quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Sentidos

Varal de roupas passando na beira da praia. A vizinha de guarda sol, com seu biquíni e celulite beirando ao zero, levanta pra olhar. Faz negociações em portunhol com o vendedor e pede pra que ele entregue as peças escolhidas na portaria do prédio, informando a ele o apartamento e dizendo que vai deixar o dinheiro. Levanto pra olhar as roupas também enquanto o vendedor, que agora conversa com minha irmã, pergunta qual o nosso apartamento. Pra não fazer confusão interrompe:

- Un momentito! Cual el apartamento de la otra chica?
E neste momento meu marido até então em silêncio se manifesta:
- 1401!
- Ah tu tava prestando atenção na "conversa" da vizinha?
- Tô sem óculos, não tô enxergando nada!


Mas pelo visto a audição ficou bem aguçada!

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Aromas da vida

Uma caixa de sabonetes Phebo comprada por engano = sensação de estar dormindo com a minha vó enquanto durarem os estoques.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Mapa Astral

Lua em Capricórnio.
Marte e ascendente em Aquário.
Sol e mercúrio em Peixes.
Vênus em Áries.
Júpiter em Touro.
Saturno em Leão.
Plutão em Libra. 
Urano em Escorpião.
Netuno e Roda da Fortuna em Sagitário.
Meu marido é o Gêmeos que faltava na minha vida!
(Câncer eu dispenso e Virgem eu já fui um dia!)

Sympathy for the Devil

Ontem, às 23 horas em ponto, me plantei na frente do computador pra comprar os ingressos pro show dos Stones. Quando abriram as porteiras e li que teria 15 minutos pra completar a operação, deu pane no cérebro. Não conseguia sequer achar onde comprar os ditos cujos com pontos e quando achei [com ajuda do marido], recebia sempre a notificação que eu não tinha pontos! "Sério! Como assim não tenho pontos?!?!". Seguimos firme tentando: ele bem calmo do meu lado, eu estressadinha quase quebrando o teclado. Ele me pedia pra ler um trecho do regulamento no exato segundo em que eu já clicava em uma das outras 12 abas abertas. E a cada "só um pouquinho, deixa eu ler" dito do meu lado, eu bufava de irritação. Eu, do meu jeito estressadinha, não pensei duas vezes e troquei pontos por Dotz sem nem ter certeza se era isso que deveria ser feito; deu certo, mas quase comprei os ingressos no Rio de Janeiro. Ele, daquele jeito calmo, insistia que o e-mail de confirmação que aparecia estava errado, sem em nenhum momento alterar a forma de falar ou o tom de voz: "Muda ali teu e-mail que tá errado". "Como errado!? Só não é o popstudio, é o kelengt!!!", insistia eu, com a voz "um pouco" alterada. Como é que ele não gritou "SUA MONGOLONA, TÁ ESCRITO TERRA ALI E NÃO GMAIL!!!"??? Porque ele é o calmo e eu a estressadinha. Até que uma hora deu certo, comprei! Com o pequeno detalhe, claro, de não ver nem sinal da notificação chegando no meu e-mail. Hoje de manhã assim que saltei da cama liguei pra Dotz pra entender o que estava acontecendo. E olha que coincidência, não é que ele estava certo? Meu e-mail de cadastro é apenas um e-mail do Terra, cancelado há mais ou menos dez anos. E nesta linda manhã de segunda, depois de cerca de meia hora no telefone, aguardamos ansiosos o recebimento da confirmação dos nossos ingressos. Ele lá no escritório, bem calmo. E eu aqui na frente do computador, completamente estressadinha!

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

‪#‎meuamigosecreto‬

‪#‎meuamigosecreto‬ me conheceu num bar, bebendo, falando bobagem, vestida com uma roupa de inverno qualquer, sem maquiagem e gostou de mim assim. Me chamou pra sair, pagou a primeira conta que hoje é paga por quem estiver com mais dinheiro na carteira ou por quem tiver lembrado de levar a carteira. Cozinha pra mim e muito melhor do que eu cozinho pra ele. Levanta mais cedo pra passear com as minhas cachorras que por sinal gostam mais dele do que de mim. Recolhe as roupas do varal apesar de não ter passado no teste de como dobrar elas direito. Vai de ônibus pro trabalho pra que eu possa usar o carro dele. Me incentiva a ir na academia mas logo em seguida me convida pra tomar um chopp. Dança forró comigo só porque me deu vontade de dançar. Para de ver o filme que tava passando pra colocar no GNT. Levanta pra pegar um copo de água mesmo que eu tenha deitado depois dele na cama. Faz das melhores e mais bobas coisas pra me fazer feliz. #meuamigosecreto me fez esquecer aquele professor que sutilmente colocava a mão na minha perna na hora do assessoramento, aquele chefe que me abraçava por trás de surpresa só pra saber o que eu tava fazendo, aquele médico que examinava partes do meu corpo bem distantes das partes onde realmente havia algum problema e todos aqueles caras que agiam da forma que agiam porque afinal "eu tava dando mole". Que sorte #meuamigosecreto ser o amor da minha vida.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Malhação

A pessoa mostra o quanto manja de academia quando avisa o instrutor que vai voltar no outro dia pra fazer trainspotting.

domingo, 15 de novembro de 2015

Primeira fila

Nos dirigimos aos nossos assentos para assistir ao (meu oitavo) show do Jorge Drexler. Quando o Guilherme se dá conta que chegamos na primeira fila comenta:
- Ah meu Deus, tu não vai te jogar no palco, vai?
- Tu entenderia se eu me jogasse, né meu amor?
- Olha o papelão!
Já disse aqui e repito: compreensão é a chave para um bom relacionamento!

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Ser um homem feminino

Ontem, no show do Pearl Jam, ficamos perto de um pessoal da fronteira, daqueles que fazem amizade fácil e que estavam empolgadíssimos com o show. Em um dos intervalos, um deles virou pra nós e comentou:

- A banda é foda, eu sei, mas o que é a voz desse cara? Eu sei que vai soar meio homosexual, mas quando ele entra no palco e começa a cantar o cara chega a se arrepiar.

Se Deus é menina e menino, todo mundo tem o direito de se arrepiar!

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Meu amor, nosso amor, estava escrito nas estrelas

Sento no sofá depois de trabalhar toda manhã. Eu, que sou uma alienada em relação a alguns clássicos do passado, vejo uma criatura conhecida na tela.

- Esse é o Spot, Spock, sei lá?
- É...
- E que filme é esse? Guerra nas estrelas? Jornada nas estrelas?
Com zero paciência pra minha burrice, ele clica pra mostrar o nome na tela.
- Ahhh... Star Trek. Sei. Mas é o original ou o remake?
- Era uma série, Kelen.
- Ah sim, não sou boa nesse negócio. Era mais daquele do Darth Vader e dos robozinhos. E quem morreu, esse aí ou o original da série?
- O original, mas ele tá no filme também.
- Ah é? E que papel ele faz?
- De Spock né Kelen! Ia ser de que, de Bela Adormecida?

Credo. Tava só tentando puxar assunto!

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Tele Cine Pipoca

Ontem o marido me esperava na cama pra assistir Freddy x Jason. Hoje era pra assistir um filme do Van Damme. Vejo uma espécie de evolução. Em uns dois anos ele deve me esperar com uma coisa tipo Um lugar chamado Notting Hill!

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Almas Gêmeas

Passeava eu na rua quando o pessoal de uma obra chegava pra trabalhar. Um deles olha pra mim com aquela cara que o pessoal de uma obra costuma olhar. Automaticamente a Panqueca rosna e ameaça avançar. Puxo ela e ouço o cara falar:
- Nossa, o que eu te fiz, cachorrinha!
Ao que eu respondo:
- Bastou olhar! Ela é invocada, só isso já é suficiente pra ela não gostar e rosnar!
E assim que a frase chegou ao fim já não sabia mais se eu estava falando da Panqueca ou de mim!

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Somente em uma agência, senhora

Bancos em greve: um ótimo momento para a atualização do módulo de segurança do Banco do Brasil entrar em ação e me fazer bloquear a senha de acesso. Depois de passar os meus dados, da minha empresa, do meu tataravô e explicar a situação, pergunto:
- Como posso desbloquear a senha?
- Somente em uma agência, senhora.
- Certo, mas elas estão todas em greve.
- Compreendo, somente em uma agência, senhora.
- Eu não posso esperar o fim da greve para acessar a minha conta, entende?
- Compreendo, somente em uma agência, senhora.
- Deve existir alguma outra maneira!
- Compreendo, somente em uma agência, senhora.
Tenho certeza que se eu dissesse bem alto "Então vá tomar no meio do seu * " a resposta seria "somente em uma agência, senhora!"

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Pôr do sol no Dilúvio (ou depois dele)

A gente reclama diariamente da CEEE, do DMLU, do prefeito, do governador, da presidenta, acho que ultimamente só o Papa se escapa. Mas hoje eu preciso elogiar. Os técnicos da CEEE pendurados pelos postes da cidade pra consertar os estragos ainda abaixo de chuva. Os garis que estão a mil pelas ruas tentando juntar o que a chuva (e as pessoas) espalharam por aí. A galera super disposta e organizada levando e recebendo doações no Tesourinha. Depois de uma noite assustadora até pra quem tem um teto bem seguro e que teve como maior problema acordar sem luz, sem água, sem celular e sem internet, e não sem casa, fiquei emotiva vendo essa gente toda na rua. Até o Dilúvio ficou bonito com esse sol que resolveu dar o ar da graça pra melhorar o nosso dia e o nosso astral.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Vidente

Decido ir pro banho certa de que vai faltar luz no exato momento em que eu estiver ensaboando os cabelos. Devo ser meio vidente. E completamente estúpida.

sábado, 10 de outubro de 2015

Supermercado

Depois de cruzar por diversos casais pelos corredores do super, com mulheres falando até com as embalagens e as verduras, enquanto os homens se alternam entre empurrar os carrinhos em direção ao corredor das cervejas ou ir pra fila do açougue, morri de saudades do meu marido lá longe (pra fazer exatamente a mesma coisa).

Modernidade

Meu pai, que está passando uns dias na casa da minha irmã enquanto ela viaja, conta pelo whats app (o que já é um tanto moderno) a conversa que teve com o neto, meu afilhado João, ao se despedir:

- Vou sentir saudades de te dar um beijo de boa noite antes de dormir!
- Não tem problema vô, me manda um abraço pelo whats app!

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Estocando

Seguindo a onda da nossa presidenta e na falta de conseguir estocar vento, estou estocando algumas postagens sobre a chuva para ler quando der vontade de postar mais alguma coisa sobre a chuva mas souber que já encheu o saco tanto falar de chuva (ainda que o que tenha enchido mesmo o saco tenha sido a própria chuva):
* Chuva com poesia: Vou hibernar. Me acordem quando o sol voltar.
* A chuva é tão sacana que chove até quando nem tá com tanta vontade assim de chover só pelo prazer de molhar.
* Se por algum segundo eu conseguir esquecer que está chovendo, meu feed do Facebook automaticamente irá me lembrar.
* Esse tempo assim chuvoso com um jeito tão Londrino deve ser ótimo, em Londres.
* É melhor reclamar da chuva do que ser sapo.
* E cada vez que alguém diz que é Primavera a chuva chora de rir.

Troca de favores

Indicada por amigas, uma pessoa entrou em contato para demonstrar um equipamento maravilhoso de limpeza. Não sou lá a mais pacienciosa com este tipo de demonstração, mas em respeito as amigas que indicaram e à frase "só a demonstração já vale a pena!" que acompanhou a indicação, topei a empreitada. Ontem, em meio a chuvarada que caía, a demonstradora entrou em contato dizendo que estava com muita dificuldade de deslocamento. Eu (um tanto aliviada) disse que não havia problemas, voltaríamos a marcar em outra data. A noite ela fez contato tentando remarcar para hoje, mas eu disse que infelizmente não poderia, ficaria para semana que vem. E aí não me contive e adiantei: preciso ser sincera, o preço não cabe no meu bolso. Ao que ela respondeu:
- Não tem problema, eu preciso de qualquer forma estar demonstrando o produto para divulgá-lo pelo Brasil.
Depois disso só me ocorreu uma pergunta: não gostaria então de estar demonstrando ele uma vez por semana na minha casa para cumprir sua missão?

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Fracasso

Às vezes me emociono e acabo me inscrevendo para em newsletters de sites demais. Referências de arquitetura, tendências de design, dicas de iluminação, foco em empreendedorismo, slow food, viagens, entre outros. Tempos atrás entrei na onda de descobrir o meu propósito. E lá se foram uns quatro sites ou blogs que passaram a me enviar dicas motivacionais, videos, encontre seu propósito, descubra seu eu interior e daí por diante. Um deles era chato e repetitivo, me sentia lendo um livro de auto ajuda diariamente (os outros também fazem isso, mas disfarçam melhor). Não tive dúvidas: cancelar assinatura. Inspirei aliviada e quando expirei entrou uma nova mensagem na minha caixa de emails:
"Você desistiu? Será mesmo que foi isso?"
Obrigada amiga! Tava precisando mesmo me sentir uma fracassada nesta quinta-feira chuvosa por cancelar uma maldita assinatura de e-mail!

terça-feira, 6 de outubro de 2015

La garantia... no hay

Saí de casa hoje disposta a descobrir novos negócios ao meu redor, levando a sério a proposta do "compre do pequeno" e "compre no seu bairro". Após deixar as roupas naquela lavanderia de sempre, adotei um novo sapateiro que fica pelos arredores e já ia pegar o ônibus para fazer o que só poderia ser feito em outro bairro, quando passei por uma ótica e decidi também adotar esse serviço mais próximo de casa:
- O senhor poderia dar uma olhada nesses óculos? Já consertei diversas vezes e a haste segue caindo.
- Deixa eu dar uma olhada.
Pegou um mini parafuso com uma super pinça, fixou a haste e em meio minuto estava pronto.
- Feito? Quanto te devo?
- Dez reais.
- E tu me garante que não vai cair de novo tão cedo? Já paguei dez reais umas dez vezes.
- Chega em casa, pega um palito, molha num esmalte incolor e coloca em cima do parafuso.
- Aí o senhor me garante que não vai cair de novo?
- Não posso garantir porque não sei se tu vais fazer o que eu tô te falando.
- Então o senhor poderia ter aqui o palito e o esmalte e fazer o senhor mesmo, né? Aí poderia dar a garantia.
- Mas isso é receita caseira, não posso fazer aqui! É como quando o médico dá uma receita de medicamento por escrito mas fala de alguma erva milagrosa. Essa parte ele não escreve, né? Se não funcionar, ele não se comprometeu.
Saí certa da minha não garantia. Mas ainda assim atravessei a rua e comprei um esmalte incolor em uma das farmácias do bairro.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

As rosas

Era uma vez uma senhora. Voltava lentamente para sua casa naquela manhã de domingo quando deparou-se com algumas rosas sobre a lixeira. Engraçado. Pareciam aquelas que decoravam sua casa dias atrás, o que estariam fazendo ali? Recolheu e as devolveu para o vaso que repousava vazio sobre a mesa. Uma casa sem flores não era uma casa de verdade.
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Era uma vez um casal. Naquele domingo comemoravam cinco anos juntos. Ele acordou cedo, deu sua corrida matinal e ao voltar preparou um delicioso café da manhã que levou na cama para os dois. Comeram e riram antes de levantarem preguiçosamente. Ao chegarem à sala, ela reparou que havia um bouquet de rosas repousando sobre a mesa. Jogou-se nos braços dele declarando todo seu amor. Ele não entendeu nada; havia achado aquelas rosas em cima da lixeira quando voltava da sua corrida e decidiu leva-las para casa. Ao revelar isto a ela, o bouquet retornou imediatamente para o mesmo lugar de onde havia sido retirado. Não voltaram a falar naquele dia. 
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Era uma vez outro casal. Naquele dia eles não comemoravam nada, mas mesmo assim ele chegou em casa no sábado a noite com um lindo bouquet de rosas. Ela olhou desconfiada, alguma coisa estava errada. Ele nunca havia dado flores para ela, muito menos sem motivos. Pediu que ele confessasse o que estava acontecendo, quem ele havia conhecido? Desde quando isso vinha acontecendo? Bem que ela tinha notado que ele andava se cuidando demais. Meu Deus, de onde ele tirara aquela maldita ideia de recolher aquelas flores que estavam sobre o lixo? E o que fazer agora, já que contar a verdade poderia ser ainda pior do que dizer que não a estava traindo? Decidiu fingir uma fúria súbita, virou as costas sem dizer uma só palavra, bateu a porta e deixou as flores novamente sobre a lixeira.
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Era uma vez uma diarista que fazia a limpeza da casa de uma senhora aos sábados a tarde. Quando estava indo embora, reparou que as flores do vaso já estavam um pouco murchas e precisavam ser trocadas. Ao sair apressadamente, deixou-as sobre a lixeira da rua, que mal haveria de ter?

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Vinte minutos

20 minutos quando estamos atrasados pra terminar um projeto = Merda, acabou
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20 minutos quando estamos fazendo ressonância magnética = Fechou a porta, começou o barulho, já quero me mexer, o fone além de não servir pra nada tá me machucando a orelha, esse braço aqui em cima não ficou bom. A placa do forro tá mal encaixada, será que são todas iguais? São, mas o instalador colocou algumas invertidas. Que saco essa PAR 30 em cima da minha testa, porque não reduzem a luz? Vou contar 20 vezes até sessenta pra ver se passa mais rápido, um, dois, três, quatro, cinco, enjoei. Que barulho bizarro que parece repetir limpalimpalimpa. Mas se eu prestar atenção muda e parece paninhopaninhopaninho. Saco de coceira na perna, meu pé dormiu, que posição desconfortável. Fazendo um exame que o médico só vai ver daqui a duas semanas, que secretária bem grossa, só arquiteto pode tirar dúvida por whats app? E se eu tiver quebrado o pé? Olha, mudou o barulho, agora parece etaetaetaeta, saco, veio a música do Caetano na cabeça, é a lua é o sol é a luz de Tietaetaeta. Merda, não vou parar de cantar essa música o resto do dia. Por que não colocam um cronômetro nesse lugar? Quanto tempo já passou? Será que minha irmã já chegou na Alemanha? Por que não colocam uma TV no forro? Acho que nunca vou conseguir meditar e aquela porra toda de não pensar em nada, é impossível. Me atrasei pro almoço, vou me atrasar pra obra, não vai dar tempo de fazer nada de tarde, tô ferrada amanhã. Não posso esquecer de passar pelo menos um batom quando sair daqui. Mudou o barulho, parou. Será que acabou? Bah! Finalmente!

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Pizza de chuchu

Decidimos pedir uma pizza em meio a minha (eterna) dieta.
- Provolone, Putanesca, Supreme... aqui ó Zucchini. Meia Margherita, meia Zucchini, bem light... pode ser? Muito sem graça?
- Pode ser. Só não sei porque tu não pede de uma vez uma pizza de chuchu.
Compreensão. A chave para um bom relacionamento.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

O Edredom

Aproveitei o passeio com as cuscas para ir até a pacata lavanderia do bairro. Fui entrando e a mocinha que atende entrou correndo atrás de mim esbaforida.
- Oi, vim buscar meu edredom que não tava seco ontem.
- Ah sim... acredita que a mulher matou o homem com quatro tiros?
- Quem matou quem?
- Maior barraco, a mulher ali de cima do Quebra-Galho, deixa eu ver, não achei teu edredom... e pior que ele tá ali, tentando saber mais da história
- Ele quem, o dono da lavanderia? Que sabe onde tá meu edredom? É um bege. O homem que a mulher matou era o marido dela?
- Sim, o marido, pior é que é ele quem sabe onde tá o edredom. Imagina o que o santinho não aprontou.
- Não tem problema, eu pego amanhã.
Fui embora sem ter certeza de muita coisa, mas torcendo pra não ser o morto que sabe onde tá meu edredom e pro meu edredom não ter aprontado nada pelo nosso "pacato" bairro.

domingo, 13 de setembro de 2015

Domingo 13

O dia começou cedo, mais precisamente as 4:30 da madrugada e depois de uma noite mal dormida devido a festa do vizinho do andar de cima somada àquele medo de não acordar e perder o voo das seis. Achava eu que tirar o tênis com fivela pra passar no raio X do aeroporto seria a parte ruim dele, mas este pensamento só durou até o momento em que entrei no avião e percebi onde ficava meu lugar, poltrona 38A, a última do avião e sem reclinação. Mas meu assento não era o 3A? De onde havia saído aquele 8? Tentando ser educada, perguntei se havia outro lugar enquanto explicava a situação. Apesar dos olhares fulminantes recebidos, a comissária conseguiu um novo lugar pra mim. Ao chegar em Guarulhos vi que fazia frio e estava nublado, mas sorte do dia era que não choveria! Fiz contato com o proprietário do apartamento do Copan que havia alugado via Airbnb e estava ansiosa pra conhecer, pra avisar que estaria chegando em no máximo uma hora pra deixar minhas coisas. Dois dias antes ele já havia antecipado que tínhamos um problema: uma pessoa havia feito uma reserva relâmpago e o apartamento reservado pra mim no domingo desde as 9hs da manhã, só estaria liberado depois das 13hs. Mas tudo certo, a rua me espera e é domingo, não é mesmo? É. Ou melhor, era uns dias antes, quando respondi um simpático "sem problemas". Mas depois de uma noite mal dormida, de um voo não dormido e de uma recepção paulista sem sol, poder acomodar as coisas, tomar um banho e dar uma descansada começaram a parecer uma ótima ideia. Mas como eu dizia, é domingo, sem stress. Então sem stress e sem retorno do (tal) proprietário, desci do ônibus na Praça da República e comecei a olhar pra cima buscando as curvas da fachada tão conhecida pra lembrar pra que lado eu deveria ir. Quando andei um pouco e reconheci o Copan, vi que estava coberto daquela tela azul - sinônimo de reforma e me entristeci. Mas respirei fundo e segui meu rumo, paciência. Chegando lá e ainda sem contato algum do (querido) proprietário, comecei a saga pra descobrir qual das seis portarias seria a minha. Depois de visitar a C, a D, e a F, cheguei a portaria B de Bingo e vejam que sorte, não precisei percorrer as seis, apenas quatro delas! Ainda tentando manter o bom humor, esperei o (infeliz do) proprietário olhando no relógio a cada 30 segundos enquanto pensava que seria bem educado da parte dele ter chegado ali antes de mim. Quando finalmente ele chegou, quinze minutos após o combinado, trinta minutos após eu ter chegado e uma hora e trinta depois de eu ter avisado que estava a caminho, conversamos um pouco sobre os imprevistos, sobre a obra, sobre que pena a fachada estar coberta e eu ser arquiteta e sobre o fato de termos mais uma questão a resolver. As malas não ficariam na portaria do prédio e sim no apartamento dele, logo ali do lado, onde eu não poderia ir junto, mas sem preocupações! Um amigo que já estaria chegando, ajudaria ele a levar tudo para cima. Respirei fundo (bem fundo) pra lembrar que tudo estava bem. Deixei as coisas na mão do (cretino do) proprietário e de Deus e fui ao encontro do amigo que me salvaria da minha maré de azar, não sem antes dizer: por favor, cuida que aqui tem um note, tá? Café da manhã, cachorros, parque, museu, almoço, sobremesa, café. Tudo em perfeita harmonia e companhia. Chegava então a hora de voltar ao meu paradouro que a canseira começava a bater. Por mensagem, o (desgraçado do) proprietário havia me avisado que minhas coisas já estavam lá e que ele deixaria a chave escondida, não iria até lá me encontrar. Achei um pouco de descaso por parte do simpático rapaz tão bem citado nas indicações do Airbnb, mas quem sou eu pra julgar? Subi até o 32 andar, fotografei o corredor curvo que acompanha a silhueta da famosa fachada e girei a chave. Antes de entrar, sofri um pouco pra tirar ela da fechadura, coisa de prédio velho, né? É. Prédio velho tem disso. Disso e de cheiro de mofo também. Porque prédio velho é úmido e frio, né? Talvez também por culpa da janela quebrada consertada com fita transparente, típico de prédio velho. Tem também cortinas mal penduradas de cor amarela que não protegem do sol, e tem piso do box destruído daqueles dignos de banho só com havaianas e bem diferente da foto no site onde uma grama sintética (estranhamente) cobria ele. Foto tem photoshop e pior: não tem cheiro nem termômetro, por mais que se possa mudar a temperatura da cor. Um pouco triste e sem saber o que fazer, pensei em ligar a TV pra me distrair, mas a TV indicada no site não existia. Tentei então mudar o layout pra acomodar meu computador e poder usar confortavelmente pensando em assistir um filme, talvez, mas não sem antes dar um jato do Bom Ar aroma cedro e laranja encontrado no banheiro pra tentar tirar o cheiro de mofo do ar. Mas algumas fotos postadas depois, percebi que meus pés estavam congelados e minha calça tão úmida quanto o sofá que eu estava sentada. Neste momento, o filme que eu procurava deu lugar ao site do Ibis e a um e-mail (realmente) gentil pro (maldito) proprietário, citando algumas questões que não batiam com o anúncio e que faziam com que eu quisesse amigavelmente cancelar a reserva apesar da política rígida de cancelamentos, afinal, minha intenção era apenas não ter prejuízo e não rebaixar o apartamento dele no Airbnb; outras pessoas poderiam ser menos exigentes, ou menos chatas, não é mesmo? Uma hora depois e sem resposta, a reserva no hotel estava feita. Avisei então que estava saindo dali e que aguardaria a resposta dele até amanhã, antes de contatar o site. Tirei fotos, tive certeza de ter pego tudo e bati a porta, feliz com a decisão. Deixei a chave no mesmo lugar que encontrei, não sem antes sofrer um pouco para tirar ela da fechadura. Pensei seriamente se voltaria no outro dia pra visitar o terraço e chamei o Easy Táxi. Quando o táxi chegou, um senhor de seus 80 anos tentou pegar ele antes de mim, mas o motorista avisou que havia sido chamado pelo aplicativo. Pobre do senhor, não sabia o que era isso, o celular dele era daqueles de 80 reais, não tinha dessas coisas e se queixou que aos domingos aquela hora era difícil conseguir táxi. Perguntei se o taxista topava fazer minha corrida que era curta e deixar o senhor embarcar junto pra depois ir do meu hotel até o seu destino e ele topou. Fiquei feliz de ter ajudado o Sr. Nelson a ir lá pros lados do Largo do Batata; fiquei feliz de engatar uma corrida maior pro taxista Fabiano depois dele fazer a minha corridinha de dez pila. Entrei no hotel ainda feliz e enquanto fazia o check in pensava em escrever um post sobre fazer coisas boas mesmo quando tudo parece dar errado, e mesmo quando tu estás prestes a pagar um hotel sem saber se vai ver o dinheiro da hospedagem anterior de volta. Pensei em fazer a minha brincadeira do Deus tá vendo, né Deus? Afinal eu estou aqui por uma boa causa, a trabalho, apoiando um evento no amor, lembra Deus? Peguei o elevador até o quarto andar, andei pelo corredor reto, entrei no quarto e inspirei o cheiro de limpeza que pairava no ar. Neste exato momento deixei meu note cair no chão, aquele, que eu pedi pro (pouco se lixando pra mim do) proprietário cuidar bem. A tela quebrou. Coloquei ele na mesa, testei, ele ligou. Sentei na beirada da cama, ela não estava úmida e o quarto estava quentinho. Liguei pro marido rindo e chorei. Ele me consolou lembrando que ao menos o note estava funcionando! Escrevi meu post no note com a tela quebrada, mas saiu um pouco diferente do que tinha inicialmente imaginado. E agora vou finalmente tirar meu tênis de fivela, pela segunda vez no dia.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Sessão Nostalgia

Semana corrida, não deu tempo de ir no super. Abro a despensa e pego os dois únicos ingredientes disponíveis e aptos a gerar uma refeição. Ao olhar o prato servido de massa com atum, automaticamente volto no tempo e vou até Torres, lá por 1990. Foi tão boa a lembrança que não vou trabalhar hoje de tarde. Vou fazer um negrinho, comer de colher, colocar a fita do Australian pra tocar, dar uma dormidinha e assim que acordar vou pegar meu morey e ir surfar.
(acorda Kelen, não tem leite condensado em casa)

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Criança feliz

Rolei na grama, subi em árvore, me escondi na taipa, tomei banho de mangueira, bebi água do poço, brinquei de pega-pega, de esconde-esconde, de polícia e ladrão, andei de Dim-dim, joguei amarelinha na calçada e taco-bola no meio da rua, pulei corda, entrei e saí da casa de toda vizinhança a qualquer hora, fiquei de castigo, pisei em sapo, juntei minhoca, plantei feijão no algodão, fiz forminhas de gelo com flor, brinquei de comidinha, de Barbie, de Banco Imobiliário, de Hering Rasti e de Playmobil, pintei com tinta têmpera, ganhei um Odissey e uma Ceci, tive Melissinha, Querido Pônei, Moranguinho, Aquaplay, Gênius, borrachas perfumadas e canetas de dez cores, tive cachorro, gato e até quero-quero, juntei pinhão e grimpas do pátio, comi araçá tirado do pé, fiz jazz, ginástica rítmica, equitação, patinação, natação, tive aula de pintura, de piano, de teatro, de cerâmica, de artesanato e de inglês, joguei tênis, vôlei, nilcon, caçador e bobinho, dei voltas na quadra correndo, fiz polichinelos e abdominais pra passar em educação física, fui do CTG, fui aia, usei aparelho, pulei do trampolim pequeno e depois do grande, passei a tarde no Tênis Clube tomando banho de piscina e comendo torrada ou banana split, passei tardes em casa mergulhando na piscina de plástico, andei de bicicleta por toda cidade, tomei mate doce e vaca preta, comi gemada com banana, dormi vendo sessão da tarde, tive coqueluche e catapora, caí de cabeça, fiz pontos, passei férias em Torres e em Santa Catarina, brinquei de cavar buracos e de fazer castelinhos na areia, e de pegar jacaré no mar, passei férias em Livramento, caminhei na Sarandi, comi pancho em Rivera e melancia na varanda, tomei banho de rio, andei a cavalo, entrei no galinheiro, tomei leite de vaca tirado na hora, pulei carnaval de salão fantasiada, fiz e soltei pandorga na Semana Santa, ganhei ovos de chocolate na Páscoa e presentes no Natal, acreditei em Coelhinho e em Papai Noel, procurei ninho, enfeitei pinheirinho, andei de Kombi e de Fusca, fugi do meu quarto pra dormir abraçada na minha vó, fiz pão caseiro com ela, estudei, fiz amigos, li o Mundo da Criança, Monteiro Lobato e gibi, me vesti de Mulher Maravilha, fui no cinema, no teatro, no parque de diversões, no circo, no zoológico, na missa de domingo, na pracinha, andei de balanço, brinquei na gangorra, desci pelo escorregador, caí do trepa-trepa, montei nos leões da Praça da Matriz, brinquei na Rua dos Cataventos, fiz cataventos, colecionei figurinhas, selos e papéis de carta, fiz dobraduras, ouvi histórias e músicas em discos de vinil, fiz festa aniversário em casa, com negrinho, branquinho, docinho de coco e de queijo e com torta de Nescau, fiz bolhas de sabão, convivi com meus primos, tive irmãos pra brincar e brigar e uma família inteira pra reclamar e amar.
Só uma pausa nessa sexta-feira, depois de uma semana cheia de notícias e imagens ruins, pra lembrar e agradecer por ter tido a melhor infância do mundo.

domingo, 30 de agosto de 2015

Sobre trintas de agosto

Há seis anos eu estava em Barcelona.
Há cinco eu estava doente.
Há quatro eu estava em Los Angeles.
Há três eu escolhia um cachorro para adotar.
Há dois eu estava de mudança.
Há um eu estava em Campo Grande.
E hoje? Bom, hoje é domingo.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Kelen rima com?

A pergunta "A senhora tem cadastro na loja?" me causa arrepios.
Observo atentamente as lacunas no computador sendo preenchidas.

KEL...
- Um ele?
- Isso.
KELEN
- (ufa!)
- De que?
- Tomazelli
TOMAS ELEN
- Assim?
- Não, To-ma-zel-li, tudo junto.
-Ah!
TOMASELEN
- Isso?
- Não, TomazeLLI, com Z e dois ELES.
TOMAZELLEN
- Pega aqui minha identidade.

domingo, 23 de agosto de 2015

O pequeno príncipe

Sentados no cinema esperando o filme começar.
- Não quero fazer drama, mas eu li O pequeno Príncipe e odiei. Aquela tal Rosa era uma mala. Depois eu vi o filme e odiei mais ainda. Era um dramalhão com a tal da Rosa.
- Será que mudaram a história na animação?
- Tomara que sim. E que tenha raios e monstros.
Serão duas longas horas para alguém...

Sobremesa

- Meu amor, agora que eu não tenho mais carro a gente precisa deixar um creminho para as mãos no teu.
- Pode ser, só tenta escolher um que não tenha cheiro de sobremesa.
(os "sabores" limão siciliano, lavanda, castanha e amêndoas já foram decretados como "tudo igual" e desaprovados)

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Xuvisko

- Oi, tem WiFi?
- Não.
Xuvisko, desde 1970 servindo pizza e promovendo o diálogo entre as pessoas.

O preço de um sorriso

Fui abastecer no Figueroa dia desses. Prontamente um sorridente senegalês de nome Mama-alguma-coisa-que-não-lembro-exatamente-o-que-era veio me atender. Tenho uma simpatia instantânea por eles, talvez exatamente por estarem sempre sorridentes e prontos para atender. Ele foi me perguntando coisas naquele português enrolado, as quais eu só fui sorridente e distraidamente dizente "sim, ahã, pode ser". O meu sorriso só acabou quando percebi que um dos meus ahãs tinha sido pra gasolina aditivada e que o valor a pagar acabou sendo tão "grande" quanto o sorriso do senegalês!

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Sobe?

Tenho fé que um dia ainda inventarão o mecanismo de desapertar o botão errado do elevador.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Eu vou cuidar do seu Jardim

Na parada de ônibus passa o Jardim Ipê, passa o Jardim Itu, passa o Jardim Sabará, para o Vila Jardim e a senhorinha carrancuda do meu lado não aguenta:
- Essa quantidade toda de Jardim. Chega lá não tem jardim nenhum!
E um jardinzão ali, bem na frente dela.


segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Roupa suja, cada um lava a sua

Se fala em lavanderia e as pessoas já começam a lavar a roupa suja.
Depois reclamam dos algoritmos do Google.

A pequena lavanderia do bairro

Estava eu em uma pequena lavanderia do bairro aguardando o rapaz encontrar meu pedido quando chegou uma senhora e jogou o pedido dela na mesa falando:

- Oi, tu podes alcançar o meu, por favor?

Dei uma olhada pro lado pra entender quem seria a importante que não poderia esperar o fim do meu atendimento e depois dei uma olhada pra mim, pra ver se não tinha ficado invisível sem me dar conta. Eram alguns centímetros a menos que ela do alto do seu salto alto - mais ainda se comparada a mim com meu All Star. Mas eu seguia ali, bem visível. Pra minha sorte (e a dela), o rapaz educadamente mandou ela aguardar um minutinho e seguiu me atendendo. Enquanto ele colocava o meu terno dentro de um saco, ela gritou:

- Acho que é 16 reais o meu, né?

Dei uma nova olhada agora com um quê de "minha senhora, ele está pegando o terno pra mim ali atrás, seu papelzinho está aqui na minha frente, ele não sabe o valor e nem vai saber até que termine de me atender". Ela sorriu pra mim que sorri de volta. O rapaz voltou e alcancei meu cartão:

- No débito, por favor.
- Tu podia só me cobrar e...

Na minha mais doce voz, sorri e falei:

- Querida! Eu também estou com pressa e ele está sozinho atendendo, assim que ele terminar de me atender ele te atende, pode ser?
Enquanto digitava minha senha, o rapaz pegou o pedido dela e foi em busca da roupa ou o que quer que fosse. Eu mesma cancelei a minha via, retirei o meu cartão, peguei as minhas coisas e ainda com um sorriso no rosto olhei pra ela e falei: mal educada! Não ganhei sorriso, nem resposta. E ela que agradeça eu não ter discursado sobre como pessoas como ela que fazem as coisas serem do jeito que são! Só não torci para que a roupa estivesse manchada, rasgada, quiçá perdida, porque gosto muito da pequena lavanderia do bairro.

sábado, 15 de agosto de 2015

Lava roupa todo dia, que agonia

Minha casa em Gramado tem uma peculiaridade: ela possui duas lavanderias. E quatro tanques. Não, minha mãe não lava roupa para fora, mas deveria. Duvido que alguém no mundo lave roupas tão bem quanto ela (e suas discípulas), nem mesmo outras mães, acreditem. As toalhas são as mais macias, os lençóis os mais suaves, os encardidos não existem, as manchas não tem vez.
Infelizmente troquei as lavanderias dela  pela minha máquina lava e seca desde o tempo em que deixei de ir a Gramado todos os finais de semana. E minhas roupas lamentam até hoje esta troca.
Mas a fama da minha mãe não deixou de ser divulgada entre as minhas amigas. Dia desses, recebi um whats app de uma delas:

- Kelen, preciso tirar uma mancha de sangue, pede pra tua mãe o que fazer?

Whats app pra Dona Luiza que faz uma série de perguntas:

- O sangue está seco? Ou é recente? Qual a cor da roupa? E que tecido?

Repasso as perguntas, replico as respostas e aguardo pacienciosamente, certa de uma receita infalível, cheia de etapas e processos minuciosos e milagrosos. E eis que  leio na minha tela, rápida e rasteira:

- Vanish.

Não pude acreditar naquilo. Nem a minha amiga. Como assim tão somente e apenas Vanish? Confesso, foi uma das maiores decepções da minha vida.
Mas garanto pra vocês: eu não devo nem mesmo saber usar um simples Vanish como ela.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Meu passado me condena

Quando eu tinha meus vinte e bem poucos anos e estava na faculdade, ainda não conhecia a frase "O que acontece em LA fica em LA". Se conhecesse, teria criado a homônima "O que acontece em um Elea fica no Elea"*.

Anos se passaram após todas aquelas coisas que fazemos durante a faculdade das quais não somos, digamos assim, exatamente orgulhosas, mas que fazem parte da vida e das caixas pretas que ficaram pelo caminho.
As pessoas tomam todas, se divertem fazendo berequetê, se formam, viram profissionais, abrem suas empresas e os caminhos voltam a se cruzar. Um belo dia conheci uma empresa que executava obras. Muitos encontros em obras, emails e telefonemas depois, jamais fiz qualquer associação de quem era a pessoa que me atendia. Os anos passam, os cabelos ficam brancos, a cara de guri ou guria amadurece. Até o contato virar amigo no Facebook. E tu te deparar com uma foto dele no pior (ou seria melhor, nunca saberei) Elea da tua vida em Salvador. Fiquei vermelha sozinha em casa na frente do computador! Ainda que ele fosse apenas mais um dos participantes das loucuras daquela viagem, curti uma ressaca moral de cantinho. E olha que nem participei de berequetê nesse encontro! O tempo passa, volto a fazer contato com ele pra uma nova obra e comento (até pra ele não me achar a louca que se apresentou na primeira reunião):

- Quando a gente se conheceu naquela obra eu não sabia que tu era tu e que a gente se conhecia da faculdade!
- Ah! Sem problemas. Mas eu sabia quem tu era!

Abre um buraco no chão, quero ficar lá dentro pra sempre.

*Encontros Latinoamericanos de Estudantes de Arquitetura. Válido também para Ereas (regionais) e Eneas (nacionais)!

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Megafone

Aniversário de uma amiga na mais nova "Carniceria" da cidade onde tu faz o pedido no caixa e por um megafone te chamam pelo nome anunciando que tá pronto.
Junta todo mundo pra foto, tira uma, tira outra, sorri mais um pouco e quando já ia desmanchar o grupo berram bem alto no megafone:
- Kely. Kely.
Gargalhada geral, gritam do meio do grupo:
- Vai pegar teu hamburguer, Kely!
O pedido nem era o meu, mas com certeza essa vai ser a melhor foto da noite!

Post colaborativo

Provas de que sim, já é verão:

Minha cera de cabelo derreteu.
Minha gripe-resfriado acabou.
Meu alecrim secou.
O mel desaçucarou.
Uma formiga apareceu.
Um mosquito me picou.
O suvaco suou.
O desodorante venceu.
O bigodinho aflorou.
Suor da testa escorreu.
A cerveja gelou.
A dieta acabou.
A saia encurtou.
O Parcão lotou.
O rosto bronzeou.
Meu tornozelo inchou.
Minha pressão baixou.
Bem cedo o sabiá cantou.
A azaléia floriu.
O ipê roxo desabrochou.
O jacarandá imitou.
O jasmineiro se perfumou.
A conta da luz aumentou.
O ar condicionado pifou.

Ih... uma frente fria chegou!

Kilômetro

"Senhora Kelen, seu código localizador é: Z de Zulu, I de Índia, I de Índia de novo, número 5, K de quilômetro..."
Pera lá que me atrapalhei!

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Agosto rima com...

No meio do ano a crise chegou por aqui. Não que antes ela fosse invisível, mas nesse momento chegou chegando e de uma forma bem mais assustadora. De uma hora pra outra me vi com muito mais horas vagas do que gostaria e precisaria ter. Meu jeito de enfrentar isso? Foi me reinventando e claro, tinha que ser uma reinvenção de baixo custo! Fiz cursos pra aprender coisas novas, me inscrevi no mestrado pensando no futuro, me candidatei a voluntária pra trabalhar em algo com propósito, voltei a escrever no meu blog pra desopilar, reativei contatos (sem passar por cima de ninguém) pra não ser esquecida, conheci pessoas que só agregaram. E olha, nunca nessa vida acreditei tanto na energia que a gente gera mantendo a nossa energia viva! Nem tudo deu certo, é verdade, mas ainda bem: faltariam horas pra tanta coisa! Grande agosto, mês bom pra colocar um baita sorriso no rosto!

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Remote Year

Há alguns meses me inscrevi para um programa chamado "Remote Year". A proposta era trabalhar remotamente com um grupo de 100 pessoas de todas as nacionalidades viajando pelo mundo. A viagem começaria em Praga, seguida de Ljubljana, Dubrovnik, Istambul, Penang, Ko Tao, Hanoi, Kyoto, Buenos Aires, Mendoza, Santiago e terminava em Lima.
Meio que ignorei o fato de que eu tinha um namorado e duas cachorras. Ou talvez não tenha ignorado totalmente, já que pensei que seria opcional o número de meses que eu poderia participar - apesar do nome falar em year e não em months, e que em quatro meses, temporada que o grupo passaria na Europa, eu não perderia meu namorado - nem mesmo se ele tivesse que ficar sozinho cuidando das minhas duas cachorras. Acredito que essa inscrição venha de uma vontade maior que a minha conta bancária de conhecer o mundo e também um efeito retardado chamado "Barcelona Frustración".
O tempo passou, quase esqueci daquilo e de repente chegou um e-mail. Respondi algumas perguntas e fui para a próxima fase. Um tempinho mais e pagando uma pequena taxa, passei mais uma. Decorei instantaneamente a ordem das cidades. E eis que um californiano chamado Brandon quis marcar uma entrevista via Skype comigo. Pânico. Não sei se mais pela remota possibilidade de ir ou pelo simples fato de ter que falar em inglês com alguém.
Pois chegou o dia do Skype com o Brandon, cara que defini como super gente boa pelo simples fato de dizer que meu inglês estava ótimo e isso ser uma baita mentira. Na sequência ele me disse que queriam apenas pessoas incríveis nesta viagem e que eu era uma delas. Gente boa, não tem como negar! Ou pelo menos com um ótimo xa-lá-lá. Expliquei no meu inglês macarrônico que havia entendido que poderia ser um ano de quatro meses. Expliquei do namorado (que a estas alturas já era quase marido). Expliquei das cachorras. Fizemos um trato: eu tentaria convencer o marido a ir comigo por um ano, enquanto ele tentaria convencer o restante da organização que eu poderia ficar menos que isso. Ainda me restava a missão de convencer a Pulga, a Panqueca e a Dona Luiza, de que uma temporada em Gramado seria ótima para as três!
Uma semana depois, novo Skype, muita empolgação dos dois lados e... nada feito. Nem namorado, nem organização aceitaram as nossas propostas. E se as cuscas e a Dona Luiza tivessem entrado na votação, teria mais três nãos na minha frente. Assunto encerrado, nem uma remota possibilidade de viver remotamente.
Talvez a aceitação tenha sido fácil pois não era pra viver um dolce far niente. Teria tudo ao meu dispor, passagens, estadias, casa, comida e roupa lavada além de um lindo coworking em cada cidade, mas mediante um pagamento mensal que a distância, sinceramente, não sei de onde tiraria.
Sendo assim, segui minha vida tranquilamente.
Pelo menos até ontem, quando eles postaram as primeiras fotos na Croácia. Pena de mim quando chegarem na Tailândia.

Remédio pra tudo

Mocinha nascida na década de 90 me atende na Panvel:
- Oi, onde tem Minâncora?
- Oi?
Essa não teve infância. Nem espinha na adolescência.

Veranico de agosto

Entrar no clima do verão é... começar jantando uma saladinha e na sequência abrir uma cerveja bem gelada.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Ciclos

Um cabeleireiro me disse que o nosso cabelo tem ciclos, e que a cada sete anos ele muda. Pois tenho certeza que, respeitando os ciclos da natureza e do humor feminino, ele vai ser crespo quando a gente queria ele liso e liso quando tudo que a gente mais queria era um cabelo bem crespo.

Descomplica

Almoço no Ocidente e eu, acostumada a querer mudar alguma coisa no PF do dia, pergunto:
- Oi, o que tem de almoço?
- Olha, não sei se tu já veio aqui mas tu não tem muita opção...
- Me traz meio da minha única opção, por favor.
A arte de simplificar em uma lição.

domingo, 9 de agosto de 2015

Salário garantido, jogue o que jogar

Fiquei aqui pensando o que eu faria se fosse um dos jogadores que faz a folha de pagamento do Inter chegar a cerca de dez milhões. Acho que já sei: jogaria muito futebol! Ou ao menos me esforçaria pra isso. Pena que, por razões óbvias, isso nunca vai acontecer e eu não vou poder provar o quanto me esforçaria.
Então proponho à diretoria do Inter que pegue essa quantia "irrisória" gasta por mês e de posse dela neste segundo semestre pague aos seus jogadores apenas o proporcional ao efetivamente trabalhado. Vai ser fácil medir, querem ajuda? Basta usar, por exemplo, o aproveitamento no Campeonato Brasileiro como base. Vai lá, pega 41% - o que vai estar longe de ser justo, e os outros 59% dividam entre os sócios do clube, que tal? Aqueles que são colorados desde criancinha. Aqueles que são colorados até morrer. Aqueles que pagam pra ver um time jogar (eu disse um time). Aqueles que realmente levaram 5x0 ontem. Os outros? Os outros só passam pelo Inter. Tirar o peso dessa camiseta e desses 5x0 vai ser uma barbada pra eles.
.:.
A propósito. Tô escutando aqui de casa a gargalhada do Aguirre.

Fórmula

Irmãos reunidos, uma amiga comenta:
- Eu não aguento vocês quatro, são tudo igual, o que o Tio Nelsinho fez, usou a mesma fórmula pra tudo?
- Olha, a minha fórmula deve ter sido a única do tipo "rapidinha", não deu tempo de fazer os olhos verdes!

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Vazio

Tem dias tenho vontade de enforcar as minhas duas cuscas. Se não enforcar, pelo menos dar um Lexotan pra cada uma. Até que chega um fim de semana de viagem e mando as pestes pro seu retiro já na quinta-feira. E de repente eu acordo e ninguém sacode as orelhas freneticamente pedindo pra passear; eu sento pro café e ninguém pede um pedaço; o porteiro eletrônico toca e ninguém late; eu saio de casa e ninguém rosna me pedindo pra ficar; eu entro em casa e ninguém pula em mim; . Vou precisar de um Lexotan pra aguentar os próximos quatro dias.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Nem Jesus salva

Troca de mensagens no whats app da família (integralmente) colorada. Meu cunhado anuncia:
(cunhado) - Diego Aguirre acaba de ser demitido!
(eu) - Antes do Grenal??
(cunhado) - Sim, agora, já tá no site do inter.
(irmão) - Antes do Grenal... os cara foram galo hein?
(eu) - Quem vai ser o técnico no Grenal? D'Alessandro?
(cunhado) - Mano Menezes... deve estar a caminho.
(eu) - Jesus...
(cunhado) - Tentaram Jesus! Mas ele disse que já não faz mais milagres!

Uma ponta de esperança

Perdi meu celular no Safe Park do Instituto Ling ontem a noite. A chave ficou com o manobrista, o Sr. Carlos Alberto, e queria muito acreditar que o celular estava guardado, independente de ter sido achado no carro ou no chão. Depois de verificar pelo localizador do Google que realmente estava no Ling, voltei lá hoje de manhã.
.:.
Sabe aquela história de pessoas bonitas por dentro e por fora? De que nada vale se a pessoa tiver uma aparência linda se por dentro isso não corresponder? Acho que deve valer também para lugares. O Instituto Ling é das obras arquitetônicas atuais mais bonitas de Porto Alegre. E a equipe que trabalha dentro dele faz jus a essa beleza. Do rapaz do estacionamento, passando pelo responsável pela organização, as moças da limpeza, os seguranças até chegar na moça da recepção, só fui atendida por gente educada e bem disposta. E isso num horário que somente o estacionamento estava funcionando. Pois bem. Meu celular foi encontrado, não sei se por algum visitante ou por algum funcionário. O importante é que foi entregue na recepção. Talvez essa fosse a situação obviamente esperada, mas sabemos que não é a situação normalmente encontrada. Então, quando tenho quase certeza que perdi a fé na humanidade, acontece uma coisa dessas e tenho uma nova ponta de esperança.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Me salvem de mim

Peço carro emprestado pro marido. Ele empresta. Já atrasada, pego a chave do carro na porta de casa mas volto pra passar um batom. Na porta de casa de novo grito:
- Eu não acredito que o Guilherme não me deixou o carro! Eu vou matar o Guilherme. Por que ele não me avisou que não ia deixar o carro? Sério. Eu mato ele.
Bato a porta de casa deixando a faxineira pra trás apavorada. Chamo o elevador e pra minha surpresa a chave do carro "surge" na minha mão. Certo estava o Millôr. Porque sim, eu sofro de mimfobia, eu tenho medo de mim mesma e me enfrento todo dia!

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Metas

Falávamos sobre dieta:

- Meu amor, estipulei metas no peso. Meta um 59, meta dois 56 e meta três 53!
- Não. Tu não podes colocar uma meta. Deixa em aberto e quando tu atingir a meta aí tu dobra a meta!

Guilherme e Dilma me ajudando a emagrecer.

domingo, 2 de agosto de 2015

De volta a ativa

Corri dez minutos hoje. Me senti uma atleta. De 87 anos, mas uma atleta.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Sinal dos tempos

Levar de referência para o cabeleireiro uma foto da Ísis Valverde de cabelos curtos e sair se achando a cara da Glória Pires. 

Espelho, espelho meu

A vizinha mais feia do prédio entra no elevador de cabeça baixa.
Quando olha pra frente grita:
- Ai que susto!
Só me resta viver com a dúvida se ela estava se referindo a mim ou ao espelho.

Tudo é uma questão de ponto de vista

- Oi moço, desculpa, vou pertinho mas tô atrasada. Felipe Neri com Lucas.
- É pertinho mas é longe, né?
Adoro taxistas espertos. E compreensivos! 

terça-feira, 28 de julho de 2015

In2you

Sozinha em casa, de saída, coloco um perfume qualquer.
De repente me assusto com a minha própria voz:

- Nossa, que cheiro de passado!

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Berga

- Amigo, quanto tá o saquinho da bergamota?
- Um sai por dez e três por vinte. Vai levar quantos, amiga?
- Que? Vocês tão loucos?
- Ô amiga, não sabe a dificuldade de pegar essas frutinhas no meio desse aguaceiro todo e conseguir trazer até aqui pra vender. Tá tudo alagado as plantação.
Decidi fazer a boa ação do dia, me compadeci e comprei. Chegando em casa fiz a bobagem de pesar o saquinho. QUARENTA REAIS o quilo da bergamota. A boa ação do dia virou a boa ação do MÊS!

Atenção

Sexta-feira de muitos compromissos na rua, dia de pedir o carro do marido emprestado.
.:.
Voltando para o estacionamento, o flanelinha muito atento me ataca:
- Foi muito bem cuidado, senhora!
- Ah é? Lá dentro do estacionamento?
Realmente muito atento.
.:.
No estacionamento, pergunto onde estacionaram o carro:
-Ali, na fileira do meio.
Me dirijo a fileira do meio, vou, volto, vou de novo e grito:
- Moço, não tem nenhum carro vermelho aqui!
- Mas a senhora estava em um carro preto...
.:.
Sexta-feira de muitos compromissos na rua, vamos deixar esse negócio de atenção pra lá.

No meio do caminho tinha um gari

Bom Fim, pós Detran, caminho em direção ao restaurante olhando pro chão (mentalmente ainda contando...). Um gari que limpava a calçada pouco mais a frente diz:
- Uma boa tarde, moça!
- Muito obrigada, pra ti também.
- E que seja um ótimo fim de semana!
Parei de contar e sorri.
E juro, quase abracei.

Segredo

De volta ao adorável Detran, Erondina, simpática atendente que me recebeu ontem, volta a me atender. Entrego os papéis para ela que digita rapidamente algo no computador, para e me diz sem dó:
- Posso te contar um segredo?
Meu coração para de bater por alguns segundos até conseguir balbuciar um quase inaudível "pode".
- Ela transferiu o carro hoje mesmo!
- E?
- E então tu podes solicitar o ressarcimento da taxa ao Detran, é só preencher este formulário e colocar no correio ou entregar ali na Voluntários.
- Sei.
Neste exato momento eu iniciei uma contagem para me acalmar. Sigo contando.

Indicação

- Arquiteta, tu tem um eletricista bom, bonito e barato pra me indicar? Se for de confiança e não cobrar os olhos da cara pra uma visita, já tá valendo!
- Tenho dois! O bonito é ruim e o feio é caro, qual tu quer?
Só faltou dizer que, como qualquer eletricista de fé, nenhum dos dois costuma ter tempo!

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Doce vida


- Meu amor, assim tu não me ajuda a ser magra...
- Mas eu te ajudo a ser alegre!


❤

Homônimo

O Detran, aquele órgão adorável que quase me enlouqueceu para conseguir mudar meu endereço de correspondência, ainda não tinha encerrado suas pegadinhas comigo. Depois de vender meu carro e autenticar em cartório minha assinatura no DUT, descubro que preciso, mesmo com este documento que justamente demonstra a transferência do veículo, ir até o Detran comunicar que realmente vendi o meu carro. Para isto basta uma coisa, diz Lucas, o simpático rapaz ao telefone: levar uma cópia do DUT autenticado! Então fomos lá eu, o DUT e meu documento de identidade, que eu não sou boba, para descobrirmos juntinhos que existe também uma taxa a ser paga para comunicar que vendi meu carro. Taxa que pode ser paga através de um boleto, gerado pela internet, mas que aquele simpático rapaz, o Lucas, não me informou que havia! Mas sem problemas! Eles geram no CRVA outro boleto, por uma pequena taxa a mais e que pode ser paga ali mesmo. Ah! Mas a outra taxa, aquela que o simpático Lucas não avisou que existia, é pagável apenas no Banrisul. Ou claro, na sua casa, via Internet, onde poderia ter sido gerado o querido DOC, sem a pequena taxa, antes de ir ao adorável Detran!
.:.
Ao me dirigir até o caixa para efetuar o pagamento, me deparei com um senhor, cujo nome não registrei, mas que visivelmente estava ainda mais furioso do que eu, o que sempre me chama atenção. Ele tem um homônimo, o coitado. E mesmo tendo um sobrenome no meio e possuindo um Citröen enquanto o homônimo possui um Monza, pelo menos uma vez a cada três meses recebe alguma notificação, que o faz ir ao Detran, com ou sem DOC, mas sempre com alguma taxa a pagar! Tá certo, poderia ser pior. Porque pelo menos Kelen Tomazelli, só tem uma.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Nosso goleiro

Jogo tenso, defesaça do Alisson, não me controlo:

- Vou dar um beijo na boca desse Alisson!
- Ninguém aqui vai beijar coisa nenhuma!

(Ah, a vingança...aquela bolachinha ainda tava engasgada!)

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Bolachinha

Guilherme fazendo a lista do super:
- Como é o nome daquela bolachinha da Paola Oliveira que eu gosto?
- Que é da Paola Oliveira tu lembra! Garanto que se a propaganda fosse com a Regina Casé tu não lembrava!
- Nem comia!