mais passeios na região dos cânions do que na Rota Romântica da qual Gramado faz parte.
Juro: poderia indicar quatro lugares que amo: o Moscerino, o San Tao, a Bodega e o Plátano Dourado (não digo que não sei de nada? Nem existe mais!). Acaba aí meu expertise na cidade. E garanto que esses lugares de tão bons, já devem ser tão conhecidos quanto o Mini-Mundo.
Eu recomendo a minha cidade, principalmente e contraditoriamente agora no verão que é quando não faz aquele maldito frio e justamente por isso deve ter 1/10 dos habituais turistas (eu sou demofóbica, não esqueçam nunca disso). E recomendo mais ainda o Blog Destino Gramado para quem estiver indo pra serra. Com certeza vou ler nele tantas novidades quanto vocês. Porque por exemplo pra mim, o Josephina até ontem não era um café, mas sim a casa do meu primeiro namorado.
“Merda, fiquei de escrever hoje e eu não funciono assim, eu escrevo quando vem, e não tá vindo!”
(conversa entre eu e eu mesma em voz alta na frente do computador)
Só que eu não costumo parar e ficar na frente do computador tendo esses tipos de conversas comigo mesma confabulando “O que eu poderia escrever agora... deixa eu ver...”. É óbvio que não. O motivo, o assunto, a vontade, a bobagem, o desabafo, vem espontaneamente e de uma tacada só.
Me concentrei na cidade, fechei os olhos e... vou escrever o que mesmo? Em seguida, lendo os posts já escritos e pensando um pouco mais, me dei conta que o problema estava justamente na palavra que usei pra definir o meu amigo: de infância.
Hoje sou uma Gramadense desnaturada e pior: desnaturalizada. Falo de Porto Alegre com uma propriedade (e com um sotaque segundo minha família...) de Porto Alegrense como se fosse tal. Agora então, morando no Rio, às vezes tenho a cara de pau de responder quando me perguntam “De onde você é?”, que eu sou de Porto Alegre, e com a maior naturalidade, não é descaso com a minha cidade não! Descaso é estar com passagem comprada pra fevereiro e março até Porto Alegre e quase implorar pra que meus pais, irmãos e afilhados estejam lá pra eu não precisar ir “até” Gramado! Até porque nos últimos anos Gramado se reduziu a minha família e ao condomínio da minha irmã, pra onde vou e de onde dificilmente saio nas minhas curtas estadas por lá (minhas quase ex amigas que o digam...).
Saí de lá há exatos 20 anos, poderia ser diferente? Gramado pra mim é sinônimo da palavra como descrevi meu amigo: infância (e um pouco de adolescência, ok, eu não era exatamente uma criança quando pulava Carnaval na Minu). É sinônimo das coisas que descrevi no começo do meu primeiro post. Então como eu poderia agregar num Blog sobre a cidade? Falando do waffle do 25 de julho, minha melhor lembrança do jardim de infância? Do nhoque do falecido restaurante do Hotel Balneário? Da carne de panela da vovó Irma hoje reproduzida pelas minhas tias mas não para o grande público, apenas para a família Tomazelli e seus felizes agregados? Do sorvete com cobertura da Velha Bruxa, caro pra cacete, mas maravilhoso? Da pizza da Casa das Delícias que eu nem sei se ainda existe? Ou da torrada completa do Tênis Clube que só o Marino sabia fazer? E se o assunto for diversão, vou indicar a Boate do Tênis, o Music Bar, o Bar dos Metralhas, a Estação Z, a Boate do Laje ou o Vídeo Bar? Além de nenhum deles existir mais, aí eu me entreguei mais ainda: além de tudo, sou uma Gramadense fajuta que passei 8 anos da minha vida estudando em Canela (e mais três em Novo Hamburgo...) e bem mais do que isso: me divertindo por lá, e não em Gramado. Tem o Bill Bar, é verdade. Mas o Bill Bar do meu tempo, tinha até videokê.
Hoje eu sou capaz de saber indicar mais pousadas na Praia do Rosa do que na minha cidade Natal. Mais passeios na região dos cânions do que na Rota Romântica da qual Gramado faz parte.
Juro: poderia indicar quatro lugares que amo: o Moscerino, o San Tao, a Bodega e o Plátano Dourado (não digo que não sei de nada? Nem existe mais!). Acaba aí meu expertise na cidade. E garanto que esses lugares de tão bons, já devem ser tão conhecidos quanto o Mini-Mundo.
Eu recomendo a minha cidade, principalmente e contraditoriamente agora no verão que é quando não faz aquele maldito frio e justamente por isso deve ter 1/10 dos habituais turistas (eu sou demofóbica, não esqueçam nunca disso). E recomendo mais ainda o Blog Destino Gramado para quem estiver indo pra serra. Com certeza vou ler nele tantas novidades quanto vocês. Porque por exemplo pra mim, o Josephina até ontem não era um café, mas sim a casa do meu primeiro namorado.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Motivo de força maior
Depois da Páscoa do ano passado comprei uma passagem pra Floripa. Não, não foi assim simples, tipo, vou pra Floripa. A data foi milimetricamente estudada entre uma volta de Brasília e uma ida pra Barcelona. Pois a data milimetricamente estudada não chegou a acontecer por causa de um “motivo de força maior” daqueles que ninguém explica, só aceita. Passagem devolvida, milhas reembolsadas, Brasília, Barcelona, Brasil, e de repente... Floripa! Passagem comprada. Não, não foi assim simples, tipo, vou pra Floripa. A data foi milimetricamente estudada entre uma volta de Brasília e uma ida pro Rio de Janeiro. Pois a data milimetricamente estudada não chegou a acontecer por causa de um “motivo de força maior” daqueles que ninguém explica, só aceita. Passagem devolvida, milhas reembolsadas, Brasília, Rio, Ano Novo, e de repente... Floripa! Passagem comprada. Assim, simples. Quinze dias antes e nada tinha mudado. Uma semana antes e a passagem seguia firme. Dia da viagem e eu estava mesmo indo? Cheguei a errar o horário e ir parar no aeroporto uma hora mais cedo do que deveria. Sorte. A chuva teria me deixado presa no trânsito. A mesma chuva que fez o meu vôo atrasar uma hora. A mesma chuva que fez com que eu, na hora em que estava sorridente e tranquila pintando as unhas de cor-de-laranja no saguão do aeroporto, ouvisse meu nome nos alto-falantes. Pois é. Foi essa mesma chuva que decidiu que eu perderia minha conexão em São Paulo. Incrivelmente ainda sorrindo conversei gentilmente com meus novos amigos, um time de uns cinco caras da TAM tentando achar a solução pro meu problema:
- Então Senhora Kelen, a senhora vai para casa e volta amanhã para pegar o novo vôo, que sai as seis.
- Olha só. Eu não posso ir amanhã, sabe? Eu preciso ir hoje. Na verdade, eu precisava ter ido na semana passada. Não, no mês passado. Pior, no ano passado!
- Entendi Dona Kelen. Mas é tudo por conta da TAM, sua ida e sua volta de táxi e...
- Pois é, mas tem algumas outras coisas que a TAM não vai poder pagar, sabe? Então, quais são as nossas outras alternativas?
- Bom, quem sabe então a senhora vai a São Paulo agora no seu vôo, a TAM acomoda a senhora lá, e então a senhora pega o vôo das 4 horas da manhã.
- Ó! Já é melhor que a propopsta anterior, mas ainda não serve. Eu tenho certeza que vocês vão conseguir uma alternativa melhor que me faça chegar hoje em Florianópolis!
Incrível o poder da serenidade em alguns momentos. De repente, depois de muito cochicho, uma voz vinda de um rádio diz:
- Ok. Oferece para a cliente o vôo da Gol que sai as dez.
- A senhora quer? Ir de Gol?
Eu sorrio dizendo:
- Eu sabia que vocês resolveriam meu problema!
- Eu sabia que vocês resolveriam meu problema!
Quase uma hora depois, do outro lado do aeroporto, o moço da Gol ainda conseguiu me apavorar, olhando sério para a tela até lamentar:
- Desculpa senhora, mas agora só temos lugares de meio.
- Meu amigo, chega lá ainda hoje? Então eu vou até na asa. Do lado de fora!
E enfim, Floripa.
Vocês poderiam me perguntar, o que tem de tão sensacional em Floripa pra gerar essa história toda. Apenas um “motivo de força maior” daqueles que ninguém explica, só aceita.
Vocês poderiam me perguntar, o que tem de tão sensacional em Floripa pra gerar essa história toda. Apenas um “motivo de força maior” daqueles que ninguém explica, só aceita.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Alma
Sempre lamento quando não permito que as pessoas conheçam o que eu tenho de melhor. Mas lamento mais ainda quando são as pessoas que não me permitem mostrar isso.
.:.
"A minha alma tá armada e apontada
Para cara do sossego!
Pois paz sem voz, paz sem voz
Não é paz, é medo!
As vezes eu falo com a vida,
As vezes é ela quem diz:
Qual a paz que eu não quero conservar, pra tentar ser feliz?"
.:.
Esses dias conversava com uma amiga e começamos a brincar:
- Nossa diferença é que eu tenho medo, tu é corajosa vai lá e faz.
- Não é questão de medo ou coragem. O problema é que tu dá dois passos pra frente e um pra trás.
- Vamos ser mais justas, eu dou três passos pra frente e um pra trás. Tu dá cinco pra frente e um pra trás
- Vamos ser mais justas ainda. Eu dou dez passos pra frente. Mas volto correndo pro mesmo lugar.
.:.
O que será de mim ?
Eu já nem lembro "pronde" mesmo que eu vou
Mas vou até o fim.
Como já disse era um anjo safado
O chato dum querubim
Que decretou que eu estava predestinado
A ser todo ruim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim."
.:.
Conversava com outra amiga ontem e ela me disse que meu problema era que eu tinha coragem pra fazer as coisas, mas que eu não entrava nelas de corpo e alma. Aquilo não saiu mais da minha cabeça. Porque tem alguma contradição nisso. Eu sou do tipo que visto e suo a camiseta. Mas então lembrei de Barcelona, e da viagem que ficou pela metade, pensei no Rio. Será que o problema está na alma que fica estacionada enquanto só o corpo vai viajar?
.:.
"Eu bebi a noite inteira
A noite inteira com o diabo
Ele disse que se eu quisesse
Podia ter tudo, tudo fácil
Era só beber com ele
E depois fazer um trato
Eu vendi a minha alma ao diabo"
.:.
Se eu vendi mesmo a alma ao diabo, com certeza ele mora em Porto Alegre.
.:.
"...Easy! Fique bem easy
Fique sem, nem razão, da superfície!
Livre! Fique sim, livre
fique bem, com razão ou não
Aterrize!
Alma! Isso do medo se acalma
Isso de sede se aplaca
Todo pesar não existe..."
.:.
"A minha alma tá armada e apontada
Para cara do sossego!
Pois paz sem voz, paz sem voz
Não é paz, é medo!
As vezes eu falo com a vida,
As vezes é ela quem diz:
Qual a paz que eu não quero conservar, pra tentar ser feliz?"
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Esses dias conversava com uma amiga e começamos a brincar:
- Nossa diferença é que eu tenho medo, tu é corajosa vai lá e faz.
- Não é questão de medo ou coragem. O problema é que tu dá dois passos pra frente e um pra trás.
- Vamos ser mais justas, eu dou três passos pra frente e um pra trás. Tu dá cinco pra frente e um pra trás
- Vamos ser mais justas ainda. Eu dou dez passos pra frente. Mas volto correndo pro mesmo lugar.
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O que será de mim ?
Eu já nem lembro "pronde" mesmo que eu vou
Mas vou até o fim.
Como já disse era um anjo safado
O chato dum querubim
Que decretou que eu estava predestinado
A ser todo ruim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim."
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Conversava com outra amiga ontem e ela me disse que meu problema era que eu tinha coragem pra fazer as coisas, mas que eu não entrava nelas de corpo e alma. Aquilo não saiu mais da minha cabeça. Porque tem alguma contradição nisso. Eu sou do tipo que visto e suo a camiseta. Mas então lembrei de Barcelona, e da viagem que ficou pela metade, pensei no Rio. Será que o problema está na alma que fica estacionada enquanto só o corpo vai viajar?
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"Eu bebi a noite inteira
A noite inteira com o diabo
Ele disse que se eu quisesse
Podia ter tudo, tudo fácil
Era só beber com ele
E depois fazer um trato
Eu vendi a minha alma ao diabo"
.:.
Se eu vendi mesmo a alma ao diabo, com certeza ele mora em Porto Alegre.
.:.
"...Easy! Fique bem easy
Fique sem, nem razão, da superfície!
Livre! Fique sim, livre
fique bem, com razão ou não
Aterrize!
Alma! Isso do medo se acalma
Isso de sede se aplaca
Todo pesar não existe..."
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
E agora pai?
Meu pai sempre me diz que 90% do que eu tenho, em termos médicos, é de fundo emocional. Pois bem. Meu fundo emocional está doente.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
A coisa tá russa
Se no meu ambiente de trabalho circulam artistas, eles também estão trabalhando, logo, nada de gritos histéricos, autógrafos ou fotos. A ética profissional manda não ser tiete.
Eu só queria me depilar, estava tarde, eu estava cansada. Só me depilar e ir embora. Mas a depiladora não. Ela queria conversar. Ela esquecia o papel grudado na minha canela pra falar sobre catástrofes, sobre onde o mundo vai parar, sobre a arca de noé, sobre 2012, sobre o fim dos tempos. Ah não moça, por favor. O sofrimento da depilação não basta? Fim do mundo numa hora dessas?
.:.
Não sou alienada não, e minha depiladora não está mais impressionada do que eu com o Haiti por exemplo. Sou é cagona mesmo. E cada vez que falo nesses assuntos me dá tristeza, medo, pânico, pavor e uma vontade louca de estar com as pessoas que eu amo bem perto e não lá longe, e em seguida dá vontade de me jogar de cabeça em tudo que eu acredito ou quero ou sonho, e me dá vontade de ser alguém e de ser de alguém, porque o tempo que a gente passar aqui, seja ele quanto for, tem que valer a pena. Esses dias li o Millôr no Twitter e ele de uma maneira bem simples definiu: "Aproveita a vida, irmão. Já passou mais tempo do que você pensa".
.:.
Não liguem um tópico com o outro, as histórias não se cruzam: não estou querendo ser do Russo até o fim dos tempos!
Pra mim não tem sido problema. Primeiro, porque nunca fui muito fã de nenhum ator Global (vejam bem, eu falei Global, se o Jude Law ou o Bradley Cooper passassem por mim no meu ambiente de trabalho eu queria mais é que a ética profissional fosse pro inferno), então posso até achar bonitão, olhar de canto de olho, mas nenhum deles vai me causar um ataque cardíaco (eu acho). Segundo, porque se no mundo existem muito mais mulheres do que homens, no meu trabalho não seria diferente, logo, óbvio que eu cruzo com dez vezes mais atrizes do que atores.
Mas hoje foi diferente. Eu estava caminhando pro ponto, quando ouço uma voz atrás de mim, que pergunta: "Qual é uma carne boa pra fazer bife?". Quando me viro pra entender se aquilo era alguma espécie de piada, dou de cara com o Russo (por favor, se alguém não sabe de quem estou falando, clique aqui)! Mesmo depois de uma segunda-feira calorenta e pra lá de cansativa, não tive como não sorrir. Respondi pra ele: "Filé mignon , ué!". E ele segue, "Não, é alcatra". E enquanto a gente caminhava e eu conversava com aquele senhor de mais de 70 anos (40 de TV Globo) sobre carne, sobre o calor, sobre como é chato filmar o BBB e sobre como a gente gosta do Luciano Huck, sentia como se conhecesse ele há anos (o que não deixa de ser verdade já que quando eu era pequena assistia o Cassino do Chacrinha e ele já estava lá há um bom tempo...). E resolvi já que estava fora da área de trabalho, que ele seria o priemeiro e único "galã" com quem tiraria uma foto.
.:.Eu só queria me depilar, estava tarde, eu estava cansada. Só me depilar e ir embora. Mas a depiladora não. Ela queria conversar. Ela esquecia o papel grudado na minha canela pra falar sobre catástrofes, sobre onde o mundo vai parar, sobre a arca de noé, sobre 2012, sobre o fim dos tempos. Ah não moça, por favor. O sofrimento da depilação não basta? Fim do mundo numa hora dessas?
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Não sou alienada não, e minha depiladora não está mais impressionada do que eu com o Haiti por exemplo. Sou é cagona mesmo. E cada vez que falo nesses assuntos me dá tristeza, medo, pânico, pavor e uma vontade louca de estar com as pessoas que eu amo bem perto e não lá longe, e em seguida dá vontade de me jogar de cabeça em tudo que eu acredito ou quero ou sonho, e me dá vontade de ser alguém e de ser de alguém, porque o tempo que a gente passar aqui, seja ele quanto for, tem que valer a pena. Esses dias li o Millôr no Twitter e ele de uma maneira bem simples definiu: "Aproveita a vida, irmão. Já passou mais tempo do que você pensa".
.:.
Não liguem um tópico com o outro, as histórias não se cruzam: não estou querendo ser do Russo até o fim dos tempos!
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Constatações, conspirações, inspirações
Queria ter uma câmera fotográfica que fosse acionada cada vez que vejo uma foto naquilo que eu vejo. Por que até eu tirar a minha da bolsa, o que era já não é mais.
.:.
Conheci hoje um Francês que se mudou para o Rio e abriu um .... bistrô? Não, um negócio de empanadas argentinas. Pergunto, por que? "Porque de coisas óbvias o mundo já está cheio".
.:.
Vim pro Rio sabendo que não deveria pedir aquelas coisas óbvias: cacetinho, negrinho e tal. Logo depois descobri que perguntar pela parada de ônibus também não me levaria muito longe. Mas a melhor foi eu catando a niqueleira na bolsa. "Cê tá procurando o que?". Respondo calmamente, achando que o problema estava na palavra pra lá de antiquada "níquel": "Moedeira, sabe?" "Hahaha, cê quis dizer porta-níqueis?". Claro, bem mais adequado!
.:.
"Chi lascia la strada vecchia per la nuova sa quello che lascia ma non sa quello che trova" (quem deixa a estrada velha em busca de uma nova sabe aquilo que deixou pra trás mas não sabe o que vai encontrar pela frente). Um bom ditado italiano. Óbvio, mas bom.
.:.
Tudo o que eu queria. Nada do que eu imaginava. Um óbvio complementar ao ditado ali de cima.
.:.
Queria conseguir pedir menos ajuda. Queria poder ajudar mais.
.:.
O universo conspira por nós. Às vezes contra, às vezes a favor.
.:.
Aprendi a não falar enquanto não acho as palavras certas, pra não acabar usando as erradas.
.:.
Ando (des) conhecendo as pessoas.
.:.
E com Saudades. Com S de Sul.
.:.
Conheci hoje um Francês que se mudou para o Rio e abriu um .... bistrô? Não, um negócio de empanadas argentinas. Pergunto, por que? "Porque de coisas óbvias o mundo já está cheio".
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Vim pro Rio sabendo que não deveria pedir aquelas coisas óbvias: cacetinho, negrinho e tal. Logo depois descobri que perguntar pela parada de ônibus também não me levaria muito longe. Mas a melhor foi eu catando a niqueleira na bolsa. "Cê tá procurando o que?". Respondo calmamente, achando que o problema estava na palavra pra lá de antiquada "níquel": "Moedeira, sabe?" "Hahaha, cê quis dizer porta-níqueis?". Claro, bem mais adequado!
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"Chi lascia la strada vecchia per la nuova sa quello che lascia ma non sa quello che trova" (quem deixa a estrada velha em busca de uma nova sabe aquilo que deixou pra trás mas não sabe o que vai encontrar pela frente). Um bom ditado italiano. Óbvio, mas bom.
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Tudo o que eu queria. Nada do que eu imaginava. Um óbvio complementar ao ditado ali de cima.
.:.
Queria conseguir pedir menos ajuda. Queria poder ajudar mais.
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O universo conspira por nós. Às vezes contra, às vezes a favor.
.:.
Aprendi a não falar enquanto não acho as palavras certas, pra não acabar usando as erradas.
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Ando (des) conhecendo as pessoas.
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E com Saudades. Com S de Sul.
domingo, 10 de janeiro de 2010
Erva daninha
A grama do vizinho sempre é mais verde.
Mal sabemos quanta erva daninha (sempre) tem por baixo.
Mal sabemos quanta erva daninha (sempre) tem por baixo.
sábado, 9 de janeiro de 2010
Camille Claudel
"Il y a toujours quelque chose d'absent qui me tourmente"
(há sempre algo de ausente que me atormenta)
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Elenco
Essa cidade é maravilhosa, o problema é eu ser figurante justamente no núcleo pobre da novela.
Oração
Santa máquina do café expresso, protetora dos sem vontade de trabalhar, me mantenha acordada por toda esta longa tarde, amém.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Viver a vida (ou "A vida como ela é")
Posso escolher uma lista de sentimentos ou estados de espírito que passaram por mim na virada do ano. Alegria e tristeza. Cheio e vazio. Tranquilidade e ansiedade. Proximidade e distância. Certeza e dúvida. Beleza e caos. Haja espaço pra tanta ambiguidade. Um lado é razão e o outro é pura emoção, mas já não sei mais qual dos lados está querendo o que, qual está pensando com a cabeça e qual com o coração e muito menos onde foi parar essa tal de razão. Dentro de todas as brigas que se passaram dentro de mim, a maior delas ainda é entre a velha e impulsiva Kelen contra aquela outra que vem tentando dominar este corpo, que quer fazer tudo com calma, pensando bem pra não se arrepender depois.
.:.
"Não dê nenhum passo nem tome decisões definitivas até o dia 18. Procure manter-se calmo e paciente esperando os primeiros sinais do Universo."
(maldito horóscopo!)
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É claro que a vida e a vinda pro Rio de Janeiro são as maiores culpadas por esta ambiguidade toda. Primeiro pela parte mais óbvia (o que não deveria ser novidade nenhuma depois da missão Barcelona 2009): estou longe de pessoas que eu gosto mas perto de tantas outras que me receberam como uma família. Tenho casa, comida e roupa lavada (por mim, mas ali na máquina que está a minha disposição), mas estou sentindo falta de um canto pra chamar de (só) meu urgentemente. Consegui o trabalho que mais queria na vida (na verdade, na verdade, o que eu mais queria na vida mesmo era ganhar na mega e não trabalhar mais), mas estou apenas começando e começar nunca é uma barbada.
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Fora o óbvio, essa cidade por si só já é suficiente para me enlouquecer, me assustando e segundos depois me encantando (e assim sucessivamente). Taxistas que não dão troco, pessoas que me dizem pra não andar ali, não correr aqui e repetem incansavelmente a frase "é muito perigoso", atendimento péssimo em muitos lugares, ônibus parando onde e quando querem, distâncias incríveis de um ponto a outro da cidade... o dia a dia não tem muito de maravilhoso não. Frases como "tô chegando aí" perdem o sentido no Rio. Ou o trânsito, ou a distância, ou a falta de vaga para estacionar, com certeza farão com que tu não esteja chegando mesmo. Se chover então? Ferrou! Alagamento instantâneo, caos instaurado e atraso garantido. O dia aqui tem que ser planejado no momento em que saio de casa de manhã, porque outra frase que perdeu o sentido foi "vou dar uma passadinha ali em casa". No momento em que eu der uma passadinha ali em casa acreditem: ninguém mais me tira de lá. Nessas horas eu admito que sinto saudades imediatas e imensas de Porto Alegre. Da facilidade, da proximidade, da educação. De colocar meu tênis e sair correndo pela Nilo sem nenhuma preocupação. Da amiga ligando e dizendo que está passando ali e de minutos depois escutar ela reclamando que eu demorei demais pra descer. Até do T9 eu ando com saudades! Se vocês me disserem que isso é porque eu não morava na Zona Sul e que a Zona Sul em Porto também é longe, vou dar risada. Longe também já perdeu o sentido. Longe é ir de Porto Alegre a Gramado. E olha, já demorei o mesmo tempo que levo de Porto Alegre a Gramado pra ir de casa até o trabalho por aqui. E vou fazer um desabafo: adoraria poder dizer diariamente e tranquilamente o meu "bah!" sem ouvir alguém comentar que ama o meu sotaque, ou desatar a rir, ou pior: sair automaticamente imitando a Salomé! Devo estar parecendo, mas não estou sendo bairrista, jamais torci pro Rio Grande ser independente nem quero que se exploda o resto do Brasil, juro. Tudo é uma simples questão de... costumes. E de se acostumar com o Caos.
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Tanto que por outro lado, tem a beleza. Quando chega o feriado, o sábado, o domingo, não tem dilema: tem praia. E uma praia com um marzão azul na minha frente nesse caso, não fica a 4 ou 5 horas e uma BR 101 de distância. Naquelas várias horas que passo esticada na areia interrompendo esse fazer nada só pra tomar um banho de mar (o Guaíba ainda não me permite este luxo) ou um mate com limão (já que gosto de mate de verdade é no frio), esqueço de todo o resto. Ou então naquela hora que paro num ponto qualquer do Leblon e acabo dando de cara com a mais nova e bacana pizzaria do bairro. E se andar algumas quadras pra trás acho a casa de sucos mais famosa da cidade, ou se for algumas quadras pra frente chego no lugar com o melhor sanduíche. A cada quadra, um chope gelado a disposição. Uma espiada pra cima e tá lá o Cristo me olhando. Se sair cedo do trabalho? Dá pra parar no calçadão e dar uma caminhada tomando uma água de coco enquanto olho corredores de um lado, jogadores de futevôlei do outro e surfistas mais adiante. Se eu der a passadinha em casa e sobrar disposição pra sair? Opção aqui é que não falta, seja qual for a vontade da noite, é só escolher o bairro conforme o estilo da programação. E não vou nem falar das lojas, das roupas (e do cartão de crédito que tenho deixado em casa). Não tem bairrismo que resista a isso.
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E não demora muito pra algumas respostas aparecerem, tipo a que diz que o Rio (e Barcelona, e Paris, e Gramado, e Porto Alegre, e a Conchinchina) foi feito pra curtir, pra passear, pra se divertir e que com tempo e grana, nossa, essa cidade é mesmo maravilhosa! Mas vem cá, demorei todo esse tempo pra descobrir isso? E tem algum lugar no mundo onde a melhor parte não seja curtir as coisas boas da vida em vez de viver dura, ter que trabalhar e fazer parte do núcleo pobre da novela? Taí o Manoel Carlos e seus personagens que não me deixam mentir!
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"Não dê nenhum passo nem tome decisões definitivas até o dia 18. Procure manter-se calmo e paciente esperando os primeiros sinais do Universo."
(maldito horóscopo!)
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É claro que a vida e a vinda pro Rio de Janeiro são as maiores culpadas por esta ambiguidade toda. Primeiro pela parte mais óbvia (o que não deveria ser novidade nenhuma depois da missão Barcelona 2009): estou longe de pessoas que eu gosto mas perto de tantas outras que me receberam como uma família. Tenho casa, comida e roupa lavada (por mim, mas ali na máquina que está a minha disposição), mas estou sentindo falta de um canto pra chamar de (só) meu urgentemente. Consegui o trabalho que mais queria na vida (na verdade, na verdade, o que eu mais queria na vida mesmo era ganhar na mega e não trabalhar mais), mas estou apenas começando e começar nunca é uma barbada.
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Fora o óbvio, essa cidade por si só já é suficiente para me enlouquecer, me assustando e segundos depois me encantando (e assim sucessivamente). Taxistas que não dão troco, pessoas que me dizem pra não andar ali, não correr aqui e repetem incansavelmente a frase "é muito perigoso", atendimento péssimo em muitos lugares, ônibus parando onde e quando querem, distâncias incríveis de um ponto a outro da cidade... o dia a dia não tem muito de maravilhoso não. Frases como "tô chegando aí" perdem o sentido no Rio. Ou o trânsito, ou a distância, ou a falta de vaga para estacionar, com certeza farão com que tu não esteja chegando mesmo. Se chover então? Ferrou! Alagamento instantâneo, caos instaurado e atraso garantido. O dia aqui tem que ser planejado no momento em que saio de casa de manhã, porque outra frase que perdeu o sentido foi "vou dar uma passadinha ali em casa". No momento em que eu der uma passadinha ali em casa acreditem: ninguém mais me tira de lá. Nessas horas eu admito que sinto saudades imediatas e imensas de Porto Alegre. Da facilidade, da proximidade, da educação. De colocar meu tênis e sair correndo pela Nilo sem nenhuma preocupação. Da amiga ligando e dizendo que está passando ali e de minutos depois escutar ela reclamando que eu demorei demais pra descer. Até do T9 eu ando com saudades! Se vocês me disserem que isso é porque eu não morava na Zona Sul e que a Zona Sul em Porto também é longe, vou dar risada. Longe também já perdeu o sentido. Longe é ir de Porto Alegre a Gramado. E olha, já demorei o mesmo tempo que levo de Porto Alegre a Gramado pra ir de casa até o trabalho por aqui. E vou fazer um desabafo: adoraria poder dizer diariamente e tranquilamente o meu "bah!" sem ouvir alguém comentar que ama o meu sotaque, ou desatar a rir, ou pior: sair automaticamente imitando a Salomé! Devo estar parecendo, mas não estou sendo bairrista, jamais torci pro Rio Grande ser independente nem quero que se exploda o resto do Brasil, juro. Tudo é uma simples questão de... costumes. E de se acostumar com o Caos.
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Tanto que por outro lado, tem a beleza. Quando chega o feriado, o sábado, o domingo, não tem dilema: tem praia. E uma praia com um marzão azul na minha frente nesse caso, não fica a 4 ou 5 horas e uma BR 101 de distância. Naquelas várias horas que passo esticada na areia interrompendo esse fazer nada só pra tomar um banho de mar (o Guaíba ainda não me permite este luxo) ou um mate com limão (já que gosto de mate de verdade é no frio), esqueço de todo o resto. Ou então naquela hora que paro num ponto qualquer do Leblon e acabo dando de cara com a mais nova e bacana pizzaria do bairro. E se andar algumas quadras pra trás acho a casa de sucos mais famosa da cidade, ou se for algumas quadras pra frente chego no lugar com o melhor sanduíche. A cada quadra, um chope gelado a disposição. Uma espiada pra cima e tá lá o Cristo me olhando. Se sair cedo do trabalho? Dá pra parar no calçadão e dar uma caminhada tomando uma água de coco enquanto olho corredores de um lado, jogadores de futevôlei do outro e surfistas mais adiante. Se eu der a passadinha em casa e sobrar disposição pra sair? Opção aqui é que não falta, seja qual for a vontade da noite, é só escolher o bairro conforme o estilo da programação. E não vou nem falar das lojas, das roupas (e do cartão de crédito que tenho deixado em casa). Não tem bairrismo que resista a isso.
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E não demora muito pra algumas respostas aparecerem, tipo a que diz que o Rio (e Barcelona, e Paris, e Gramado, e Porto Alegre, e a Conchinchina) foi feito pra curtir, pra passear, pra se divertir e que com tempo e grana, nossa, essa cidade é mesmo maravilhosa! Mas vem cá, demorei todo esse tempo pra descobrir isso? E tem algum lugar no mundo onde a melhor parte não seja curtir as coisas boas da vida em vez de viver dura, ter que trabalhar e fazer parte do núcleo pobre da novela? Taí o Manoel Carlos e seus personagens que não me deixam mentir!
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Mais um ano vai, outro ano vem
Em nenhum ano da minha vida tantas coisas aconteceram, tantas coisas mudaram. É tanta coisa que parece nem caber em um ano só. Essa é a única maneira que consigo definir ele: intenso.
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É muito difícil tomar uma decisão. Sempre tem que se pensar em muita coisa envolvida. Eu li esses dias um negócio que dizia que pra cada decisão importante a ser tomada, antes de decidir pra valer, temos que pensar na repercussão que essa decisão vai causar na tua vida em 10 minutos, em 10 horas, em 10 dias, em 10 semanas, em 10 meses, em 10 anos (na verdade não são tantos 10 assim, mas eu não lembro mais quais são os certos então escrevi todos na devida ordem cronológica). Só que essas decisões todas nunca envolvem tu, tua vida e nada mais. Sempre envolvem outras pessoas, envolvem mudanças inesperadas, envolvem perdas e não só ganhos, envolvem dúvidas, envolvem incertezas. Porque a vida é assim: envolvente.
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Às vezes temos que passar por cima de pessoas. Às vezes temos que passar por cima de nós mesmos. Às vezes temos que escolher entre essas duas opções. As pessoas durante toda nossa vida entram, saem e voltam sem pedir licença. Nós não. Nós fazemos parte dela em tempo integral. Nós somos ela. Então chega uma bela hora que somos nós que importamos e é somente em nós que devemos pensar. Poderia chamar isso de egoísmo, mas prefiro chamar de coragem.
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Minha vida entrou o ano dando uma super pirueta e está terminando fazendo várias acrobacias. E quer saber? Acho que ela não vai parar tão cedo de fazer isso. Porque eu sou inquieta. Porque eu sempre quero mais. Porque eu acho que sempre pode melhorar. Porque eu nunca vou estar satisfeita enquanto não estiver plenamente feliz.
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INTENSO. ENVOLVENTE. FELIZ.
É assim que eu quero 2010. E nessa hora não vou ser egoísta: é o que eu desejo pra todos nós e não só pra mim. E que todos tenham coragem de acreditar que isso é possível. Só depende de nós.
ps: confesso que lembrei da música de abertura do Balão Mágico lá de mil novecentos e preto e branco. A coisa toda do circo, do palhaço, do riso e pricipalmente a parte do depende de nós. Putz, mas Ivan Lins é brega demais pra pôr no blog, não é não? Tá. Mas entrem lá, leiam a letra. Afinal, fim de ano e esse xa-lá-lá todo é sempre meio brega mesmo.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Tudo novo de novo
Tudo começou em Paris. Chique isso, não? Na verdade vou até abrir um parenteses.
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(O problema de passar dois meses e pouco viajando, é que depois que tu volta parece tudo tão distante e irreal, que às vezes me escuto falando e contando coisas e parece que eu tô sei lá, delirando. "Essa blusa? Comprei em Londres lá no..."; "Nas ciclovias de Barcelona eu andava..."; "Conheci um Australiano em Roma que...". Besteira? Pode ser, mas é a pura realidade. Ou melhor, parece sonho.)
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Parenteses fechados, tudo realmente começou em Paris, há dois meses (viu? delírio! Como assim já faz dois meses?). Estava na casa do Eduardo, quando ele me chamou pra ver a reportagem sobre a escolha do Rio como sede das Olimpíadas de 2016. Roubalheira, quantidade de grana que poderia ir pra outras coisas, violência e pouco tempo para tudo que deve ser feito por lá a parte (porque eu sou sonhadora, mas não sou burra), pensei naquela hora em voz alta: o Rio vai ser um bom lugar pra se trabalhar nos próximos anos. E aquela frase dita sem maiores pretensões foi engavetada por uns tempos.
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Porto Alegre, trabalho, rotina, casa, pessoas, decepções, frustrações, ânsia, inquietação. Não eram mais os outros, eu comecei a me achar fora de contexto. Alguma coisa não estava fechando nessa minha volta a vida normal, alguma coisa tinha mudado. E demorou um pouco pra eu me dar conta que a vida não era o problema, ela seguia a mesma, o problema era eu. A eternamente insatisfeita estava adivinhem o que? Insatisfeita. Com tudo. Sentia como se a minha vida tivesse virado um quebra-cabeça que eu não conseguia sequer tirar da caixa pra começar a montar. Cada pecinha que eu ameaçava pegar na mão, acabava jogando longe achando que não era por ali que eu deveria começar. E foi aí que aquela frase dita lá em Paris pulou da gaveta começou a causar uma revolução dentro de mim.
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Abandonei aquele jogo desmontado e gasto e me dei de presente um quebra-cabeça novinho em folha. Cheia de vontade coloquei a primeira peça no lugar. Comecei a gostar tanto da brincadeira que não consegui mais parar de montar. A viagem, a passagem, o trabalho, a casa, o curso, os amigos, o que vai, o que fica, o que eu ganho, o que eu perco. E nesse final de semana eu terminei de montar o quebra cabeça colocando a única peça que faltava, a família.
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Quebra-cabeça montado, agora só falta arrumar as malas. 2010 vai entrar e eu vou estar de braços abertos sobre a Guanabara esperando por ele. Sem passagem de volta marcada. Por enquanto.
"Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Rio de sol, de céu, de mar "
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Rio de sol, de céu, de mar "
(Samba do Avião - Tom Jobim)
sábado, 5 de dezembro de 2009
Simplicidade
Desabafo com o afilhado de 5 anos:
- Preguiça de correr amanhã...
No que ele me responde:
- Tá, mas e tu precisa mesmo correr?
Fácil resolver, né?
- Preguiça de correr amanhã...
No que ele me responde:
- Tá, mas e tu precisa mesmo correr?
Fácil resolver, né?
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Mega
Poucas coisas são tão divertidas quanto listar o que a gente faria se ganhasse na mega.
Ganhar na Mega provavelmente seja a primeira delas.
Ganhar na Mega provavelmente seja a primeira delas.
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